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Economia de Rondônia recua fortemente

O principal indicador que mede a força de uma economia é o número de novas empresas criadas. É óbvio: novas empresas, mais novos postos de trabalho, maior circulação de dinheiro, maior arrecadação e por aí vai, no ciclo virtuoso que caracteriza o capitalismo. Os impactos são relevantes no PIB, o Produto Interno Bruto, que é a soma de toda a produção de bens e serviços, no IDH, que é o Índice de Desenvolvimento Humano, que capitaliza ganhos econômicos na dimensão social e o novíssimo FIB, que é a Felicidade Interna Bruta, medida pela qualidade de vida nos aspectos imateriais como a cultura, as emoções positivas, autoestima, nível de estresse, equilíbrio espiritual etc. Difícil isso, mas absolutamente relevante.

Pois bem, em Rondônia estamos muito, muito mal. Para o governo, o PIB cresce, só não menciona que cresce muito, muito menos que em 2010, quando atingiu o auge, portanto, quando o atual governo ainda não tinha assumido a direção do barco. O IDH recuou fortemente, de 0,776 em 2008 para 0,756 em 2012, semelhante à China e o norte da África. Já o FIB ainda não foi medido no país, muito menos por aqui, e tenho como certo que os números poderiam retratar o quanto estamos infelizes com o governo e o desempenho da nossa economia. Sim, as emoções não estão tão positivas, o estresse é crescente pela incerteza e a autoestima está muito baixa, pela quantidade de lixo que corre solta nas ruas sem que o prefeito se dê conta.

Porto Velho e Ji-Paraná lideram queda

Os números comprovam o que afirmo. Rondônia tem hoje 127 mil empresas ativas, com queda acentuada de menos 37% na variação 2013-2014. Isso significa que nossa economia criou 37% menos empresas no comparativo com 2013, no mesmo período. Um desastre! Regredimos quase 40% em nossa força para impulsionar a economia através da criação de novas empresas. E o que estimula a criação de novas empresas? O “ambiente de negócios”, expressão criada pelo Banco Mundial para designar o status de uma economia para que empresas possam ser criadas e que possam desenvolver-se, ou não, de acordo com as políticas públicas, regulações e uma série consistente de indicadores para medir o desenvolvimento da economia empresarial.

Assim, o ambiente de negócios em Rondônia parece ser nefasto, pois os números são contundentes e tudo indica que o governo e seus “especialistas”, depois de quatro anos, ainda não entenderam como as coisas funcionam ou, pelo menos, deveriam funcionar. Ji-Paraná e Porto Velho lideram a queda na criação de novas empresas, com -40,62% e -39,94%, respectivamente. Mas não ficam atrás os outros três motores da economia de Rondônia: Cacoal, com -36,48%, Vilhena -32,24% e Ariquemes -31,87%. Acreditem, os números são muito contundentes. Escandalosamente a economia perdeu força. Quem anda pelas empresas, como eu, já sabe que a queda no desempenho de faturamento atinge taxas que variam de menos 30% até incríveis 70% em alguns segmentos. E a maioria dos empreendedores já considera o ano de 2014 morto desde abril.

Setor de serviços recuou mais de 60%

Dos três principais setores econômicos que concentram a maior parte da criação de novas empresas, os números também registram vigoroso impacto negativo. Lidera o setor de serviços, com queda de 62,41%, um desastre. O setor de serviços é o principal termômetro do crescimento e desenvolvimento de uma economia, pois sua atuação permeia todos os outros setores e é forte agregador de valor na geração de novos postos de trabalho, elevação da renda, maior arrecadação tributária e distribuição da riqueza. Com queda de 62,41%, é evidente que a economia não apenas esfriou, mas está em franco recuo, bem diferente do discurso oficial populista dos governos de plantão, tanto o estadual quanto o federal.

O segundo setor que aponta queda acentuada é o comércio, com -38,45% no indicador de criação de novas empresas desse setor que representa 47% do total de empresas em operação em Rondônia. O desastre se repete, confirmando que a economia recuou fortemente. O comércio, de mãos dadas com o setor de serviços, forma o maior conjunto agregador da economia de Rondônia, superior à soma da indústria e do agronegócio, com menos da metade do número total de empresas dos outros dois setores.

Aperte os cintos. Até 2018.

Não adianta o discurso oficial mencionar as enchentes, muito menos o fim das obras das usinas como forças negativas que impactam o desempenho da economia. Na realidade, é a falta de uma estratégia de desenvolvimento econômico, somada com a falta de um sólido conjunto de ações de resposta às enchentes e do já previsto fim das obras das usinas, que norteiam a ineficiência técnica, política e econômica do governo de plantão. Os secretários são o espelho do governador: apáticos, lentos, ineficientes, improdutivos. Tudo o que fazem não gera valor nem resposta econômica. Os números estão aí, portanto, não é uma opinião de balcão.

Todos os números da publicidade eleitoral do governo, se corretos, correspondem a um conjunto de ações que não respondem pelo desempenho da economia, e sim de obrigações do governo em remediada resposta ao que arrecada das empresas e dos contribuintes. Nada além disso. Engana-se quem enxerga nisso pujança econômica. É apenas um truque de marketing eleitoral para populações de analfabetos funcionais, de semianalfabetos, iletrados e dos dependentes dos favores do governo. O que importa é que, de fato, a economia de Rondônia recua fortemente. Os números indicam que poderíamos levar, no mínimo, quatro anos para a recuperação, se ele tivesse início agora. Como isso é apenas ilusão, aperte os cintos. Até 2018.

José Armando Bueno é consultor de empresas.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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