Condenado a mais de 100 anos de prisão é assassinado em Porto Velho

Pelos menos três suspeitos atacaram e mataram Ednildo Paula Souza de 36 anos que respondia pela alcunha de “Birrinha”, com vários disparos de arma de fogo, próximo a escola Flora Calheiros Cotrim, localizada na Rua Assis Châteaubriant, bairro Esperança da Comunidade, região leste de Porto Velho.

“Birrinha” estava transitando em um carro modelo Celta de cor preta com sua esposa e filho, quando o grupo se aproximou e efetuou os tiros. A vítima foi alvejada na cabeça e ficou caída ao solo agonizando.  Após os disparos os acusados fugiram tomando como rumo bairro Escola de Polícia.

Equipes da Policia Militar estão na região fazendo buscas para tentar localizar os assassinos. A polícia ainda não tem informações sobre o motivo do assassinato, porém suspeita que o crime tenha sido motivado por acerto de contas.

De acordo com a polícia, “Birrinha” era conhecido como o “Rei do Urso Branco” e estava foragido. O homem possuía em aberto uma condenação de mais de 100 anos de prisão, por conta de envolvimento na chacina do presidio Urso Branco no ano de 2004.

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Chacina do Urso Branco

Entre os anos de 2002 e 2006, os presos, sem vigilância, com trânsito supostamente livre entre as celas, segregado em grupos rivais acirravam as disputas pelo poder dentro dos pavilhões. Os agentes penitenciários permaneciam fora da carceragem alegando falta de segurança para cumprir com suas funções. As celas sequer possuíam cadeados. Como resultado dessa situação, instalou-se o caos dentro do presídio e os internos praticaram chacinas entre grupos rivais, degolando e mutilando outros internos perante a presença dos seus familiares, agentes públicos e imprensa.

Num período de cinco anos, foram quase cem mortes causadas por desavenças e vinganças dos presos entre si, conseqüências de torturas e assassinatos cometidos pelos próprios agentes públicos e a falta de assistência médica. As mortes demonstraram situações de violência extremada.

Diante do enorme número de assassinatos, a Comissão de Justiça e Paz solicitou às autoridades competentes, relação de todas as mortes ocorridas no presídio. Tais relações, fornecidas em diferentes datas, não coincidiram entre si. Para a CJP, tais discrepâncias evidenciam o descaso do Estado brasileiro com as vidas dos presos colocados sob sua tutela. Devido às contradições, as listas jamais puderam ser encaradas como conclusivas.

Em 2004, no mês de abril, cerca de 300 pessoas (visitantes) foram mantidas reféns pelos presos, na maioria mulheres, o que deu início a mais uma rebelião. Os rebelados exigiram a exoneração do diretor do presídio e assassinaram mais um preso.

O Estado resolve suspender a alimentação dos presos e a água, como forma de pressão. Em resposta, um dos presos subiu ao telhado e exibiu a cabeça de outro detento que havia sido degolado. Um grupo de presos quebrou todas as paredes, interligando todas as celas e pavilhões da unidade prisional.

Em declaração, o Coronel Garret, da Polícia Militar e responsável pelas negociações declarou a situação grave. Os presos rebelados exigiram a presença do governador do Estado e ameaçaram com novas mortes, caso o pedido fosse negado. No quarto dia da rebelião, os presos mataram outro interno, dessa vez, na frente de jornalistas e familiares que se encontravam fora da unidade à espera de notícias.

Após quatro dias de rebelião, cerca de 170 familiares de presos ainda se encontravam em poder dos presos, sem alimentação e sem água e as negociações não haviam avançado. Novas ameaças e a triste constatação de que 850 presos dominavam o presídio.

Com a falta de alimentação os rebelados passaram a se alimentar de gatos que viviam dentro do presídio.

Finalmente, em 22 de abril, os presos firmaram um acordo com representantes do governo do Estado.

 

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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