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Dólar sobe quase 2% e passa dos R$ 2,80, maior valor em mais de dez anos

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O aumento da aversão a risco no exterior e a deterioração dos fundamentos econômicos no Brasil fizeram o dólar comercial ultrapassar a barreira dos R$ 2,80 nessa terça-feira. Às 14h45, a moeda americana era negociada em alta de 1,97% diante o real, a R$ 2,831 na compra e a R$ 2,833 na venda. Esse é o maior valor de negociação desde os R$ 2,837 de 8 de novembro de 2004. Já o Ibovespa, principal índice do mercado acionário local, passou a operar em queda de 0,82%, a 48.975 pontos.

No Rio, as casas de câmbio já estão vendendo o dólar turismo a R$ 3. Na Western Union, em Copacabana, a moeda estava cotada a R$ 3,01 no início da tarde desta terça-feira, após ter aberto a R$ 2,98, e o euro, a R$ 3,41. Na Cotação, o dólar é vendido a R$ 3,0096. Em outras, ainda está abaixo, caso da Party Tour, em Ipanema, onde o dólar está em R$ 2,93 e o euro, R$ 3,32. Em dezembro, a divisa valia R$ 2,88. A Ultramar, no Centro, também vende o dólar a R$ 2,96.

— A tendência é de alta. E isso espanta muito o cliente. É um momento muito ruim — avalia Adelino Gonçalves, supervisor da Western Union, acrescentando que a casa não faria nenhuma promoção para recuperar as vendas.
A situação econômica interna tem ajudado nesse movimento de valorização do dólar. Ítalo Abucater, gerente de câmbio da corretora Icap do Brasil, lembra que a situação fiscal do pais ainda não está resolvida, o que aumenta a desconfiança por parte do investidor.

— O nosso fiscal não está resolvido e o momento político está conturbado. Tudo isso repercute de forma negativa. E temos um menor fluxo de investidores estrangeiros, o que deixa o mercado mais volátil por conta de toda essa vulnerabilidade — afirmou.

No exterior, as preocupações em relação à Grécia e sua possível saída da zona do euro fazem com que o dólar ganhe força diante das moedas de países emergentes. “O dólar segue valorizado ante a maioria das moedas emergentes, diante da aversão aos ativos de risco e a queda do preço do petróleo”, afirmou, em relatório, João Paulo de Gracia Corrêa, analista da Correparti Corretora de Câmbio.

Já na Bolsa, as ações da Petrobras registram forte volatilidade. Pesa a favor da empresa a expectativa de que o governo tenha encontrado uma solução para publicar o balanço da companhia com o aval dos auditores independentes. Isso ajudou na alta de mais de 3% nos papéis da companhia pela manhã, mas eles perderam força e agora operam em queda.

Os papéis preferenciais (sem direito a voto) da estatal recuam 1,93%, cotadas a R$ 9,10, e as ordinárias (com direito a voto) registram desvalorização de 2,50%, a R$ 8,97. As ações da Vale também caem forte. Os papéis preferenciais da mineradora caem 3,49% e os ordinários caem 4,12%.

— O pano de fundo é todo negativo para a Bolsa brasileira, com o problema da Grécia e o baixo preço do petróleo e, no Brasil, a economia crescendo pouco e a inflação pressionada. Mas há a expectativa de que a nova diretoria da Petrobras terá respaldo para arrumar a empresa — afirmou Marco Aurélio Barbosa, analista da CM Capital Markets.

POSSIBILIDADE DE ESTÍMULO NA CHINA

O mercado brasileiro segue pressionado pelo exterior. A China divulgou desaceleração nos índices de inflação ao consumidor, que atingiu o menor nível em cinco anos, aumentando a expectativa em relação a novos estímulos por parte do governo chinês. Além disso, a aversão ao risco está maior devido às preocupações com a Grécia e sua possível saída da zona do euro.

O analista lembrou ainda que a alta da cotação do dólar e a possibilidade de estímulos na China beneficiam as empresas exportadoras. As ações da Fibria operam em alta de 1% e as da Suzano sobem 0,17%. Já os papéis da Usiminas avançam 1,55% e CSN sobe 0,80%.

No exterior, a tendência é de alta nos principais mercados europeus. O DAX, de Frankfurt, registra alta de 0,65%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, registra elevação de 0,85%. A exceção é o FTSE 100, de Londres, que registra leve queda de 0,23%. Nos Estados Unidos, o pregão também é de alta. O Dow Jones sobe 0,41% e o S&P 500 avança 0,50%.

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