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Depoimento indica participação de mais PMs no caso Amarildo

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O procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Martins Vieira, afirmou, nesta segunda-feira (14), que o Ministério Público deve denunciar outros policiais por envolvimento no desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza no dia 14 de julho na favela da Rocinha, na Zona Sul. Dez policiais militares já foram denunciados e estão presos por participação no caso.
De acordo com o procurador, o depoimento de um policial na madrugada desta segunda a promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) indica a participação de mais PMs no crime. Marfan Vieira não quis, no entanto, dar detalhes do depoimento do policial cuja identidade é mantida sob sigilo.
“Os promotores do Gaeco ouviram na madrugada esse policial e ele, então, teria narrado com detalhes o que teria ocorrido com o Amarildo e esse depoimento, ao que tudo indica, implica outras pessoas, além daquelas que já estão denunciadas, o que determinaria a necessidade de um aditamento da denúncia que já está na 35ª Vara Criminal”, disse o procurador-geral de Justiça em entrevista à rádio CBN.
Novas imagens
A Polícia Civil do Rio divulgou neste sábado (12) imagens das buscas feitas pelo corpo do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde 14 de julho, na Rocinha, Zona Sul da cidade. Elas mostram os agentes mergulhando em dois reservatórios de água que ficam no alto da Rocinha. Trinta e cinco policiais da Divisão de Homicídios, em conjunto com o Corpo de Bombeiros, participaram da operação, realizada na sexta-feira (11), que terminou sem sucesso.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) foi designado pelo procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira, para acompanhar os desdobramentos do caso Amarildo junto à Justiça.

Buscas sem êxito
Agentes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros encerraram, sem êxito, as buscas desta sexta-feira (11) pelo corpo de Amarildo de Souza. A operação foi realizada em duas represas próximas à base da UPP na comunidade, onde ele foi visto pela última vez e, segundo inquérito, teria sido torturado até a morte.

Delegada Ellen Souto, responsável pelo inquérito: 'Não desistiremos enquanto houver informações sobre o paradeiro' (Foto: Gabriel Barreira/G1)
Delegada Ellen Souto, responsável pelo inquérito:
‘Não desistiremos enquanto houver informações
sobre o paradeiro’ (Foto: Gabriel Barreira/G1)

Bombeiros chegaram a mergulhar nas represas do Laboriaux e Dioneia, que foram apontadas por moradores como possíveis paradeiros. Foi a terceira busca da Polícia Civil e não há previsão para uma nova procura. “Não desistiremos enquanto houver informações sobre o paradeiro”, disse a delegada do inquérito Ellen Souto.
Ao todo, 70 pessoas participaram da operação entre policiais e bombeiros. A primeira vistoria aconteceu na represa Laborioux, cujos seis metros de profundidade foram esvaziados. Depois, os agentes foram até o reservatório da Dioneia, que não chegou a ser evacuada. No total, foram cerca de 5 horas de busca.
Detalhes do inquérito
A DH deu detalhes, na sexta-feira (4), sobre o inquérito que indiciou e pediu a prisão de dez PMs no caso do desaparecimento de Amarildo. Segundo uma testemunha, durante a abordagem dos policiais no bar da Rocinha, onde o ajudante de pedreiro foi visto pela última vez antes de entrar no carro rumo à UPP, um dos PMs teria dito: “Boi, perdeu, chegou a sua hora”.
“Boi” era o apelido de Amarildo e a frase teria sido dita por Douglas Roberto Vital Machado, um dos 10 PM presos — todos já se apresentaram após a prisão preventiva decretada —, e um telefonema de um informante, segundo a delegada Ellen Souto, responsável pelo inquérito. Depois da abordagem, ele entrou no carro da PM e não foi mais encontrado. Após mais de dois meses, seu corpo também não foi achado. Oito necrópsias já foram realizadas, em todo o estado, para verificar se cadáveres eram dele.
“Nós comprovamos o motivo pelo qual que ele [Amarildo] seria levado à sede da UPP. Seria para fornecer informações sobre drogas e armas, principalmente armas, já que havia a informação de que ele teria a chave do paiol de armas”, explicou a delegada Ellen Souto.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, Amarildo morreu após ser submetido a uma sessão de tortura. A delegada revela ainda que foram ouvidas 22 vítimas da violência de policiais da UPP Rocinha. De acordo com Ellen, os depoimentos narram com detalhes a forma de agir da tropa do major Edson Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha. “Eles relatam que as torturas sofridas foram sempre com o objetivo de informações de drogas e armas. Todos contaram que foram submetidos a choques elétricos com o corpo molhado e ingeriram cera líquida.”

 

Fonte: G1

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