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Empresários estrangeiros aproveitam crise para investir no Brasil

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Enquanto alguns esperam bons sinais para agir, outros tentam enxergar novas oportunidades na crise econômica

A crise econômica brasileira, com a queda do Produto Interno Bruto (PIB), o ajuste fiscal, a baixa na confiança da indústria e o aumento de tributos e impostos, pode e tem preocupado o mercado interno. Mas os empreendedores e investidores estrangeiros, inclusive aqueles que chegaram ao Brasil há poucos anos, animados com as oportunidades do País quando a capa da revista britânica “The Economist” mostrava o Cristo Redentor decolando do Corcovado, garantem que os desafios e as dificuldades da economia do País não são motivos para colocar o pé no freio.

No início do ano, a estimativa feita por analistas e investidores do mercado para o fechamento dos valores relativos à entrada de investimentos estrangeiros diretos (IED) no Brasil em 2014 era de US$ 60 bilhões. E os empresários confirmam: embora a euforia dos investidores tenha passado, o mercado brasileiro ainda é bastante atrativo aos investidores.

Veja os depoimentos de empresários que investem no Brasil e opinam sobre o cenário econômico atual:

Malte Huffmann, sócio-fundador da Dafiti: “Chegamos ao Brasil no momento certo”

Malte Huffmann, sócio-fundador da Dafiti
Divulgação

Malte Huffmann, sócio-fundador da Dafiti

O alemão Malte Huffman, que chegou ao Brasil em 2010 para fundar a Dafiti, um dos principais e-commerces de moda do País, afirma: “Chegamos ao Brasil no momento certo. Se chegássemos este ano, as coisas poderiam ser diferentes.”

Segundo o empreendedor, no atual cenário econômico brasileiro, poderia ser mais difícil atrair o investimento estrangeiro que a empresa atraiu há cinco anos. “Naquela época se falava muito do Brasil, 2010 foi o ano de pico. Essa foi uma das razões que me fez vir para cá. Nesse bom momento do Brasil a gente adquiriu muitos investidores que estavam de olho no nosso negócio e no mercado”, explica.

Ainda assim, Huffman garante que, pelo grande número de consumidores no País, abriria a empresa no Brasil num momento como este. “Eu acho que a gente tem chance de surpresas positivas ainda este ano. O time econômico do governo pode ser uma surpresa positiva, com medidas que possam ajudar a surpreender positivamente em 2015”, afirma.

Segundo o empresário, a Dafiti, que nas últimas semanas lançou sua primeira instalação física (uma loja-conceito da marca),além da marca e da coleção de moda própria, deve continuar apostando no mercado brasileiro. “O e-commerce no Brasil ainda tem muito a avançar. O setor cresceu 20% no ano passado. Mesmo com o cenário macroeconômico menos favorável, as expectativas são positivas.”

Stefan Rehm, fundador da Intelipost: “Mercado espera boa notícia para agir”

Stefan Rehm é o empresário alemão fundador da empresa de softwares de logística Intelipost
Reprodução

Stefan Rehm é o empresário alemão fundador da empresa de softwares de logística Intelipost

Stefan Rehm, de 28 anos, é alemão e chegou ao Brasil em 2012 para abrir um escritório de um fundo de investimento alemão em conjunto com outro fundo, o Project-A Ventures. Ele lançou algumas startups nesse processo, como a Natue e a Evino, antes de fundar, em 2014, a Intelipost, empresa de software de logística

O empresário conta que, quando desembarcou no País, os investidores viviam um clima de “corrida ao pote de ouro” no Brasil. “Quando a gente chegou, a situação estava melhor, a euforia dos investidores estava presente.O País tem todas os ingredientes básicos pra andar bem, como um povo legal e economia e população grandes. A euforia passou por causa da política. Hoje, temos mais dificuldade de atrair capital e investimento”, explica.

O principal motivo, segundo Rehm, é a falta de confiança dos investidores. “É um problema de confiança. Todo mundo está olhando o que os outros estão fazendo, e quando todo mundo faz isso, todo mundo só olha e ninguém faz. Estão todos esperando uma boa noticia do mercado para agir”, afirma.

A estabilização da câmbio é uma das mudanças que precisa acontecer, mas Rehm diz que não dá para saber quando isso vai acontecer. “Acho que isso não vai mudar tão logo porque é mais do que só trocar o governo. Precisamos de um bom sinal, como o IPO de uma grande empresa. Com um bom sinal, os empresários vão ganhar confiança e investir mais.”

Roy Olsen, diretor de vendas da TestOut: “Crise é oportunidade para nós”

Roy Olsen, diretor de vendas da empresa americana de tencologia TestOut
Divulgação

Roy Olsen, diretor de vendas da empresa americana de tencologia TestOut

A TestOut é uma empresa norte-americana que desenvolve cursos para formação, capacitação e certificação no segmento de tecnologia da informação. Até o início deste ano, a empresa investia apenas em países de lingua oficial inglesa. Quando decidiu investir em outros países, resolveu iniciar a expansão pelo Brasil. Roy Olsen, diretor de vendas da marca, garante que a crise não assustou.

“Nos Estados Unidos, em 2008, constatamos que a época da grande recessão foi uma época de crescimento para nós. Acreditamos que possa fazer a mesma coisa aqui. Em épocas de crise, as pessoas procuram investir em educação porque querem melhores empregos. Acho que isso que vai acontecer aqui”, afirma.

A TestOut vem crescendo mais de 30% ao ano desde a crise de 2008. Olsen não divulga o aporte financeiro da empresa no Brasil, mas garante que não foi pequeno. “Só o investimento de traduzir os cursos, que são cursos muito complexos, já foi grande. O Brasil tem um mercado dinâmico, com muitas escolas técnicas que podem utilizar os nossos cursos”, diz.

Luiz Sacco, diretor da SafetyPay: “Crise é momento de reflexão e não de paralisia”

Luiz Sacco, diretor da empresa de meios de pagamento SafetyPay, com sede em Miami
Divulgação

Luiz Sacco, diretor da empresa de meios de pagamento SafetyPay, com sede em Miami

Luiz Sacco é o diretor-geral da empresa de meios de pagamento online SafetyPay. O negócio, que tem sede em Miami e começou a operação nos Estados Unidos em meados de 2008, atua desde 2010 no Brasil. Ele afirma que o momento pode ser de ajustes, mas que não é hora de frear investimentos. 

“Toda empresa, quando decide vir para o Brasil, não olha só a situação. É preciso vislumbrar um mercado com potencial e olhar a longo prazo. Tínhamos um cenário diferente no fim de 2012, que já tinha desafios, mas a decisão de fazer o investimento é de um compromisso ao longo prazo: os problemas passam, a oportunidade prevalece”, afirma.

Em situações de crise, diz, alguns ajustes são normais, mas que o momento não pode ser de paralisia. “Não estamos colocando o pé no freio. Vemos empresas ajustando projetos, mudando prioridades e avaliando se fazem investimentos antes ou depois. É preciso ter essa calibragem. Crise é para reflexão, não para paralisia.”

Se já não tivesse feito isso em 2012, afirma o empresário, traria a empresa para o Brasil no atual cenário tranquilamente, principalmente pelo crescimento do mercado de e-commerce no País. “Governos vem e vão, o País amadurece. A crise é algo momentâneo e lá na frente vai ser equilibrado. No Brasil, você tem demanda para tudo”, explica.

Mate Pencz, cofundador da Printi: “A demanda existe para quem consegue atender”

Florian Hagenbuch e Mate Pencz, da Printi
Divulgação

Florian Hagenbuch e Mate Pencz, da Printi

A empresa de soluções gráficas online Printi cresceu 190% em 2014. Para o alemão Mate Pencz, cofundador do negócio, o segredo da crise é saber observar as oportunidades.

“A oportunidade permanece. O País é grande, tem uma demanda existente. Quem consegue atendê-la consegue construir um bom negócio”, diz Pencz.

Até a maré ruim que afeta grandes empresas gerar boas oportunidades para o empreendedor. “Esse tipo de clima tem potencial para muitas boas oportunidades. Muitas empresas captaram dívidas e agora estão mal de pernas. Isso é oportunidade para novas empresas entrarem no mercado e ampliarem os negócios.”

Pencz acredita que a época de crise também gera oportunidade para a contratação de bons profissionais. “Vai ser um ano interessante, bom para o mercado em termos de contratação, porque muitos bons profissionais ficarão disponíveis no mercado. Quem tiver visão de longo prazo poderá contratar funcionários chaves”, afirma.

Manny Vegas, COO do AbbraccioCucina Italiana: “Tem mercado no Brasil, não tenho dúvida de que vai dar certo”

Manny Vegas é COO (diretor de operações) do Abbraccio Cucina Italiana Brasil
Abrracciol/Dilvugação

Manny Vegas é COO (diretor de operações) do Abbraccio Cucina Italiana Brasil

 O grupo norte-americano Bloomin’ Brands escolheu o vice-presidente de Operações do Outback Steakhouse, o peruano Manny Vegas, para ser o responsável pelo lançamento de uma nova cadeia de restaurantes, o Abbraccio. A primeira unidade foi inaugurada neste mês, no Shopping Vila Olímpia (zona sul de São Paulo), e faz parte da rede Carraba’s, que começa a se internacionalizar pelo Brasil.

“Esse lançamento vem de um longo planejamento, o que nos indicou que há mercado no Brasil para uma nova proposta como a que desenvolvemos. Não temos dúvida de que vai dar certo e teremos um ótimo resultado”, afirma Vegas.

Para abrir a primeira unidade foram investidos mais de R$ 5 milhões, mesma cifra que deve ser injetada na abertura da segunda unidade, que será inaugurada em 7 de abril, no Shopping Market Place (também na zona sul da capital).

“Para chegarmos à receita do pão que servimos no Abbraccio, demoramos 10 meses em testes. Queria algo perfeito e conseguimos.” O executivo conta que o pão italiano da casa é utilizado na acolhida ao cliente. “Todo cliente, após ser recebido na entrada, segue para sua mesa e, na sequência, é servido de nosso pão italiano quentinho, fresquinho e uma jarra água natural. Pensamos nessa cortesia como forma de agradar e acolher a quem chega”, diz Vegas.

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