Correção do FGTS vai encarecer o financiamento imobiliário

Projeto do FGTS aprovado pela Câmara é o “pior cenário” para construtoras

O projeto de lei proposto pela Câmara dos Deputados que reajusta os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pode ser visto como o “pior cenário” para as construtoras brasileiras, avalia a equipe de análise do BTG Pactual em relatório divulgado hoje (19).

Os analistas Gustavo Cambauva e Joao Salgado ponderam que o texto ainda precisa passar pelas sanções do Senado e da presidente Dilma Rousseff, mas observam que ambos têm reiterado o apoio ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que tem o FGTS como fonte subsidiada de financiamento.

“Seguindo o projeto de lei aprovado ontem, o FGTS provavelmente terá de aumentar a taxa dos seus empréstimos, tornando assim mais difícil para os compradores de casas se adaptarem aos novos critérios”, afirmam.

Impacto

O texto aprovado ontem estabelece que os reajustes para os novos depósitos do FGTS serão escalonados nos próximos quatro anos: 4% mais Taxa Refencial (TR) em 2016, 4,75% mais TR em 2017, 5,5% mais TR em 2018 e 6% mais TR em 2019. Os depósitos feitos até o fim deste ano continuam sendo reajustados pelas regras atuais.

O BTG acredita que, no curto prazo, o impacto é insignificante, mas “muito relevante” a partir de 2018. Na opinião deles, as mudanças aprovadas são muito mais suaves do que o inicialmente esperado, uma vez que: (1) o aumento da remuneração FGTS vai ocorrer de forma escalonada, ao longo de um período de 4 anos; e (2) a utilização de 60% dos lucros do FGTS no programa MCMV também mitiga os impactos das mudanças de remuneração.

“Assim, no curto prazo, o impacto das mudanças de remuneração do FGTS pode não ser tão relevante. Mas, a longo prazo (a partir de 2018 em diante), pode ser muito negativo para as construtoras de baixa renda (MRV, Gafisa e Direcional), uma vez que aumenta de forma significativa (30%) os pagamentos médios de hipotecas, reduzindo assim a elegibilidade dos indivíduos para financiamento”, avaliam.

Reportagem de Thaís Folego – O Financista

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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