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Dilma escolheu codinome Iolanda em referência a mulher de Costa e Silva, ex-presidente na ditadura; veja suposto e-mail

Iolanda Barbosa Costa e Silva era a mulher do ex-presidente Costa e Silva. Foi por causa dela, de acordo com delação premiada de Mônica Moura, que a ex-presidente Dilma Rousseff escolheu o codinome Iolanda para o e-mail que usava para entrar em contato com o casal de marqueteiros formado por Mônica e por João Santana.

Segundo Mônica Moura, Dilma criou o endereço eletrônico [email protected] para ter um canal sigiloso de comunicação com o casal. E foi por meio dele que Dilma teria informado aos dois, à época fora do Brasil, que seriam presos quando retornassem. A prisão aconteceu no ano passado.

— Por que Iolanda? — questionou uma investigadora.

Email 2606iolanda@gmail.com, atribuído a ex-presidente Dilma Rousseff - Reprodução
Email [email protected], atribuído a ex-presidente Dilma Rousseff – Reprodução

— A gente ficou pensando, tinha que colocar o nome de alguém. Aí ela falou que era o nome da mulher do presidente Costa e Silva, alguma coisa assim. Ela inventou o nome, Iolanda, e a gente criou esse e-mail — disse Mônica.

A delatora disse ainda que a senha, para não esquecer, era o nome de alguém ligado a Dilma e o ano de nascimento dela, 47.

— Para não esquecer a gente colocou o nome de alguém que era ligado a ela e o número 47, que é o ano que ela nasceu — afirmou Mônica.

A defesa de Mônica fez um registro em cartório da existência de um e-mail fictício pelo qual ela se comunicaria com a ex-presidente. O registro foi feito em 13 de julho de 2016 em um cartório de Curitiba. O casal ainda estava preso nessa data. O documento do cartório foi anexado como prova do relato feito por Mônica.

Na página de rascunhos do e-mail aparecia uma mensagem dizendo: “Vamos visitar nosso amigo querido amanhã. Espero não ter nenhum espetáculo nos esperando. Acho que pode nos ajudar nisso né?”.

Mônica afirma que essa mensagem foi escrita por ela quando deixou a República Dominicana para se entregar à Polícia Federal no Brasil. Dilma não teria lido a mensagem.

O registro em cartório foi usado ainda em relação a um e-mail que teria sido recebido pelo casal poucos dias antes de ter a prisão decretada. Mônica diz que salvou esta mensagem no computador para mostrar ao marido depois. O registro ficou em um arquivo Word em um computador de Mônica que ela deixou na República Dominicana. O equipamento foi entregue no âmbito da delação.

O texto da mensagem diz: “O seu grande amigo esta muito doente. Os médicos consideram que o risco é máximo, 10. O pior é que a esposa, que sempre tratou dele, agora está com câncer e com o mesmo risco. Os médicos acompanham os dois, dia e noite”. De acordo com a delatora, Dilma foi quem escreveu a mensagem, como forma de alertar o casal sobre o avanço das investigações. Este registro foi feito em 20 de maio de 2016 em São Paulo, com o casal ainda na prisão.

SEGUNDA CONTA DE E-MAIL

Mônica contou ainda que por insistência de Dilma foi criada uma segunda conta de e-mail para a comunicação entre elas.

— Ela falou: “vamos criar outro e-mail, não vamos usar sempre a mesma coisa que pode ser perigoso”. Aí nós criamos uma segunda conta. Ela achava que aquele e-mail já estava desgastado e alguém podia ver. Eu dizia pra ela: “presidente, esse e-mail ninguém pode detectar porque esse e-mail não circula, só se pegarem o seu computador ou o meu computador”. Aí ela ficou insistindo, insistindo e acabei fazendo. – disse a delatora.

Ela contou que as mensagens nesse e-mails eram sempre cifradas. A marqueteira afirmou que só foi possível recuperar um texto que seria escrito por Dilma no período próximo à prisão do casal porque o marido não estava na produtora e ela salvou o texto em um e-mail. O texto é o que há a descrição sobre um “amigo” que está muito doente e que a esposa que cuida dele também. Segundo o relato de Mônica, foi a forma como Dilma avisou que a investigação tinha chegado próximo a eles.

A relação de Dilma Rousseff com a ditadura é antiga. Ela participou da luta armada, chegou a ser presa e foi torturada durante o regime. Em discursos, a ex-presidente já relembrou por diversas vezes do seu passado de combate no período.

Já Artur da Costa e Silva, marido de Iolanda, foi o segundo presidente da ditadura, o 27º do Brasil. Ele governou entre março de 1967 e agosto de 1969. Foi em seu governo que houve a instauração do Ato Institucional nº 5, considerado o mais duro golpe contra a democracia no país.

Iolanda nasceu no Rio Grande do Sul, berço político de Dilma. Lembrada como uma mulher irreverente e educada, de opinião própria, ela casou-se aos 14 anos de idade.

Em setembro de 1968, Clodovil foi demitido por causa dela. Na época, o apresentador trabalhava em uma rádio dando conselhos de moda e acabou criticando o vestido que Iolanda usava.

Fonte: oglobo.com

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