Delatores da JBS não estão livres das justiças estaduais

Apesar de acordo de leniência com MPF, eles podem ser processados nos estados

Brasília – O Procurador Geral da República não tem competência para negociar delação premiada em relação a crimes de competência da justiça estadual. Para que isso ocorra, a PGR precisa da anuência dos Procuradores estaduais.

PAINEL POLÍTICO ouviu neste domingo especialistas que informaram que o acordo de leniência dos executivos da JBS os livram apenas dos crimes cometidos em esfera federal. Eles podem ser denunciados pelos ministérios públicos estaduais e em pelo menos dois estados, Rondônia e Mato Grosso, eles cometeram crimes como sonegação fiscal e corrupção. Há notícias também de crimes tributários em outros Estados.

Portanto, de posse dessas denúncias, as autoridades dos Ministérios Públicos estaduais podem iniciar investigações e denunciá-los por esses crimes de competências estaduais, onde serão julgados pela justiça local de cada Estado em que foram cometidos os crimes.

Os executivos da JBS, incluindo os irmãos Joesley e Wesley fizeram um acordo com a União que os isentou completamente de qualquer punição em esfera federal e vão pagar em 10 anos, uma multa considerada irrisória, de apenas R$ 110 milhões. Após a delação, eles se mudaram para os EUA onde acompanham a crise política no Brasil.

Após sair do País, segundo amigos, os Batista seguiram para uma propriedade da família em Greeley, no estado do Colorado, pertinho da sede da JBS nos EUA, onde fatura US$20 bi (R$66 bilhões) ao ano.

Em princípio, o clã Batista vai viver entre o Colorado, novo local de residência, e Miami (Flórida), para compras e passeios de iate.

Dias antes de explodir a delação-bomba, a família fez festa de despedida em um churrasco regado a champanhe. Só para rapazes.

A JBS iniciou a operação nos Estados Unidos em 2007, após a compra da Swift & Company, financiada pelo BNDES. Custou US$1,5 bilhão.

Joesley tem apartamento no Olympic Tower, em Nova York, que foi do publicitário Nizan Guanaes. Estaria avaliado hoje em US$30 milhões.

 

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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