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Em carta, jovem de Cerejeiras presa por tráfico na Turquia, relata drama

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A brasileira Cristhielen Kruger Pomin, de 26 anos, presa na Turquia desde fevereiro deste ano por tráfico internacional de drogas, reclama de falta de assistência por parte do Consulado Brasileiro e pede ajuda a entidades defensoras dos direitos humanos. O relato foi feito através de carta enviada ao site G1, portal de notícias das Organizações Globo. O Itamaraty informou que tem prestado assistência à brasileira.
Cristhielen estudava medicina em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, quando a família, que reside em Vilhena e Cerejeiras, perdeu contato com a jovem. Após viajar para a Bolívia, a mãe da estudante soube que ela embarcou com as drogas e foi presa em Istambul.1 (1)
Na carta, escrita em junho e entregue pela família, a jovem assume o crime, mas diz que foi forçada a praticá-lo. Ela relata situações supostamente ilegais que estariam acontecendo no presídio de Istambul, onde está detida. Segundo ela, as violações começaram logo no momento da prisão ainda no aeroporto de Istambul. “Não me deram a chance de me defender e nem explicar o que estava acontecendo. Eu pedia um tradutor, pois não entendo turco. Fiquei amedrontada com tantos policias”, escreve. Ela afirma ainda ter sido obrigada por autoridades locais a assinar vários documentos sem conhecer o teor do conteúdo.
Após a detenção no aeroporto, Cristhielen disse ter sido transferida para uma carceragem provisória, onde não havia sequer papel higiênico. Ali ela prestou um primeiro depoimento, e depois foi levada ao Presídio de Bakirkoy. “Tive o meu primeiro julgamento formalmente firmado perante a Corte Turca, porém não pude ser ouvida”, conta. Segundo ela, o advogado de defesa não apareceu. O Itamaraty alega que a jovem está recebendo assistência jurídica.
Cristhielen alega não receber a visita mensal dos cônsules e nem o auxílio financeiro e jurídico necessário. “A última remessa de dinheiro foi em dezembro, que foi a quantia de 166 liras turcas (cerca de R$ 175). As roupas são extremamente surradas e velhas”, descreve. De acordo com a brasileira, em fevereiro deste ano, houve um incêndio no presídio e o Consulado só ficou sabendo do incidente dias depois. “Por favor, peço ajuda e auxílio dos direitos humanos, pois meus direitos estão sendo violados”, escreve na carta.
O atendimento médico dentro do presídio é precário, diz Cristhielen. Segundo relato em carta, a assistência tem que ser pedida formalmente, mas nem sempre as presas são atendidas.
Itamaraty
Ao G1, o Palácio do Itamaraty informou que está acompanhando o caso de Cristhielen desde o dia da detenção da jovem, em 21 de fevereiro. Segundo o Itamaraty, o Consulado Geral do Brasil em Istambul realizou duas visitas presenciais à brasileira, além de ter entrado em contato com a família. A autoridade diplomática disse que também solicitou à administração carcerária que a estudante tivesse acesso aos recursos de comunicação para entrar em contato com a família.
De acordo com o Itamaraty, o Consulado em Istambul trabalha para garantir que a brasileira tenha um processo imparcial, com acompanhamento em todas as audiências, e também disponibilizando acesso a intérprete e advogado. A assistência médica permanente também foi solicitada.
Quanto aos problemas dentro do presídio de Bakirkoy, o Itamaraty afirma que tem mantido contato frequente com as autoridades da unidade prisional e quaisquer violações de direitos básicos serão imediatamente comunicadas à Chancelaria turca.
Veja a íntegra da carta de Cristhielen Pomin:
Carta portadora de denúncia ao Portal G1 /Globo.com
“Venho por meio desta afirmar algumas denúncias que estão acontecendo e que aconteceram com algumas mulheres na Turquia-Istambul. Estou presa por tráfico internacional de drogas. Fui presa no aeroporto da Turquia. Vim para a Turquia a base de chantagem e ameaças. Quando fui presa no aeroporto não me deram a chance de me defender e nem explicar o que estava acontecendo. Eu pedia um tradutor no aeroporto, pois não entendo turco, pois eles não me ouviam. Só me fizeram assinar muitos e muitos documentos, pois assinei, pois fiquei amedrontada com tantos policiais e eles gritavam e falavam muito alto. E tive medo, pois estou em um país que não conheço e não saberia o que seria de mim daquele momento em diante. E assim assinei muitos papeis, que até hoje não sei o conteúdo, ou seja, o que exatamente estava escrito. Quanto a isso está explícito que meus direitos estão sendo expressamente violados. Digo que desde o momento em que fui presa passei e estou passando por muitas humilhações neste lugar, como nunca passei em minha vida. Não me exumo da minha culpa, apenas gostaria que meus direitos fossem respeitados. Fui levada a uma carceragem provisória, imunda, só água gelada e nem papel higiênico obtive.
Depois fui levada para dar o meu primeiro depoimento. Não me escutaram muito, apenas me informaram que daria o meu 1° depoimento e logo após a esse momento seguiria para o presídio feminino de Bakirkoy, onde aguardaria pela visita do Consulado Brasileiro e a data de meu julgamento. Tive o meu 1° julgamento formalmente firmado perante a Corte Turca, porém não pude ser ouvida, pois o tradutor compareceu, porém o advogado que é pago pela Embaixada Nacional Brasileira não compareceu a corte. Na realidade, o advogado é turco e ele não comparece perante o tribunal para defender a nós brasileiras. Ele envia uma estagiária ou sua esposa. O que novamente estão sendo infringido os meus direitos e das demais brasileiras, que se encontram em cárcere privado de liberdade, porque a embaixada brasileira é paga pelo Governo Federal Brasileiro e essa verba é repassada para o auxilio jurídico para nos defender e assim não o fazem. Como isso é uma infração e uma quebra na lei que nos protege judicialmente, os representantes do Consulado Brasileiro aqui na Turquia, na realidade não nos visitam mensalmente, não nos auxiliam financeiramente. A última remessa de dinheiro foi em dezembro de 2013, que foi a quantia de 166 libras. As roupas são extremamente surradas de velhas.
Mas a principal denúncia neste momento é a falta de competência do Consulado Brasileiro que não nos dão o auxilio devido nem financeiro, nem jurídico, nem sobre os nossos direitos. Não procuram saber ser estamos sendo bem tratados de acordo com o a asseguridade de que os direitos humanos nos protege, em qualquer momento e situação. Quero explicações sobre qual lei, e qual penalidade jurídica será aplicada para minha pessoa, pois não tenho informações precisas e nem necessárias do que fazer, como responder e como me portar perante a lei turca.
Advogado serve para auxiliar o cliente, auxiliando sobre todos os passos judicialmente que serão aplicados e prepara o cliente, que nesse caso sou eu. As informações devem ser prestadas a mim e minha família, pois não fazem. Por favor, peço ajuda e auxílio dos direitos humanos, pois meus direitos estão sendo violados. Cometi um crime sim, não me excluo dessa culpa, porém sou regida por uma lei internacional e universal chamada ‘direitos humanos’. Sou cidadã brasileira, tenho o meu direito de voto assistido e firmado perante a lei eleitoral brasileira. Exijo que meus direitos sejam colocados em prática por aqueles que assim estão sendo pagos para prestar este auxilio. E nos dê muito mais atenção sobre o que está acontecendo na prisão feminina de Barkikoy.
Em fevereiro tivemos um grande incêndio na prisão por volta das 19h45 da noite e só conseguimos sair porque havia crianças, porque se não, não sei nem o que poderia ter acontecido. E quando o Consulado veio nos visitar, perguntamos se eles haviam tomado conhecimento sobre o incêndio. Eles informaram que não.
Sobre o auxilio de médicos, é terrível. Temos que ficar escrevendo diletas para informar que necessitamos de doutor, mas nem sempre que necessitamos de doutor somos atendidos prontamente. Coisas que deveriam ser periódicas as verificações do consulado brasileiro, porém assim não fazem.
Desde já agradeço pela atenção e por meio desta peço apelo aos direitos humanos.
Att, Cristhielen Kriiger Pomin”

Fonte: G1

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