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Deputados apostam na impunidade depois de escândalo de corrupção

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Com a largada da campanha eleitoral, 6 deputados estaduais envolvidos diretamente em escândalos de corrupção já estão nas ruas pedindo uma nova chance para permanecer na Assembleia Legislativa. Dos 24 parlamentares, dois estão impedidos pela Justiça de concorrer, mas lançaram seus parentes. É o caso de Marcos Donadon (PMDB), cumprindo pena de 8 anos por corrupção, e Kaká Mendonça (PTB) que caiu no rol da ficha limpa. Rosângela Donadon representa o marido e a mãe de Kaká, Maria Madalena Gerolomo de Mendonça, tenta conquistar a vaga do filho na Assembleia.

A exceção da deputada afastada Ana da 8 (PT do B-Mamoré), os outros 5 deputados estaduais envolvidos em escândalos de corrupção são de Porto Velho. Claudio Carvalho (PT) foi punido com dois meses de afastamento do Parlamento, acusado de integrar a suposta quadrilha liderada por Fernando Braga e Alberto Siqueira desbaratada na Operação Apocalipse. Claudio contratou a esposa de Fernando, Andreia Argemiro de Macedo Braga, para trabalhar em seu gabinete. Ela recebia mensalmente R$ 7.150,00 mas nunca apareceu no gabinete, já que residia em Natal (RN).

Epifânia Barbosa (PT) pediu delação premiada à Polícia Federal e confessou ter pego R$ 60 mil do ex-deputado Valter Araújo, preso no sistema penitenciário de Rondônia, acusado de desviar dinheiro público e homicídio. Ela diz que pegou o dinheiro, mas depois devolveu. A PF, no entanto, só tem provas da entrega do valor, mas não da devolução. Veja o que diz trecho do inquérito. “…VALTER ARAÚJO GONÇALVES, em unidade de desígnio com ÉDERSON SOUZA BONFA, e utili¬zando-se do concurso deste último, OFERECEU à Deputada Estadual EPIFÂNIA BARBOSA DA SILVA vantagem indevida, representada pela importância de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), para determiná-la a praticar ato de ofício, qual seja, vo¬tar projetos de lei de acordo com os interesses do denuncia¬do VALTER ARAÚJO. … Em resposta, ÉDERSON disse que ela ficou assustada. Todavia, a Deputada EPIFÂNIA BARBOSA no dia 13 de junho de 2011, foi ao gabinete do denunciado VALTER ARAÚJO, na Assembleia Legislativa deste Estado, oportunidade em que lhe restituiu a importância de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) que anteriormente lhe foi oferecida”. O dinheiro, segundo a peça inquisitória, foi recebido, segundo os diálogos, mas só a palavra da parlamentar bastou para comprovar que ela teria restituído a importância.

Justiça aceita as denúncias contra Zequinha Araújo e Jean Oliveira

O Tribunal de Justiça de Rondônia aceitou as denúncias enviadas pelo Ministério Público contra os deputados estaduais Jean de Oliveira (PSDB) e Zequinha Araújo (PMDB). Os dois foram acusados de receber propina do esquema corrupto do ex-deputado Valter Araújo em troca de apoio na Assembleia Legislativa. Valter mantinha poder sobre esses parlamentares para poder barganhar seus contratos junto ao Governo Confúcio Moura. Em troca, dava uma mesada a esses deputados. Em certa ocasião, um dos emissários, Rafael Santos Costa, chegou a brincar sobre Zequinha em escuta telefônica da Polícia Federal, mandando ele guardar o dinheiro na meia, já que na cueca já tinha sido usada no esquema semelhante na Câmara de Vereadores de Porto Velho. Jean Oliveira (PSDB) também recebia propina, segundo a denuncia do MP, para votar nos interesses de Valter Araújo. Os dois foram flagrados em conversas com emissários de Valter na Operação Termópilas. No caso de Jean, a propina teria sido entregue na casa da mãe do deputado, no dia 11 de julho de 2011, em Porto Velho, também pelo corruptor Rafael Santos Costa.

Flávio Lemos: “Tô com saudade do menino Rafael”

O deputado estadual Flávio Lemos (PR), que responde a acusação de reter salário de uma assessora comissionada na Câmara de Porto Velho, também fazia parte da folha de pagamento do ex-deputado Valter Araújo. Ele também busca um novo mandato nestas eleições, apostando na memória fraca do eleitor. Nos diálogos interceptados pela Polícia Federal, Flávio Lemos solta a seguinte pérola: “… Dinheiro e hemorroida ninguém fala que tem. Eu só tô com hemorroida falta o outro. Tô com saudade do seu menino rafa (Rafael Costa, assessor de Valter e apontado pelas investigações como pagador de propinas)”. Na época, Flávio Lemos teve o mandato suspenso por 30 dias pela comissão processante da Assembleia Legislativa que cassou o mandato de Valter Araújo.

Dos envolvidos na Operação Termópilas, até agora apenas Valter Araújo continua preso. Ele não conseguiu relaxamento da prisão nos tribunais superiores. Da cadeia, ele depôs sobre outros pagamentos de propinas envolvendo votações na Assembleia Legislativa, que estão em fase de investigação no Ministério Público Federal. No processo, o ex-deputado revela que autoridades do Governo de Rondônia também estão envolvidos no recebimento de vantagens para aprovar uma Lei de isenção para os consórcios das usinas de Jirau e Santo Antônio.

Fonte: RONDONIAGORA

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