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Dilma aposta em Gurgacz e Cassol para reverter impeachment no Senado, diz jornal espanhol

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As (poucas) cartas de Dilma: negociar um plebiscito e forçar julgamento durante Jogos

O jornal espanhol El País, em sua edição brasileira fez uma análise sobre as chances de Dilma Rousseff retornar a presidência e informa que dois senadores de Rondônia estão na mira da presidente afastada. Enquanto o processo de impeachment de Dilma Rousseff avança no Senado rumo à votação final, a presidenta afastada tem poucas cartas na manga para tentar um último sprint para detê-lo. Rousseff poderia ela mesma comparecer na última quarta-feira na comissão especial do Senado que a investiga, mas mesmo fortalecida por uma perícia da Casa que diluiu ainda mais as acusações de que ela cometeu crime fiscal, ela decidiu não comparecer.

 

Inicialmente, Rousseff era esperada para fazer sua própria defesa, mas o cálculo da defesa mudou. “Essa comissão é de cartas marcadas. A presidenta vir aqui seria um desgaste desnecessário. Não vamos reverter o jogo na comissão, a nossa principal luta é no plenário”, disse um dos membros da tropa de choque da petista, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). A comissão especial do impeachment escuta há semanas defesa e acusação para só então ter um relatório final que será levado ao conjunto dos senadores que decidirão se ela deve perder definitivamente o mandato do qual está afastada desde 12 de maio. Para se salvar do impeachment, a petista precisa dos votos de 28 dos 81 senadores.

Enquanto seu advogado Cardozo preparava a peça que será apresentada à comissão, um grupo de senadores aliados da petista tenta convencer ao menos seis colegas a votarem contra o impeachment no processo que ocorrerá, pelo cronograma atual, na segunda quinzena de agosto. Uma das estratégias é a própria presidenta afastada declarar oficialmente que, caso retome o cargo, encamparia a ideia de que o país precisa de uma nova eleição e eleger um presidente-tampão até 2018. A reportagem apurou que os alvos preferenciais do assédio dilmista nesse momento são os seguintes parlamentares: Cristóvam Buarque (PPS-DF), José Reguffe (Sem partido-DF), Dario Berger (PMDB-SC), Acir Gurgacz (PDT-RO), Eduardo Braga (PMDB-AM) e Ivo Cassol (PP-RO).

O senador Acir Gurgacz chegou a participar de um jantar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira, em Brasília à convite do senador Roberto Requião, que busca compor uma frente dentro do senado para ajudar Dilma Rousseff. O senador de Rondônia é o que mais pende para apoiar o retorno da petista. Já Ivo Cassol está com seu julgamento parado no Supremo Tribunal Federal por causa de um pedido de vista do ministro Dias Toffoli, que tem fortes ligações com o Partido dos Trabalhadores.

 

Uma outra estratégia dos aliados de Rousseff será a de tentar antecipar o julgamento dela em uma semana. Previsto para ocorrer após o dia 22 de agosto, os dilmistas querem antecipá-lo para o dia 15. O motivo é que gostariam de aproveitar uma repercussão internacional que o tema teria pois entre os dias 3 e 21 de agosto cerca de 25.000 jornalistas do mundo inteiro estarão no Brasil para a cobertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. “Eles [os adversários] querem deixar para depois das Olimpíadas para que não haja uma denúncia internacional, se anteciparmos, podemos ter esse destaque fora do país ampliada”, analisou Lindbergh.

Vaquinha e entrevistas

Muitos senadores evitam declarar voto e a batalha da presidenta afastada não pode ser dada como perdida, mas, nas últimas duas semanas, seu inimigo no Planalto, Michel Temer, conseguiu algo de oxigênio. Não houve novos desdobramentos do escândalos de corrupção diretamente ligados a sua equipe – ele perdeu três ministros em dois meses – e Temer costurou acordos políticos importantes, como com os governadores. Mesmo com a mão aberta para gastos públicos, segue até agora com a simpatia do mercado financeiro.

É contra essa brisa frágil de estabilidade e normalidade que Rousseff luta como pode para manter viva a esperança de que pode voltar ao poder. Incomum para uma política outsidere bastante fechada fora de campanhas eleitorais: ela tem concedido várias entrevistas e viajado por todo o país para encontros com seus apoiadores. Nos 54 dias em que está afastada, ela já deu ao menos 17 entrevistas (foram desde rádios locais, como a Panorâmica da Paraíba, até a jornais e emissoras internacionais, como este EL PAÍS e a Al Jazeera), e esteve em ao menos 12 cidades para participar de atos em defesa de seu mandato. Na próxima sexta-feira, participará de atos no Estado de São Paulo.

As viagens chegaram a ficar ameaçadas com a decisão do Governo Temer de passar a cobrar para que ela usasse a aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Duas amigas da presidenta, que ficaram presas com ela durante a ditadura militar, iniciaram uma campanha de arrecadação de recursos na internet, uma espécie de vaquinha virtual, para pagar essas viagens. A expectativa inicial era de arrecadar 500.000 reais em 20 dias. O valor foi superado em menos de três. Até as 20h30 desta terça-feira, o sexto dia campanha, foram doados 663.104 reais por 10.082 apoiadores da presidenta.

As viagens de Rousseff e de parte de sua equipe de segurança a assessores ocorre em táxis-aéreos particulares. Até o julgamento do impeachment, a expectativa dela é que outras dezenas de deslocamentos e entrevistas ocorram. Um deles pode ser para o Rio, no dia 5 de agosto, quando ocorrerá a abertura das Olimpíadas. A decisão ainda não foi tomada, mas, se acontecer, haverá o constrangimento público, já que Temer também deverá estar na solenidade.

Painel Político com informações do El Pais

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