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Copiloto do Airbus agiu deliberadamente para derrubar o avião

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Sozinho na cabine de comando, o copiloto do Airbus A320 ativou os controles para fazer o avião descer até se chocar contra uma cadeia de montanhas dos Alpes franceses, disse nesta quinta-feira o promotor que investiga o acidente. O voo 4U-9525 partiu nesta terça-feira de Barcelona, na Espanha, com destino a Dusseldorf, na Alemanha, e caiu cerca de uma hora após a decolagem, deixando 150 mortos.

Segundo o promotor Brice Robin, o copiloto Andreas Lubitz trancou o piloto do lado de fora do cockpit e iniciou o procedimento de descida da aeronave “por uma razão que não temos nenhuma ideia, mas que pode ser vista como um desejo de destruir o avião”. Segundo o jornal Le Monde, Robin afirmou que as investigações agora irão se concentrar na análise de personalidade do copiloto. Lubitz é alemão e não era suspeito, até então, de ter ligação com nenhuma organização terrorista. O copiloto tinha 28 anos e estava na Germanwings desde 2013, contabilizando mais de 600 horas de voo em Airbus.

Nos primeiros 20 minutos de voo, de acordo com o promotor, o copiloto manteve uma conversa “normal e cortês” com o comandante. Depois se escuta o comandante repassar o procedimento de aterrissagem em Dusseldorf e o copiloto respondendo de forma “lacônica”. Posteriormente, o comandante pede para o copiloto assumir o comando do avião, provavelmente para ir ao banheiro, e em seguida é possível escutar o movimento de uma das poltronas e uma porta que se fecha. Nesse momento, quando o copiloto já está sozinho na cabine, ele aciona o sistema de descenso e não fala mais nada. Robin acrescentou que as vítimas não se deram conta do que ocorria até o último momento, porque na gravação não foram ouvidos gritos até pouco antes do impacto.

Questionado se o copiloto poderia ter sofrido algum mal súbito no momento em que o piloto estava do lado de fora da cabine de comando, o promotor respondeu que “em princípio não”, acrescentando que sua respiração captada pelos microfones não é condizente com a de um homem sofrendo um ataque cardíaco. Nos minutos finais do voo, os alarmes de alerta soaram informando que o avião se aproximava do solo em alta velocidade; os sons foram captados pela gravação, mas o copiloto permaneceu em silêncio. O avião não respondeu aos chamados dos controladores de tráfego aéreo e não emitiu um pedido de socorro antes de cair, acrescentou Robin. A aeronave desceu durante aproximadamente oito minutos, a partir de uma altura de cruzeiro, de 38.000 pés (mais de 11.500 metros), até o impacto com o solo, a uma velocidade de mais 700 km/h.

Nesta quarta, o jornal The New York Times revelou que o piloto deixou a cabine de comando antes de o avião perder altitude e não conseguiu voltar ao cockpit. A informação surgiu a partir de dados do registro de voz. “O homem do lado de fora está batendo na porta, sem resposta. E então, ele começa a bater com mais força, ainda sem conseguir uma resposta. A resposta nunca vem”, disse a fonte, segundo o jornal. “Dá para ouvir que ele está esmurrando a porta”, acrescentou.

11 de Setembro – Após os atentados de 11 de Setembro de 2001, os Estados Unidos sugeriram alterações nas cabines de comando dos aviões comerciais, reporta o Le Monde. Para evitar a entrada de estranhos nos cockpits, os compartimentos passaram a contar com portas mais seguras, blindadas, que podem ser travadas a partir do interior. Foi uma dessas portas que impediu a entrada do piloto na cabine do comando do voo 4U-9525.

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