A delação de Palocci e o fim da vitimização de Lula

A narrativa de Lula e do PT em relação às delações da Lava Jato está prestes a sofrer um golpe definitivo.

Caso se confirme a delação do ex-ministro Antonio Palocci, que já estaria em processo final de negociação com Ministério Público Federal em Curitiba, será a primeira vez que um tubarão do PT reconhecerá publicamente as falcatruas cometidas por Lula e pelo partido desde o mensalão, que veio à tona em 2005, 12 anos atrás.

Se a delação de Palocci se tornar mesmo realidade, reconfirmando as denúncias já feitas por dezenas de testemunhas e cúmplices dos malfeitos de Lula e de seus aliados, ela será um divisor de águas para Lula e o PT.

Depois da delação de Palocci, que conhece as entranhas do PT e as manobras de Lula como poucos, não vai dar mais para sustentar o discurso segundo o qual os delatores arrolados nos processos contra o ex-presidente são “mentirosos” e só ele fala a verdade.

Vai ficar difícil também argumentar que Lula mal conhecia Palocci, o Italiano nas planilhas de propina da Odebrecht, e que ele “não sabia de nada” do que Palocci fazia por aí em seu nome e em nome do partido.

Será complicado insistir na tecla surrada de que petistas condenados pela Justiça, como o ex-ministro José Dirceu, são “guerreiros do povo brasileiro” que tombaram não pelos crimes que cometeram, mas pela perseguição política implacável que teriam sofrido por parte “dazelite”, inconformadas com a ascensão do PT ao poder.

Se a delação de Palocci ainda for reforçada pela de outro tubarão petista, o ex-ministro Guido Mantega, que teria desempenhado o mesmo papel de achacador-mor do PT no governo Dilma, aí, então, é que não sobrará pedra sobre pedra mesmo. Mas, na verdade, só a delação de Palocci será um tsunami devastador para Lula e o PT. Só ela já bastará.

A única vantagem que uma eventual delação de Mantega trará, além de funcionar como uma espécie de “pá de cal” no PT, é que ela destruirá o mito, no qual só as milícias petistas ainda acreditam, de que Dilma era uma “santa” que nada sabia sobre a bandalheira que rolava solta na Petrobras e em outras estatais e que não teve qualquer responsabilidade na compra criminosa da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Mesmo levando em conta que a delação de Palocci deverá implicar grandes bancos e empresas no propinoduto petista, é provável que  ela provoque também um estrago considerável junto às milícias do PT, que ainda encontram forças para divulgar a narrativa de Lula e do partido nas trincheiras das redes sociais, apesar de eles se recusarem a fazer a autocrítica de seus crimes.

As informações são do blog do Fucs / O Estado de S. Paulo

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