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Conheça o maior playboy do mundo, que dá gorjetas de 200 mil euros

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Moradores de Ibiza, a mais turística das deslumbrantes Ilhas Baleares, na costa noroeste da Espanha, já estão acostumados: quando chega o verão, pousarão por ali os três aviões que o príncipe saudita Abdul Aziz Bin Fahd bin Abdul Aziz Al Saud utiliza em suas viagens.

As aterrissagens fazem brilhar os olhos dos donos de hotéis de luxo insulares, já que pelo menos quatro deles lotam para abrigar os até 200 membros do entourage do maior playboy do mundo.

Um grupo mais seleto deles, cerca de 20 ou 30, se hospeda no Gran Hotel de Ibiza, pagando até 4.200 euros (mais de 12 mil reais) a diária em temporadas que podem durar dois meses. Lar de um grande cassino, o hotel vê como os convidados do príncipe deixam, em mais de uma ocasião, milhões em uma mesa de jogos, contando gorjetas de até 30 mil euros aos crupiês.

Eterno adolescente aos 40 anos, Bin Fahd carrega sua equipe e todos os pertences que julga necessários para as férias em nada menos que um Boeing 777 adaptado para ter dez banheiros, alguns deles com banheira de hidromassagem, e até uma sala de cirurgia, além, é claro, de seu jato privado Bombardier Chalenger.

O time multinacional de aeromoças do jato do príncipe (Foto: Ravenna Mashburn)

O time multinacional de aeromoças do jato do príncipe (Foto: Ravenna Mashburn)

Nas tripulações, destaca-se o time exclusivamente feminino de comissárias recrutadas em diferentes países ocidentais como Estados Unidos, Grécia e Suécia — até pela excelente razão de que às mulheres sauditas é inteiramente vedado esse tipo de trabalho, como uma série de outros, além de outros direitos elementares, como o de dirigir automóveis.

As comissárias devem estar disponíveis as 24 horas do dia por seis semanas seguidas, e depois contam com o mesmo período de férias; precisam se virar para atender aos desejos do chefe, que só faz seus pedidos em árabe.

Gorjeta de 80 mil euros

Bin Fahd é o caçula dos seis filhos homens do falecido rei Fahd bin Abdulaziz Al Saud (1921-2005), que ocupou o trono de 1982 até sua morte e era meio-irmão mais velho de Abdullah bin Abdulaziz al Saud, atual detentor da coroa da Arábia Saudita. Casado desde 2010 com Al Anoud bint Faisal bin Mishaal Al Saud, também de origem considerada nobre, tem ainda quatro irmãs e, segundo a lenda familiar, sempre foi o preferido do pai.

Formou-se em administração pela Universidade Rei Saud, de Riad, mas antes mesmo de obter o diploma, em 1998, já fora nomeado ministro de Estado – e o fato de ter ido morar na Suíça em 2005 não o impediu de continuar “exercendo o cargo” por seis anos.

O restaurante Lío, de Ibiza, em cuja frente há congestionamento de Ferraris e Lamborghinis e que, em meio a pratos caríssimos, exibe shows de cabaré (Foto: welcometoibiza.com)

O restaurante Lío, de Ibiza, em cuja frente há congestionamento de Ferraris e Lamborghinis e que, em meio a pratos caríssimos, exibe shows de cabaré (Foto: welcometoibiza.com)

Seu currículo político, porém, é bem menos conhecido do que sua reputação de excessos e ostentação, que vai muito além do trio de aviões que o transporta em caravana nos momentos de lazer, financiados pela riqueza do petróleo.

Com investimentos aberta ou dissimuladamente relacionados a uma série de empresas multinacionais, como a petroleira britânica British Petroleum, a construtora saudita Saudi Oger e a cadeia televisiva MBC, baseada em Dubai, nos Emirados Árabes, Abdullah não brinca mesmo em serviço quando quer se divertir. E, segundo pessoas que trabalham junto ao monarca, quase a totalidade de seu tempo é dedicada ao ócio.

Existem inúmeros relatos de noitadas memoráveis bancadas peloplayboy. Entre os mais folclóricos, a gorjeta de 80 mil euros (mais de 240 mil reais) que teria deixado após refeição no restaurante ibizenho Lío, após o pagamento de conta de 120 mil euros (superior a 360 mil reais). O Lío, à beira de uma piscina, é um lugar badalado da noite cujo estacionamento está sempre congestionado por Ferraris, Lamborghinis e Rolls-Royces e que apresenta, em meio a refeições caríssimas, números de cabaré.

Não é de se surpreender que 200 mil euros pareçam insignificantes a alguém que faz questão de transportar, em seus aviões, um Rolls-Royce branco pelo qual faz questão de transitar, até mesmo pelas estradinhas estreitas de Ibiza.

Outro episódio diz respeito aos quatro meses que passou, em 2010, em uma suíte de 1200 metros quadrados Hotel Plaza, em Nova York. A temporada, porém, ficou marcada pela acusação de estupro cometido – e que resultou em condenação à prisão – por um de seus empregados a uma mulher. O episódio contribuiu para alçar o nome do bilionário, até então pouco conhecido, às manchetes.

Frota de Mercedes-Benz e o iate mais luxuoso do século XX

O "maior iate do século 20" atracado em Ibiza (Foto: Sergio G. Cañizales - El Mundo)

O “maior iate do século XX” atracado em Ibiza (Foto: Sergio G. Cañizales – El Mundo)

Não é apenas Bin Fahd quem se locomove em carros luxuosos por ilhas mundo afora. A cada estadia em Ibiza, ele manda trazer, principalmente da Alemanha, uma frota de Mercedes-Benz novinhos em folha para que seus amigos, familiares e empregados passeiem.

Entre os caminhos mais percorridos pelo comboio está o que leva ao porto onde fica atracado o Prince Abdul Aziz, o megaiate de 147 metros de comprimento encomendado por seu pai que, ao longo de vinte anos, foi considerado o maior do mundo, e até hoje tido como o mais luxuoso entre os fabricados no século passado.

Dali partem expedições de homéricos excesso, escoltadas por mais cinco “barcos de apoio”, rumo a outros rincões baleares espetaculares, como a pequena ilha de Formentera (cenário do filme Lucía e o Sexo, de 2001), paraíso nudista com natureza preservada.

Os funcionários de Bin Fahd também não deixam de visitar as mesquitas de Ibiza, onde distribuem alimentos comprados pelo chefe em grande volume, a ponto de beneficiar os cerca de 9 mil muçulmanos da ilha, a maioria provinda do Marrocos e da Argélia. De acordo com o Centro Islâmico de Ibiza, o príncipe também realiza doações particulares a praticantes do islamismo, e chegou a financiar cirurgia avaliada em 25 mil euros de uma mulher.

A religião, ou pelo menos sua intenção de parecer religioso, é outra das características do bon vivant saudita. Uma réplica da esplendorosa Alhambra, em Granada, um dos conjuntos arquitetônicos mais bonitos do mundo e legado da ocupação muçulmana do sul da Espanha (711-1492), é uma de suas residências em Riad.

Entre as outras que figuram em um extenso patrimônio estimado em mais de 1 bilhão de dólares (algo como 2,2 bilhões de reais) está uma mansão em Beverly Hills, Califórnia, e mais de um palácio suntuoso em Jidá, Arábia Saudita.

Com tudo isso, ainda há gente pertencente ao séquito do príncipe que garante que ele é discreto e gosta de passar despercebido pelos lugares que frequenta.  De fato, não há muitas fotos dele disponíveis na internet. Haja ironia.

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