Crise na PM do Espírito Santo fecha batalhões e deixa cidades sem policiamento

Batalhões continuam bloqueados e policiais ficam fora das ruas até segunda

O movimento de mulheres, parentes e amigos de militares que deixou o Espírito Santo sem policiamento nas ruas no sábado (04) deve continuar até segunda-feira (06), com bloqueio da saída de viaturas dos batalhões.

Na segunda, acontece a reunião entre a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e os manifestantes, que reivindicam principalmente melhores salários e condições de trabalho. A negociação está marcada para às 13 horas, no Palácio Anchieta.

Uma tentativa de negociação entre as esposas dos militares e o secretário de Segurança, André Garcia, foi feita ontem, mas sem resultados. “Tentaram empurrar a gente com a barriga. Todos os batalhões vão continuar fechados até segunda”, disse a enfermeira Leide Rodrigues, 45, casada há 30 com um militar.

“Não chegamos a um acordo porque quem estava ali não tinha poder de decisão. E as esposas dos policiais vão manter o movimento”, completou o major Rogério Fernandes Lima, presidente da Associação de Oficiais Militares do Espírito Santo (Assomes), que também partipou da reunião de ontem.

Pedidos

Ontem, o Estado começou o dia sem patrulhamento. Familiares, principalmente as esposas dos PMs, impediram a saída das viaturas dos batalhões.

Na Serra, as ocupações aconteceram nas Companhias de polícia, onde os militares pegam o serviço. Na frente do 1º BPM, cerca de 30 pessoas ocuparam a porta. As viaturas podiam somente entrar no local, assim como ficou definido nos outros batalhões.

Com cartazes e pedidos de valorização à categoria, os parentes dos PMs entoavam gritos contra o Governo, que foi pego de surpresa pela movimentação, iniciada em Feu Rosa, na Serra, na última sexta-feira.

Em Vila Velha, a porta do 4º Batalhão foi o local com maior aglomeração entre os protestos da Grande Vitória. Cerca de 90 pessoas estavam no local pela manhã. A grande movimentação se estendeu ao longo do dia. No local, havia até um sanfoneiro e os manifestantes improvisaram até um churrasco.

Em Cariacica, na entrada do 7º BPM, cerca de 30 pessoas participaram do protesto. A aglomeração, ao longo do dia, na porta do Batalhão de Missões Especiais (BME) e do Quartel Central General (QCG) era um pouco menor, com cerca de 15 pessoas em cada.

À tarde, a entrada da sede do Corpo de Bombeiros, na Enseada do Suá, em Vitória, também foi bloqueada pelos manifestantes.

De acordo com o Código Penal Militar, os policiais são proibidos de protestar, fazer greve ou paralisação. A pena para o PM que tomar parte em atos desse tipo pode chegar a dois anos de prisão. Por isso, o movimento é organizado pelos familiares e mulheres dos militares.

Elas reivindicam reajuste salarial, o pagamento de auxílio-alimentação, periculosidade, insalubridade e adicional noturno. “Eles estão sete anos sem aumento e três sem reajuste”, relata a esposa de um militar, uma das que ajudaram a bloquear a saída do Quartel da PM, em Maruípe. Elas denunciam também a frota sucateada e a falta de perspectiva de carreira.

Ali e outros batalhões, os familiares fazem turno e garantem que não irão desistir. “Estamos nos revezando. Não vamos desistir”, afirmou uma manifestante de 41 anos, casada há 23 com militar.

Com informações de A Gazeta (ES)

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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