Conheça os pré-candidatos ao governo de RO e veja um pouco sobre o perfil de cada um

O ano de 2018 será decisivo para a União e os estados e uma prova de fogo para grande parte da classe política brasileira. E Rondônia o cenário não é diferente. Atualmente o Estado acumula um rombo de pouco mais de R$ 130 milhões, números negados pela equipe do atual governo, mas que já começam a aparecer nas contas. Além disso, foram feitos empréstimos que começam a ser pagos a partir desse ano e a capacidade de endividamento de Rondônia é praticamente zero.

Apesar do governo insistir em divulgar números positivos, a única conta que ainda pode ser considerada “no azul” é o pagamento da folha dos servidores, que segundo informações obtidas por PAINEL POLÍTICO está sendo feita graças a malabarismos financeiros que devem vir à tona em 2018.

Os programas desenvolvidos pelo governo de Confúcio Moura (MDB) que não pode ser candidato à reeleição não decolaram, o sistema prisional está falido, os municípios endividados e os investimentos na área social são nulos. Até mesmo algumas aventuras patrocinadas pelo governo, como o incentivo a criação de pirarucu foram um fiasco e na capital, Porto Velho, o desemprego e a falta de políticas públicas para capacitação, além do abandono do setor industrial, colaboram para um cenário desolador.

As contas públicas são uma incógnita que só deverão ser esclarecidas quando a próxima equipe do novo governo assumir. E vai ser assim que o novo governador deverá receber Rondônia.

E com disposição para enfrentar esses problemas e os novos que devem surgir ao longo do ano, alguns nomes já despontam no cenário como pré-candidatos ao cargo. PAINEL POLÍTICO fez um resumo e um breve perfil de cada um deles.

Ivo Cassol (PP)

Ex-prefeito de Rolim de Moura, também governou Rondônia por dois mandatos consecutivos. Recebeu o Estado com as contas regularizadas por seu antecessor, José Bianco que não conseguiu se reeleger exatamente por ter adotado medidas anti-populares, como a demissão de servidores. Com perfil centralizador, Cassol manteve as contas em dia, não fez empréstimos e manteve a folha de servidores enxuta. Todas as nomeações de cargos comissionados passavam por seu crivo. As maiores críticas que recebeu foi exatamente dos servidores públicos, que se queixavam dos reajustes salariais baixos. Durante todo seu governo, os limites de reajuste eram mínimos. Foi graças a essa política de “cinto apertado” que ele conseguiu investir nas mais diversas áreas do Estado, como abertura de estradas, reforma de escolas, hospitais e delegacias.

Eleito senador em 2010, Cassol não conseguiu eleger seu sucessor, o então desconhecido João Cahúlla, que disputou com Confúcio Moura o segundo turno.

No final de 2017 o Supremo Tribunal Federal concluiu um julgamento contra Ivo Cassol e abriu a possibilidade dele disputar o governo do Estado em 2018. Antes disso, porém, ele já avisava que “sairia mesmo sob liminar”. Advogados ouvidos por PAINEL POLÍTICO em Brasília afirmam que Cassol pode não obter registro em Rondônia, mas não terá dificuldades em reverter a situação no Tribunal Superior Eleitoral. “A Corte tem sido mais racional em casos como o de Ivo Cassol. Não foi um crime eleitoral, as acusações não se sustentaram e o ponto mais importante, não houve dolo por parte do senador, não foi desviado dinheiro e as obras foram entregues à população”, apontou a defesa de Cassol.

Maurão de Carvalho (MDB)

Atual presidente da Assembleia Legislativa, ex-prefeito de Ministro Andreazza, Maurão de Carvalho tenta ser candidato ao governo desde 2014 quando não conseguiu a indicação de seu então partido, PP, presidido pelo senador Ivo Cassol no Estado.

Maurão voltou para a Assembleia Legislativa e assumiu a presidência, e vem conseguindo fazer uma gestão exemplar na Casa. Deve concluir as obras da nova sede do Legislativo, mantém uma boa relação com Executivo e Judiciário e migrou para o MDB, à convite do governador Confúcio Moura, com a promessa de que seria “candidato da legenda ao governo em 2018”. Porém, o que parecia ser uma situação bem definida, caminha para uma grande confusão. Confúcio nunca declarou abertamente que apóia a candidatura de Maurão e vem se esquivando de assumir esse compromisso. Dentro do próprio MDB uma ala articula outro nome, o do atual secretário de Finanças do Estado, Wagner Garcia de Freitas, com o apoio discreto de Confúcio. Além disso, o governador mantém uma aliança com outro pré-candidato, Acir Gurgacz (PDT).

Maurão ainda tem um longo caminho pela frente para manter sua candidatura pelo MDB ou migrar para o PRB, de Lindomar Garçon, que já garantiu que, nesse caso, Maurão será candidato pela legenda.

Héverton Aguiar (sem partido)

Ex-Procurador Geral de Justiça em Rondônia, Héverton Aguiar ficou conhecido por ser “linha dura”. Em sua gestão como PGJ, o Ministério Público do Estado protagonizou as maiores operações contra a corrupção da história, sendo responsável pelas prisões do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Valter Araújo, do ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho e grande parte de sua equipe, além de servidores públicos, empresários e políticos, como Alex Testoni (ex-deputado e ex-prefeito de Ouro Preto do Oeste) e Lúcio Mosquini (deputado federal e ex-secretário de obras do Estado). Aguiar completa em 2018 tempo suficiente para pedir aposentadoria do Ministério Público e definir uma legenda para a disputa.

Em 2017 ele chegou a considerar a possibilidade e vem sendo sondado por partidos políticos. Com perfil de gestor transparente, Aguiar surge como um nome novo no cenário, com fortes pontos positivos que agradam o eleitorado, que busca candidatos sem máculas.

Vinicius Raduan Miguel (REDE)

Professor, advogado, novato na cena política e trajetória na proteção dos Direitos Humanos e na defesa das crianças e adolescentes, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, Mestre em Direitos Humanos e Política Internacional pela Universidade de Glasgow. Atualmente, é professor da Universidade Federal de Rondônia. Esse é o candidato do REDE, em Rondônia, Vinicius Raduan Miguel, cujo pai e tio integram a magistratura rondoniense e se colocou como “nome novo” na disputa pelo governo de Rondônia. Apesar de não ter experiência como gestor, também não há que desabone sua pretensão.

Daniel Pereira (PSB)

O atual vice-governador de Rondônia já foi deputado estadual pelo PT e foi expulso da legenda após denúncia de contratar a então esposa em seu gabinete. Na época, Pereira devolveu os valores recebidos pela mulher, mas mesmo assim isso não impediu seu afastamento da legenda. Passou a se dedicar à carreira sindical e é presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Rondônia (Sindisef). Disputou vaga na Câmara Federal, mas não obteve votos suficientes. Nas eleições de 2014, o PSB em aliança com o PMDB, indicou seu nome como vice de Confúcio Moura. Pereira tem um perfil conciliador, é preparado como gestor, e tenta, como vice-governador, algumas incursões na administração do Estado, mas sofre interferências por membros da equipe de Confúcio. Sua candidatura depende do governador decidir disputar uma vaga ao Senado, para isso ele se afastaria do cargo permitindo que Pereira administrasse Rondônia e disputasse o governo.

Rumores dão como certa a saída de Confúcio do MDB, migrando para o PSB abrindo a possibilidade de Daniel Pereira disputar o governo. Outra possibilidade é ele manter-se como está e aliando-se a Acir Gurgacz, de quem seria vice-governador.

Marcos Pereira (PT)

Empresário e advogado especializado em Direito minerário, Marcos Pereira se apresenta como pré-candidato do PT em Rondônia, no entanto, nunca disputou cargos eletivos e se apresenta como não político.  Ele defende que o Estado fomente e regularize a atividade garimpeira, em vez de reprimi-la.

O PT por sua vez afirma que não definiu o candidato às eleições em 2018, “a legenda ainda vai iniciar essa discussão”, declarou um dirigente. De qualquer forma, o primeiro (e único) que apareceu até agora foi Pereira.

Acir Marcos Gurgacz (PDT)

O atual senador pelo PDT de Rondônia já foi prefeito de Ji-Paraná, permanecendo no cargo por dois anos e renunciou para disputar o governo, sendo derrotado. Elegeu-se senador em 2014, tem 55 anos e é casado. Natural de Cascavel (PR) onde sua família detém forte atuação política e empresarial, reside em Ji-Paraná (RO). Gurgacz tem um perfil empresarial, mas com quase nenhuma experiência na administração pública. Suas contas como prefeito foram reprovadas pelo Tribunal de Contas e aprovadas pela Câmara de Vereadores da cidade. Com discurso contraditório, foi aliado de Dilma durante todo o processo de impeachment, e no final votou pelo afastamento da presidente, mesmo declarando publicamente que “não existia crime” nas chamadas “pedaladas fiscais”. Desde 2014 vem organizando o PDT em Rondônia para disputar o governo em 2018.

Esses são os nomes que se apresentaram até o momento e como se pode perceber, o cenário está bastante indefinido. O eleitor poderá optar por nomes conhecidos, como Ivo Cassol ou totalmente desconhecidos, como Marcos Pereira. O mais importante é que o próximo governador tenha um projeto claro sobre os rumos que Rondônia deverá tomar a partir de 2019. O Estado precisa, depois dessa bagunça deixada pela atual gestão.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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