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A dura batalha de Maurão de Carvalho para disputar o governo em 2018

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Presidente da Assembleia Legislativa tenta ser candidato pela segunda vez e precisa de apoio dentro do complicado PMDB

Eleito deputado estadual pela primeira vez em 1998 (e reeleito consecutivamente desde então), Maurão de Carvalho, natural de Tuneiras do Oeste, (PR), sonha em ser candidato ao cargo de governador do Estado de Rondônia. E Maurão não quer outra coisa, é uma idéia fixa que nasceu em 2014, quando em conversa informal com o senador Ivo Cassol foi “picado pela mosca azul”. Cassol cogitou a possibilidade de Maurão entrar na disputa contra Confúcio Moura, que disputava a reeleição (e ganhou), Expedito Júnior e Jaqueline Cassol, e foi esta última que atrapalhou o sonho de Maurão.

Jaqueline era filiada ao PR, e é irmã do senador Ivo Cassol, e claro, contou com o apoio dele a seu projeto, tirando Maurão da jogada. Mesmo sabendo da possibilidade de Jaqueline disputar a eleição, o deputado apostava que seu então partido, o PP lançaria sua candidatura. Ignorando os avisos e os sinais claros que o clã Cassol iria unido ao pleito, Maurão se sentiu traído por correligionários e delegados do partido que decidiram apoiar a candidatura de Jaqueline na convenção.

Cassol poderia ter prejudicado Maurão e impedido sua candidatura a deputado estadual (o regimento interno o ampararia), mas ele optou por manter Maurão candidato, que elegeu-se novamente deputado, vindo a ser presidente da Casa, cargo que ocupa até hoje. maurão deixou o PP e ficou um tempo sem partido. Enquanto estudava algumas opções, inclusive a de pegar o comando de uma legenda, ele foi seduzido pelo grupo de Confúcio Moura a se filiar no PMDB e mais uma vez corre o risco de ficar fora da disputa em 2018.

O grande problema do PMDB em Rondônia é que a legenda tem dono e uma “velha guarda” que controla o partido. Isso se torna evidente em disputas por cargos, apoios em convenções e indicações. Atualmente a legenda é a que mais tem cargos comissionados tanto no legislativo quanto no executivo. Essa “máquina” que faz a diferença em uma campanha, afinal ninguém quer perder o emprego.

Fator Confúcio Moura

Um dos maiores desafios que Maurão vai enfrentar é o “toma-lá-dá-cá” que acontece em todas as campanhas. Partidos precisam de tempo de TV, recursos e pela nova legislação eleitoral, onde empresas estão proibidas de doar, as principais fontes serão os empresários (pessoa física) que mantém contratos com o governo e declararam um alto valor de Imposto de Renda (é permitido doar até 10% do valor declarado) e claro, os muito ricos. Em 2014 os principais “doadores” de Confúcio foram médicos que são sócios de empresas que prestam serviços ao Estado e esse “fenômeno” deve se repetir em 2018. Para obter esse apoio, Maurão terá que ter carta branca do PMDB. Ou ter em caixa pelo menos R$ 5 milhões para entrar na disputa.

Além disso, o futuro político de Confúcio é incerto, ele nega, mas fontes próximas garantem que ele é candidato ao Senado, mesmo que para isso tenha que deixar o PMDB. Uma legenda que o aguarda de portas abertas é o PDT, do senador Acir Gurgacz que também quer a cadeira de governador. Acir aliás, conta com o apoio de Confúcio que mantém o Detran nas mãos do PDT.

Para Gurgacz, Maurão não assusta, “acho interessante termos candidatos, esse é um processo democrático e o eleitor vai decidir quem de fato trabalha”, disse o senador certa vez ao ser questionado sobre a possibilidade do PMDB lançar Maurão.

Maurão e Confúcio, uma incógnita para 2018

Falta grupo

Outro problema a ser enfrentado por Maurão é a falta de um grupo político que lhe dê suporte. Em uma disputa majoritária alianças são fundamentais e o apoio de lideranças em municípios e distritos conta, e muito. Quem detém o controle da máquina governista larga na frente, afinal “tem a caneta” nas mãos. A “caneta” de Maurão é forte, mas não o suficiente para garantir a fidelidade dos apoiadores. Sem contar que grande parte de prefeitos e vereadores já está “amarrada” em compromissos com o senador Acir Gurgacz e Ivo Cassol para a disputa em 2018 e o apoio apenas do PMDB não garante a vitória de Maurão. Indiscutivelmente Gurgacz vem trabalhando seu mandato para garantir o apoio, destinando emendas e visitando municípios para tentar “humanizar” sua figura.

As chamadas “lideranças” do PMDB não são confiáveis, em várias eleições eles mostraram isso. Em 2014 o então candidato à vice de Confúcio, Daniel Pereira (PSB) foi gravado “puxando a orelha” de comissionados e lideranças, que estavam “traindo” a legenda.

Maurão vem se pegando em enquetes promovidas por sites, sem nenhum valor científico para tentar cacifar sua candidatura, porém, inúmeras pesquisas de consumo interno que vem sendo feitas inclusive pelo PMDB, indicam que ele não está tão bem quanto imagina.

Se conseguir vencer esses obstáculos, Maurão ainda vai enfrentar uma fera que para 2018 está raivosa, chamado eleitor desiludido.

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