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Em RO, pacientes estão sem atendimento porque empresa vencedora de licitação não tem estrutura

Empresa vilhenense acusada pelo MP de corrupção consegue “prazo alongado” para montar estrutura de atendimento e atrasa contrato há mais de 4 meses

Tem coisas que acontecem em Rondônia que lembram a Sucupira, cidade fictícia da obra de Dias Gomes, que imortalizou o personagem Odorico Paraguassu, interpretado pelo saudoso Paulo Gracindo. Na ficção, coisas absurdas protagonizadas pelo prefeito traquina eram corriqueiras, e faziam todos rir.

O problema é que na vida real as pessoas choram, com dor, sofrimento e são ludibriadas por “legalidades” que parecem piadas de mau gosto. E é assim que se encontram os pacientes de Porto Velho que precisam de diagnóstico por imagens. Em março desse ano, o governo licitou empresa para prestar serviço de ‘diagnose por imagem e medicina nuclear’. Foram vencedoras as empresas Mega Imagem, que já atende em Vilhena e a CDI, de Porto Velho.

O problema é que a Mega tem estrutura em Vilhena e não em Porto Velho e o edital estabeleceu um prazo de 60 dias para que o atendimento fosse iniciado, o que não aconteceu até hoje (7 de julho). Em abril, a CDI entrou com um recurso pedindo a desclassificação da Mega, questionando exatamente isso e outras irregularidades. A Mega apresentou defesa e a SUPEL acatou o pedido, dando mais prazo, e mesmo assim a empresa não conseguiu cumprir.

Estranha o fato de que uma empresa amazonense que também participou da licitação, foi desclassificada exatamente por não ter uma estrutura de atendimento em Porto Velho.

A Secretaria de Estado de Saúde e a Supel já deveriam ter feito a inspeção, desclassificado a Mega e chamado a segunda colocada, que já opera em Porto Velho. A coisa é tão surreal que a Mega chegou a propor o embarque de pacientes na capital para serem atendidos em Vilhena (distante 700 km) para não perder o contrato. Coisa de Sucupira.

Mega Imagem foi envolvida em esquema de corrupção do prefeito de Vilhena José Rover

Detalhes estranhos

A Mega Imagem tem como um dos sócios majoritários o médico Eduardo Molinari, que foi acusado de pagar propina de R$ 160 mil ao prefeito de Vilhena José Rover para “resolver” uma dívida de mais de R$ 1 milhão que sua empresa tinha junto ao município. De acordo com denúncia do Ministério Público, “após o pagamento da propina José Luiz Rover deferiu requerimento administrativo apresentado pela empresa Mega Imagem na Secretaria Municipal de Fazenda e determinou, de forma fraudulenta, para que fosse promovido no âmbito da Prefeitura o abatimento da dívida ativa da empresa Mega Imagem, concretizando assim o benefício em favor do empresário, em razão do pagamento da propina”.

A empresa também está fazendo uma parceria com uma clínica de ortopedia de Porto Velho que ganhou uma licitação da Sesau. O problema é que o dono dessa clínica era médico do Estado, portanto não poderia ter participado de um processo licitatório.

Atualmente existem diversas reclamações e auditorias em andamento contra a Mega Imagem, e mesmo assim ela conseguiu obter “nota máxima” na “análise” da Supel.

Enquanto a Imagem não consegue montar sua estrutura, os pacientes continuam em situação precária, largados à própria sorte, esperando a boa vontade do “vencedor” para poderem ser atendidos.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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