Empresária é condenada por atropelar e matar lutador durante racha

In Direito & Justiça

Adriane terá que cumprir 6 anos no semiaberto; defesa vai recorrer

O júri popular finalizado na noite desta quarta-feira (15), em Campinas (SP), condenou a empresária Adriane Aparecida Pereira Diniz Ignácio de Souza, de 47 anos, por  homicídio doloso, e absolveu o empreiteiro Fabrício Narciso Rodrigues da Silva, de 37. Os dois eram acusados de participação em um suposto racha que resultou na morte do lutador de jiu-jítsu Kaio Muniz Ribeiro, em 2011. Os trabalhos duraram quase 15 horas.

Após a decisão dos jurados (quatro homens e três mulheres), o juiz da 2ª Vara do Júri, Sérgio Araújo Gomes, proferiu a sentença de Adriane, que terá de cumprir seis anos no regime semiaberto. No entanto, a defesa da empresária afirmou que irá recorrer da decisão.

Julgamento
Durante a explanação, o promotor Ricardo Silvares enfatizou o fato da empresária ter dirigido alcoolizada e em alta velocidade, antes dela atropelar a vítima. Ele lembrou que acidentes semelhantes continuam ocorrendo pelo país. “Ninguém quer pagar pelo que fez. É preciso assumir a responsabilidade”, ressaltou ao defender que o caso não poderia terminar em impunidade.

Em relação ao empreiteiro, o MP reconheceu que não havia provas técnicas que comprovassem a suspeita do réu ter “instigado” a acusada a participar de uma disputa automobilística ou racha. Segundo Silvares, algumas testemunhas disseram apenas ter visto os veículos “colados” antes do acidente.

Durante o tempo da defesa, Guilherme Madi Rezende, advogado da empresária, defendeu a tese que a cliente não tinha como prever o resultado de suas ações, descaracterizando, assim, o dolo eventual (assume o risco de matar). “Não podemos equipará-la a um homicida”, alegou.

O defensor de Silva, Ralph Tórtima Filho, frisou que o cliente não colaborou para que o acidente ocorresse, e destacou não haver provas sobre a suposta provocação para disputa na avenida.

“Justiça também se faz com absolvição de inocentes”, falou ao também negar que o barulho produzido pelo Camaro tenha “assustado” a condutora do Audi, antes dela atropelar a vítima.

O julgamento

Além do interrogatório dos réus, a promotoria teve duas horas e meia para dissertação e a defesa dos réus dividiu quase duas horas para explanações aos jurados. Acusação e defesa ainda tiveram mais duas horas para réplica e tréplica. Somente após as considerações finais, os jurados, quatro homens e três mulheres, se reuniram para deliberar pela condenação ou absolvição dos réus.

‘Obrigada a mentir’

O interrogatório de Adriane abriu o 2º dia do julgamento. A empresária falou por pouco mais de uma hora nesta quarta-feira (15) e revelou ao júri que mentiu no primeiro depoimento à polícia.

A ré disse que o advogado que a acompanhou no dia do acidente a “obrigou a mentir” à polícia, informando que o Camaro, dirigido pelo empreiteiro Fabrício Narciso Rodrigues da Silva, outro réu no processo, pressionou seu Audi entre a Av. Norte-Sul e a Avenida Júlio Prestes, local do atropelamento. Em um segundo depoimento, em juízo, Adriane já havia alterado a versão, dizendo que tinha se assustado com o barulho de um carro.

Durante o depoimento, Adriane confessou que havia ingerido bebida alcoólica (“duas cervejas”) e que se sentia bem para dirigir no dia 18 de novembro de 2011. Ela negou que estivesse bebendo ao volante e que participava de um racha com o Camaro. “Não é minha prática”.

A empresária informou que estava entre 80 e 85km/h e que jogou o carro para a calçada para não bater em outro veículo que passava na via, e disse que não sabia que a vítima estava naquele local. Na terça, no 1º dia do júri, um perito criminal, ao considerar imagens de uma câmera de segurança, entre outras avaliações técnicas, estimou que o Audi da empresária era conduzido entre 123,58km/h e 132,38km/h.

Adriane revelou que tentou o “suicídio várias vezes” depois do ocorrido. “Não dá vontade de viver. Me sinto culpada”, afirmou. A empresária disse ainda que sofria depressão na época do crime, e que hoje toma quatro medicações, duas de “tarja preta”. O júri popular que ficará responsável por definir a culpa ou absolvição dos réus não quis fazer perguntas a Adriane.

Negou racha

O interrogatório do empreiteiro Fabrício Narciso Rodrigues da Silva, de 37 anos, começou às 11h26 e terminou às 11h59. O réu negou que participasse de um racha e reforçou que não havia ingerido bebida alcoólica. Silva também disse ao júri que não conhecia Adriane.

O dono do Camaro reconheceu que dirigia acima dos 60km/h permitido na via, mas defendeu que “não pôs a vida de ninguém em risco”. “Passei a cinco metros dele. O Kaio (Muniz Ribeiro, vítima) me viu e continuou andando”, disse Silva.

Durante o depoimento, o empreiteiro ainda negou ter visto o acidente e disse que só passou de novo pelo local onde o lutador foi atropelado porque levava um amigo em casa.

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