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Crise nas UPA’s aumenta e soro fisiológico começa faltar a pacientes de Porto Velho

Pacientes dizem que esperam até seis horas por atendimentos simples. Devido a superlotação, pacientes são classificados por grau de risco.

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Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) voltaram a reclamar da demora e da precariedade no atendimento médico nos prontos-socorros e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s), em Porto Velho. Na tarde desta terça-feira (17), o G1 visitou duas UPA’s, conversou com pacientes e gestores das unidades e descobriu que até soro fisiológico está faltando aos pacientes.

Na UPA da Zona Leste, por exemplo, além da superlotação, que gera demora em atendimentos considerados menos graves, um consultório está fechado porque, pois no andar de cima há uma pia entupida que está causando infiltração, comprometendo a sala do andar de baixo.

A crise é tanta que falta até soro fisiológico na unidade, segundo afirmou a diretora Rafaela Castiel de Carvalho.

Na Upa da Zona Sul, a superlotação também existe: cada médico chega a atender 200 pessoas por plantão.

O consultório odontológico da unidade está funcionando apenas para prescrição de medicamento, porque, segundo o dentista, o aparelho onde são feitos os procedimentos odontológicos está quebrado há quase um mês.

“Até o ar-condicionado, que estava com problema, só voltou a funcionar porque pagamos do próprio bolso”, reclamou a servidora.

Upa da Zona Leste também está com corpo de profissionais reduzido (Foto: Toni Francis/G1)

Segundo funcionários da UPA Sul, a demora no atendimento foi agravada pela saída de três médicos e uma das médicas que continua trabalhando está de atestado devido a gravidez.

“Hoje (terça-feira) temos três médicos, sendo dois nos casos médios e um na sala vermelha, onde são recepcionados casos graves”, disse uma funcionária.

Outra reclamação, esta feita pelos gestores da UPA Sul, é com relação ao estacionamento usado por ambulâncias e pelo caminhão de oxigênio que quase sempre está obstruído por carros particulares.

“Havia placas sinalizando a proibição de estacionamento, mas até a sinalização sumiu”, dizem funcionários da unidade.

Fila longa de pacientes

Sem saber o porquê de tanta demora no atendimento, acometido de uma forte gripe, o pequeno Miguel, de 3 anos, chorava no colo da mãe, a autônoma Myrla do Nascimento.

O pequeno Miguel, de 3 anos, e a mãe, Myrla do Nascimento, reclamaram da demora no atendimento na UPA Sul (Foto: Toni Francis/G1)

“A última vez que o trouxe, ele foi classificado com prioridade amarela. Esperei três horas e hoje ele está como prioridade verde, o que deve dobrar o tempo de espera”, lamentou a mãe ao perceber que, só na prioridade verde, fora as amarelas, havia 30 pessoas na frente.

“Qualquer coisa vou embora para alimentar ele e depois retorno”, comentou, achando uma solução para driblar o stress da espera.

Com pressão alta, em busca de um simples consulta, Valdecy Soares foi um dos pacientes que se irritou com a demora na atenção médica.

“Na segunda-feira, 16, fui à UPA Leste, mas não consegui ser atendido, hoje (terça-feira) já estou esperando há três horas e nem sinal de ser atendido. Os pacientes de classificação verdes não são atendidos”, disse em tom de revolta. Segundo ele, a saída para driblar a falta de médico seria a contratação emergencial de profissionais.

Com carência de profissionais médicos desde início do ano, a UPA Leste chega a atender 480 pessoas por dia, mas, segundo a diretora, a falta de remédios tem preocupado ainda mais que a falta de pessoal.

“Remédios para pacientes graves, como o Captopril (usado no controle da pressão), estão em falta”, salientou a diretora.

Valdecy Soares procurava atendimento na UPA Sul depois de, segundo ele, ser ignorado na Upa Leste (Foto: Toni Francis/G1)

Outro lado

G1 entrou em contato com o departamento que cuida das unidades de saúde do Município, da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa).

Um funcionário disse que 25 médicos do último concurso foram chamados para recompor o quadro, mas que 18 serão lotados na Policlínica José Adelino, no Ulisses Guimarães.

“Os demais serão distribuídos entre as UPA’s e unidades básicas de saúde”, informou o servidor público.

Segundo o agente público, o Município está impossibilitado de fazer um novo concurso devido a Lei de Responsabilidade Fical.

Sobre a manutenção de ar-condicionado e dos prédios, o servidor explicou que há empresas contratadas para cuidar do assunto, mas que elas trabalham dentro de um cronograma de atuação.

Questionado sobre a interdição do consultório da UPA Leste, devido a uma pia entupida, o servidor do Município disse que o problema é na encanação e que para os reparos a Semusa tem que conseguir verba por meio de emenda parlamentar.

“O engenheiro já está montando o projeto para que a verba seja requerida”, afirmou. 

Fila de espera só aumenta nas duas UPA’s de Porto Velho (Foto: Toni Francis/G1)

Fonte: g1

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