Cresce demanda por ensino de mandarim no Brasil

É impossível deixar de considerar a China quando se pensa na escolha do segundo idioma, ideal para encaminhar carreiras.

Um bilhão e meio de habitantes – praticamente um a cada cinco dos 7,6 milhões de seres humanos da Terra. O segundo Produto Interno Bruto do mundo, US$ 14 trilhões, seis vezes e meia o brasileiro e atrás apenas dos R$ 20,4 trilhões americanos, mas carimbado para ser o líder entre 2040 e 2050 graças a crescimentos anuais de humilhar a concorrência, muitas vezes superiores a 10%.

A política de exportação, investimentos e negócios mais agressiva do planeta e o maior parceiro comercial do Brasil, que é também o destino principal de investimentos deste país na América Latina. É impossível deixar de considerar a China quando se pensa na escolha do segundo idioma ideal para encaminhar carreiras.

Por isso, as matrículas nos cursos de mandarim crescem por aqui a ritmo de PIB chinês. “Apesar do aumento do interesse, o curso regular ainda não é oferecido em volume suficiente para dar conta da demanda. Até por essa razão, o potencial de crescimento é muito grande. A grande dificuldade é encontrar professores qualificados no Brasil”, radiografa Luis Antônio Paulino, professor, doutor em Ciência Econômica e diretor do Instituto Confúcio na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A unidade paulista faz parte de uma rede sem fins lucrativos de mais de 600 institutos em 140 países. A matriz fica em Pequim. O objetivo é dar acesso ao chinês a quem tiver interesse. O Confúcio de São Paulo foi criado em 2008. Desde então, atendeu 11 mil pessoas, entre alunos da própria Unesp, de outras universidades, estudantes de escolas públicas e integrantes da comunidade. Hoje, tem pontos de atendimento em onze cidades paulistas: Presidente Prudente, Assis, Marília, São José do Rio Preto, Jaboticabal, Araraquara, Botucatu, Guaratinguetá, São José dos Campos, São Vicente e São Paulo. Atualmente, o Confúcio está instalado também no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Pernambuco, Ceará, Maranhão e Pará.

Nos primeiros anos de crescimento da procura pelo mandarim, os cursos eram ocupados apenas por adultos com interesses na China e jovens dispostos a se relacionar com o país. Nos últimos anos, o ensino do mandarim passou a despertar também o interesse de crianças e adolescentes. Colégios tradicionais, como os paulistanos Dante Alighieri e o São Bento, decidiram oferecer cursos opcionais. Gestores de cursos particulares viram as matrículas dobrarem de um ano para o outro entre 2008 e o período mais crítico da crise. Mesmo em meio ao aperto econômico a procura cresceu em índices robustos.

Em fevereiro de 2015, a primeira escola bilíngue chinesa do Estado do Rio de Janeiro foi aberta em Niterói com apoio do governo chinês. A ideia era abrigar inicialmente 72 alunos em turno integral. Mais de 700 jovens disputaram as vagas. Em Cotia, região metropolitana de São Paulo, o colégio de orientação budista Sidarta, uma das poucas escolas paulistas que oferecem mandarim em cursos regulares, é, apesar do alto preço das mensalidades, sonho de consumo de famílias de classe média para a educação de seus filhos na rica região da Granja Vianna.

Bolsas de mandarim

Na China, há centenas de dialetos locais além da língua oficial, o mandarim, chamado de dialeto de Pequim desde o período imperial, ensinado nas escolas do país e pelo Confúcio. É a língua padrão, que utiliza o sistema simplificado de caracteres introduzido em 1949 depois da Revolução Chinesa. Embora a grafia dos dialetos seja a mesma em todos os locais, a pronúncia e o sotaque são completamente diferentes. Uma palavra pode ter até quatro significados, e eles mudam com a entonação com a qual ela é dita. Um morador de Pequim não entende o dialeto de Xangai, que por sua vez não compreende o de Cantão e assim por diante. A língua da união – e consequentemente, dos negócios – é o mandarim.

Nas unidades do Confúcio, o curso é dividido nos níveis básico, intermediário e avançado. Cada um é composto de três módulos semestrais de 50 horas. Para completar o processo, é preciso estudar por quatro anos e meio. Neste período, são oferecidas oportunidades de intercâmbio na China, entre elas um curso de verão de três semanas na Universidade de Hubei, em Wuhan, na China, origem de 22 dos 23 professores do Confúcio paulista (o outro é brasileiro). A única despesa do aluno é com as passagens aéreas. Todo o restante (curso, alojamento, alimentação, passeios culturais) é coberto com uma bolsa do Instituto. Há também bolsas de estudos na China para períodos de seis meses, um ano e dois anos, essa última para mestrado. O preço atual do curso é de R$ 700,00 por semestre. Alunos de escolas públicas não pagam taxas.

Painel Político, principal fonte de informações políticas de Rondônia. Com noticiário completo sobre economia, variedades e cultura.

Participe do debate. Deixe seu comentário