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Conheça Michael Page, a cópia de Anderson Silva que desponta como joia do MMA

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Um lutador de MMA negro, esguio, com um talento fora do comum e que não dispensa uma provocação dentro do cage. A associação com Anderson Silva é quase inevitável, não é? Pois bem. Se você pensou no Spider, errou por muito pouco. O indivíduo em questão é Michael Page, jóia do Bellator que atende pelo apelido de “Anderson Silva inglês”, está invicto na carreira e vem chamando a atenção por seu estilo de luta único.

As artes marciais sempre foram coisa séria na casa do Sr. e da Sra Page. Todos os nove filhos do casal treinavam Kung Fu, mas só um resolveu transformar a luta em ganha-pão. Aos cinco anos de idade, Michael Page passou a percorrer toda a Terra da Rainha – acompanhado do pai – só para competir. Com um estilo de luta um tanto quanto heterodoxo, os vídeos dos combates de Page começaram a fazer sucesso na internet e, incentivado pelos admiradores, o lutador resolveu migrar para o MMA.

No Bellator 120, considerado o maior evento da história da organização americana, Page roubou a cena. Em meio a feras como Rampage Jackson e Tito Ortiz, o londrino atraiu todos os holofotes para si quando nocauteou o americano Ricky Rainey no primeiro round, abusando das provocações e do “estilo Page” de lutar. Em entrevista exclusiva à TATAME, o “Venom”, que tem sete lutas e sete vitórias – apenas uma não conquistada no primeiro round -, falou sobre sua meteórica carreira e disse que não quer ser comparado a Anderson Silva.

“O Anderson é um dos maiores lutadores de MMA de todos os tempos e é um atleta espetacular, mas não quero imitá-lo. Estou tentando trilhar meu próprio caminho e criar o meu próprio estilo. Quero ser eu mesmo e me destacar de uma maneira diferente”. Confira o bate-papo a seguir:

As pessoas acham que seu início foi no Taekwondo, mas você começou no Kickboxing, não é?

Não tenho nada a ver com o Taekwondo. Nem sequer fiz uma aula. Meu pai era mestre de Kung Fu, então, eu e meus irmãos começamos todos no Kung Fu. Mas todas as competições das quais eu participei depois (na infância e adolescência) foram de Kickboxing.

Como a sua família reagiu quando você os contou que iria migrar para o MMA?

Comecei com o MMA há apenas três anos. Minha mãe e meu pai ficaram um pouco preocupados quando entrei nesse mundo, porque eles viram o quão duro esse “jogo” é. Mas eles sabiam que eu sempre tinha sido muito bom em todos os esportes que pratiquei e que era capaz de me tornar um atleta de sucesso no MMA também. Por causa disso, eles me apoiaram bastante.

Você tem algum ídolo ou referência no esporte?

Para ser bem honesto, não. Eu não assistia MMA até três anos atrás. Eu só comecei a assistir quando passei a lutar MMA. Tem muitos caras que eu gosto de ver lutar, mas por motivos diferentes. Gosto de ver bons wrestlers para analisar o Wrestling. Tem caras que são ótimos no Jiu-Jitsu, e gosto de assisti-los por isso, assim como tem caras que trocam muito bem em pé e também gosto de vê-los lutando. Gosto de ver pessoas de estilos diferentes e tento aprender o máximo possível com a habilidade delas.
As pessoas no Brasil te comparam ao Anderson Silva pelo seu estilo de luta. Como você vê isso?

Vejo isso como um elogio e falo isso para todo mundo. O Anderson é um dos maiores lutadores de MMA de todos os tempos e é um atleta espetacular, mas não quero imitá-lo. Estou tentando trilhar meu próprio caminho e criar o meu próprio estilo. Quero ser eu mesmo e me destacar de uma maneira diferente.

Como você lida com as críticas de pessoas que dizem que seu estilo é desrespeitoso? Anderson tinha esse mesmo problema, por exemplo.

Sim, o Anderson tinha exatamente os mesmos problemas, e olha aonde ele chegou e os títulos que conquistou. Acho uma idiotice falar isso quando o que você faz claramente funciona. Não é uma falta de respeito. Se eu estivesse sendo rude com o meu adversário antes e depois do combate, tudo bem, mas não faço isso. O Chael Sonnen, por exemplo, é muito mais desrespeitoso, mas as pessoas não ficam pegando no pé dele porque ele não faz coisas criativas quando luta. Eu não sou um cara desrespeitoso e, se você falar isso de mim, tem que me conhecer pessoalmente. As pessoas que falam isso de mim, não sabem quem eu sou.

O Anderson foi muito criticado quando perdeu para o Chris Weidman por causa de seu estilo de luta. O que irá acontecer quando você perder? Você vai mudar seu estilo de lutar?

Para ser honesto, se acontecer de eu perder lutando deste jeito, eu vou voltar para a academia, descobrir o que fiz de errado e tentar corrigir. Mas não vou mudar o meu estilo porque tenho seis lutas na carreira, estou invicto, e lutei exatamente da mesma forma em todas elas. Obviamente, alguma coisa no meu estilo de luta está funcionando para mim. Não vou mudá-lo de maneira alguma.

O que você conhece do Brasil?

Sei que é um país sensacional e que eu quero ir um dia. Quero ver o carnaval, passar um tempo aí, talvez fazer uma temporada de treinos. É um lugar que eu quero muito ir. Espero que nos próximos dois anos eu tenha a oportunidade de ir ao Brasil.

De onde vem o seu apelido: Venom (venenoso)?

Um dos meus melhores amigos, que é quase da família, costumava treinar comigo. Ele me dizia que eu me movia como uma cobra quando lutava e, quando eu batia nas pessoas, elas demoravam um tempo para sentir o golpe, como se fosse o veneno de uma cobra se espalhando pela corrente sanguínea. Por isso o apelido, Venom. E, por causa do meu nome, começaram a me chamar de MVP (sigla para “jogador mais valioso” usada em esportes americanos), e ficou perfeito.

Você venceu duas de suas lutas por finalização. Com quem você treina Jiu-Jitsu? Qual a sua graduação?

Eu treino muito Jiu-Jitsu e Wrestling, até mais do que treino a minha trocação. Mas não me graduei. Eu rolo bastante sem quimono com caras de um nível muito alto de Jiu-Jitsu. Também treino com quimono, às vezes. Gostaria de ter um tempo para começar a me graduar e, talvez, me tornar um faixa-preta algum dia, mas, no momento, estou só rolando. Treino com dois brasileiros: o Luiz Tosta e o Claudio Silva “Mineiro” (lutador do UFC).

Você tem três vitórias no Bellator. Quando você espera entrar no GP?

Ainda vou conversar com os meus treinadores sobre isso, mas, provavelmente, farei mais duas lutas e irei para o GP. Não gosto de escolher oponentes. Quando o meu adversário é escolhido, a minha equipe vem até a mim, me mostra as características dele e treino de acordo com o meu oponente.

Os lutadores brasileiros sonham em lutar no UFC. E você, também tem esse sonho?

Eu estou aparecendo muito bem no Bellator e acho que é uma organização incrível, então, neste momento, não tenho planos de ir a lugar nenhum. Mas, obviamente, se eu chegar em um estágio no qual eu ache que preciso evoluir profissionalmente e não esteja mais me sentindo satisfeito no Bellator, pode ser que eu troque de organização.

O que você acha do Douglas Lima, campeão da sua divisão no Bellator? Acha que pode vencê-lo?

Ele é um lutador espetacular. Muito agressivo. Tem uma trocação ímpar e é muito forte. Merece estar na posição que está agora. Mas, quando eu me credenciar para disputar o cinturão, acredito que ele não conseguirá me parar.

Como você descreveria o seu estilo de luta?

Criativo, explosivo, elétrico e divertido. Eu entretenho as pessoas. Quando estiverem vendo uma luta minha, é melhor não piscarem.

Fonte: TATAME

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