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Em 2017, nove hotéis fecharam as portas em BH e demitiram 1.500

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Além disso, houve uma queda significativa na taxa de ocupação dos estabelecimentos, que ficou por volta dos 40% no primeiro semestre deste ano

Em três anos, a euforia que a hotelaria em Belo Horizonte teve com a Copa do Mundo virou depressão. Crise econômica, queda no número de turistas e dificuldades estruturais, como a falta de espaços para eventos, levaram os empresários do setor a vivenciar uma das maiores crises da história, que já resultou, só em 2017, em nove hotéis encerrando as atividades na capital mineira.

O setor também vem engrossando o número de desempregados, com o fim de aproximadamente 1.500 vagas diretas nos primeiros seis meses deste ano, segundo o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de BH e Região Metropolitana (Sindhorb).

“É, com absoluta certeza, a pior crise pelo menos dos últimos 40 anos”, afirma o presidente da entidade, Paulo César Pedrosa. Em 2015, ano posterior ao Mundial de futebol, eram 45 mil postos de trabalho na hotelaria. Hoje, são 30 mil, um terço a menos, indica Pedrosa, que contabiliza ainda uma perda de R$ 100 milhões em faturamento por ano no setor.

Portas fechadas

Já são nove estabelecimentos fechados no primeiro semestre de 2017, mais que o dobro em relação ao ano passado, de acordo com o especialista Maarten Van Sluys, da consultoria JR & MvS.

O Hotel Habitar, no Centro, funcionou por 15 anos. O Hotel Bragança também deu adeus ao mercado. Outros mudaram de ramo, como o Niagara Flat, no Funcionários, que virou edifício residencial. Os proprietários de ambos os hotéis não foram localizados.

“São os efeitos da crise. Alguns hotéis tentaram resistir, outros estão desistindo”, explica Van Sluys. Para o consultor, um dos maiores problemas é a média do valor da diária na cidade, que hoje está em R$ 169, mesmo preço médio de 2011. Atualmente, são 118 hotéis na cidade, somando um total de 15 mil quartos.

Além disso, houve uma queda significativa na taxa de ocupação dos estabelecimentos, que ficou por volta dos 40% no primeiro semestre deste ano.“Saímos de uma ocupação de 75% em 2014 para esse número”, reclama a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (Abih-MG), Érica Drumond.

Efeito contrário

Para incentivar a abertura de hotéis na capital, cujo número era deficitário antes da Copa, foi criada a Lei Municipal de 9.952, de 2010, que deu incentivos a novos empreendimentos e flexibilizou a construção dos edifícios. Iniciados naquela época, pelo menos oito hotéis nem foram inaugurados.

Além disso, a oferta excessiva de leitos preocupa. “Creio que nenhum hotel vai ser aberto nos próximos dois anos”, prevê Érica. Já Pedrosa mantém certo otimismo para o segundo semestre, que costuma ser mais rentável. “A expectativa é de incremento de 10% nas taxas de ocupação e faturamento”, espera.

Falta de espaços para convenções seria uma das causas da baixa ocupação de leitos

Representantes do setor são precisos quanto ao problema do turismo em Belo Horizonte: falta de convenções e congressos de médio e grande porte. E o sub-aproveitamento dos dois principais equipamentos da capital, Minascentro e Expominas, contribui para a baixa ocupação dos hotéis.

Em 2 de agosto, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) viu a licitação para a administração dos dois espaços pelos próximos 35 anos não atrair interessados pela segunda vez no ano.

No fim de 2016, como parte da reforma administrativa do Estado, foi extinta a Prominas, que era a responsável pelos equipamentos. Para Érica Drumond, presidente da Abih-MG, o edital era desfavorável por exigir uma taxa de investimento muito alta, em torno de R$ 254 milhões. “São centros que estão sem nenhuma modernização adequada para os momentos atuais”, afirma.

Já o consultor Maartens Van Sluys, da JR & MvS, critica a cláusula da licitação que coloca a obrigatoriedade de eventos realizados pelo governo, de graça, pela futura administradora, duas vezes por mês. “Deviam ter feito consulta no meio comercial. Era só ver como funciona em outros lugares”, aponta.

Instituição que trabalha na captação de eventos, a BH Convention & Visitors Bureau diz que a falta de administradores no Expominas e no Minascentro preocupa. “Perdemos um evento com 10 mil pessoas em agosto, que geraria cerca de R$ 500 mil”, conta o secretário-executivo do BH Convention Bureau, Hernani Castro Júnior. Segundo ele, de dez anos para cá, a concorrência se acirrou, com mais cidades tendo centros de convenções.

A Codemig informou que vem gerindo os equipamentos provisoriamente. Em abril deste ano, foi realizada uma audiência pública para desenvolver o edital e um estudo de mercado sobre a Expominas e o Minascentro foi disponibilizado.

Reportagem de Fábio Corrêa – Hoje em Dia

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