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Em operação contra jogo Baleia Azul, jovem de 18 anos é presa em SC

Uma jovem de 18 anos foi presa nesta terça-feira (18) em Joinville, Norte catarinense, durante a operação da Polícia Civil contra o jogo Baleia Azul, uma corrente que tenta induzir virtualmente seus participantes, a maioria menores de 16 anos, ao suicídio por meio de 50 desafios. A prisão é temporária por 30 dias. A jovem é suspeita de ser uma das “curadoras” do jogo, conforme o delegado Alexandre Kale.

O Baleia Azul não existe oficialmente – não há um site ou algo parecido. É uma iniciativa de criminosos que usam as redes sociais para impor desafios macabros a crianças e adolescentes. Um grupo de organizadores, chamados “curadores”, propõe uma sequência de missões que envolvem isolamento social, automutilação e suicídio.

Prisão

A operação da Polícia Civil ocorre em outros oito estados. A jovem presa é Joinville foi encontrada em casa. “Vai ser interrogada aqui [Joinville], provavelmente recambiada para lá [Rio de Janeiro]”. A operação é comandada pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) do estado carioca.

Apreensões

Além da prisão, também foi ouvido pela polícia durante a operação um adolescente de 14 anos em São José, na Grande Florianópolis, suspeito de infrações virtuais. “Ele falsificava identidade para poder se passar pela pessoa. Reativar uma rede social ou clonar”, disse o delegado, que é diretor de Inteligência da Polícia Civil catarinense.

No total, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Santa Catarina: três em Chapecó, no Oeste, um em Araquari, no Norte, um em Joinville, um em São José e outro em Florianópolis. Foram apreendidos objetos como computadores, telefones e dispositivos eletrônicos.

Em Chapecó, foi ouvida uma vítima, uma adolescente de 13 anos. “Ela tem lesões antigas e recentes nos braços porque se autolesionava praticando esse jogo. Também teria tentado suicídio. Está em acompanhamento psicológico”, disse o delegado.

As investigações continuam no estado.

Recomendações

As recomendações para as famílias são: monitorar o uso da internet, frequentar as redes sociais dos filhos, observar comportamentos estranhos e, sobretudo, conversar e conscientizar os adolescentes a respeito das consequências de práticas que nada têm de brincadeira. Atenção redobrada com os jovens que apresentem tendência a depressão, pois eles costumam ser especialmente atraídos por jogos como o da Baleia Azul.

Também as escolas devem colocar o assunto em pauta e incorporar no currículo, cada vez mais, a educação para a valorização da vida, o respeito pela vida dos outros e o uso consciente das mídias e tecnologias.

G1 ouviu especialistas que dão dicas de como lidar com o tema:

1. Fique atento às mudanças de comportamento

Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba lidar, segundo Elizabeth dos Reis Sanada, doutora em psicologia escolar e docente no Instituto Singularidades.

“Isolamento, mudança no apetite, o fato de o adolescente passar muito tempo fechado no quarto ou usar roupas para se esquivar de mostrar o corpo são pistas de que sofre algo que não consegue falar”, afirma a especialista.

2. Compartilhe projetos de vida

Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os pais se interessem por sua rotina. Elizabeth reforça que este deve ser um desejo genuíno, e não momentâneo por conta da repercussão do jogo da Baleia Azul.

“Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os amigos”, diz Elizabeth. Ela lembra que muitos adolescentes “falam” abertamente sobre a falta de motivação de viver nas redes sociais. Aos pais cabe incentivar que os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.

3. Abra espaço para diálogo

Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, por isso, Elizabeth reforça que é necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. “É preciso que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de proteção”.

Angela Bley, psicóloga coordenadora do instituto de psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, diz que o adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha.

“O que tem diálogo em casa, não é criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Deixe que ele fale sobre o jogo, o que sente, é um momento de diálogo entre a família”, ressaltou a especialista.

Angela reforça que muitas vezes o adolescente não tem capacidade de discernir sobre todo o conteúdo ao qual é exposto. “Por isso é importante o diálogo franco. Não pode fingir que esse tipo de coisa não existe porque ele sabe que existe.”

4. Adolescentes devem buscar aliados

O adolescente precisa buscar as pessoas em que confia para compartilhar seus anseios, seja no ambiente escolar ou familiar, segundo as especialistas. “Que ele não ceda às ameaças de quem já está em contato com o jogo e entenda que quem está a frente deles são manipuladores”, conta Elizabeth.

5. Escolas podem criar iniciativas pela vida

Assim como a família, as escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os alunos. “Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, são os que têm situações de vulnerabilidade. A escola ajuda a construir laços e tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem”, afirma Elizabeth.

Fonte: g1/sc

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