A corrupção sem fim no Brasil – Daiane Fernandes Nabuco e Douglas Saporito

E, agora, além da Petrobrás, descortinou-se o pagamento de propina para a construção de estádios da Copa de 2014, estações de metrô e outras grandes obras de infraestrutura

O mundo acompanha pelos jornais, televisão e internet o esfacelamento da democracia brasileira, afundando com a total corrupção, escancarada nas investigações da Operação Lava Jato. Inclusive, pela primeira vez, os brasileiros acreditam que o principal mal do País é a corrupção.

A falta de integridade de uma nação está ligada aos problemas devastadores como o subdesenvolvimento humano, tráfico de pessoas e animais silvestres, destruição ambiental, ineficiência progressiva do sistema político e econômico, entre outras mazelas que, no extremo, colaboram para o enfraquecimento da democracia.

A corrupção é tema constante. E a perspectiva de melhora parece ser quase nula, pelos menos, nos próximos anos. A Operação Lava Jato, por exemplo, está em sua 26ª fase. E, agora, além da Petrobrás, descortinou-se o pagamento de propina para a construção de estádios da Copa de 2014, estações de metrô e outras grandes obras de infraestrutura.

É, sem dúvida, uma das maiores ou, senão, a maior crise moral e política de nossa história. Os protestos em todo o País, principalmente, o do dia 13 de Março, são o reflexo deste cenário, juntamente com a polarização dos brasileiros, divididos entre “coxinhas” e “petralhas”.

Em meio às consequências negativas dos atos nefastos de corrupção que envolveram a maior estatal brasileira, o Brasil convive com a triste realidade de figurar entre os países com alto grau de percepção de corrupção, o que se observa no relatório divulgado em janeiro deste ano pela organização Transparência Internacional (TI), sobre o Índice de Percepção de Corrupção no setor público em todo o mundo. O relatório é elaborado de acordo com a opinião de especialistas no assunto, distribuídos em mais de 100 países do globo, incluindo o Brasil.

A Percepção de Corrupção é medida anualmente em índice com escala de zero (0) a cem (100) pontos. Neste sentido, quanto menor o número de pontos apresentado pelo país, maior é a sua percepção de corrupção, ao passo que quanto maior o número de pontuação, mais “limpo” este é considerado. O Brasil figura na “primeira divisão” da corrupção mundial, ou seja, no grupo de países considerados com sérios problemas de corrupção, com um índice pífio de 38 pontos, ante a 43 atingidos no ano anterior.

De acordo com o relatório elaborado para o ano de 2015, a percepção de corrupção do país do futebol (título também obsoleto) é maior do que a média de países do norte da África, que possuem condições sociais muito mais frágeis e propícias para a corrupção. A média destes países ficou em 39 pontos.

Sobre o grupo de países que possuem sérios problemas de corrupção, de acordo com o relatório da TI, esses representam:

·         Dois terços dos países analisados;

·         53% dos países que compõem o G20;

·         100% dos países do BRICS;

Outro dado alarmante divulgado no relatório é que nenhum dos 168 países avaliados demonstraram 100% de imunidade à corrupção, e que mais de 6 bilhões de pessoas vivem em países com sérios problemas de corrupção.

Além da Lei Anticorrupção 12.846, promulgada em 2013, ainda há muito que se fazer. Os governantes precisam agir para criar outros mecanismos que permitam garantir que o poder judiciário brasileiro fique longe de influências políticas, e mais, colaborar com atos de cooperação para a aplicação da lei para impedir os corruptos que se escondem por meio de manobras políticas sem precedentes.

Desta forma, é possível ver uma luz no fim do túnel, porque no momento, além de uma pátria educadora, o que precisamos é de uma pátria com a alma lavada de impunidades, pois nossos filhos serão reflexos de nossa era. 

Daiane Fernandes Nabuco é Director da FTI Consulting Brasil

Douglas Saporito é Associate Director da FTI Consulting

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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