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Como o casal Raupp vem conseguindo reverter a impopularidade e desgaste político

O ano de 2017 vem sendo um dos mais conturbados politicamente para o senador Valdir Raupp e sua esposa, a deputada federal Marinha Raupp

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Juntos eles somam 40 anos de mandatos ininterruptos no Congresso Nacional, ela em seu sexto mandato na Câmara dos Deputados e ele no segundo, no Senado. Valdir e Marinha Raupp são, de longe, o casal mais bem sucedido na vida pública em Rondônia e um dos mais longevos na história política do país. Raupp ainda pode somar a seu currículo dois anos de mandato como vereador em Cacoal, 8 anos como prefeito de Rolim de Moura e quatro anos como governador de Rondônia.

Ao perder a reeleição ao governo, ficou quatro anos sem mandato sendo eleito ao Senado, pela primeira vez em 2002. Bem relacionado e discreto, o imigrante catarinense chegou a ser presidente nacional do PMDB e foi esse cargo que lhe rende até hoje as maiores dores de cabeça. Os problemas começaram em março de 2016, quando o falecido ministro Teori Zavaski divulgou a relação com 54 nomes de parlamentares que estavam sendo investigados na Operação Lava-Jato e Raupp aparecia entre eles, acusado de ter recebido R$ 500 mil, que foram declarados à justiça eleitoral, que segundo o delator Fernando Baiano “seriam propina disfarçada”, versão que seria derrubada pela Polícia Federal agora em 2017.

Porém, o estrago estava feito. Em março deste ano, a segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, em decisão questionável, recebeu denúncia contra o senador por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Na época, Raupp declarou, “respeito à decisão dos Ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida nesta data. No entanto, continuo a acreditar que contribuição oficial de campanha devidamente declarada, não pode ser considerada como indício e/ou prova de ilicitude”. A PF confirmaria a versão de Raupp meses depois.

Ao mesmo tempo, a deputada federal Marinha Raupp, que tem como principal atividade parlamentar assessorar prefeitos, vereadores e entidades na obtenção de recursos e elaboração de projetos, se viu em uma tremenda saia justa com o presidente da fundação que gerencia o Hospital do Câncer de Barretos, Henrique Prata, que a acusou, em vídeo que circulou pelo Estado de estar “atrapalhando deliberadamente o cadastramento do hospital junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) em detrimento da clínica São Pelegrino, que há anos atende os pacientes de Rondônia, Acre e parte do Amazonas”.

O vídeo teve um efeito devastador sobre a popularidade da parlamentar que já foi a recordista de votos em Rondônia, superando os 100 mil nas eleições de 2012. Ter Henrique Prata, um dos filantropos mais reconhecidos do país como adversário não é uma estratégia inteligente. Paralelo a isso, a Lava Jato continuava complicando a vida de Valdir Raupp e para reduzir os estragos o senador mudou totalmente seu estilo. Adotou as redes sociais como prioritárias e intensificou agenda política no Estado.

Ao mesmo tempo, a deputada Marinha Raupp tratou de “fazer as pazes” com a equipe do Hospital do Câncer de Barretos. Essa semana, Henrique Prata divulgou um vídeo agradecendo a ajuda da parlamentar.

Henrique Prata agradece casal Raupp por painelpolitico

Agenda positiva

Um dos pontos mais importantes no aumento da popularidade de Valdir Raupp, que de acordo com pesquisas feitas em Rondônia estaria virtualmente reeleito ao Senado em 2018, foi a construção de uma agenda positiva no Estado e rápida resposta às denúncias. Raupp adotou uma postura de “transparência” não se furtando de falar sobre os temas espinhosos que o cercam nos últimos tempos.

Apesar da rejeição em alguns municípios, ele reverteu a impopularidade em colégios eleitorais importantes que lhe garantem posição melhor que o governador Confúcio Moura, que deve migrar para outra legenda e disputar uma cadeira ao Senado em 2018.

Em Brasília Raupp segue sendo um dos mais influentes nomes no Senado, e já chegou a bater de frente em algumas oportunidades contra o presidente Michel Temer. Raupp tem evitado se envolver em temáticas polêmicas em âmbito nacional, mas vem pegando firme em questões que envolvem Rondônia, principalmente na liberação de recursos de convênios e emendas.

O resultado desse trabalho será avaliado nas urnas em 2018 e caberá ao eleitor decidir se aposta em quem já tem defeitos e virtudes expostas ou se vai rumar ao desconhecido.

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