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Empresas de ônibus repassaram R$ 250 milhões em propina a políticos

De acordo com arquivo entregue por delatores ao STJ, valor foi repassado entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2016

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Vinte e seis empresas de ônibus “contribuíram” com R$ 250 milhões para a “caixinha” da propina a políticos investigada na Operação Cadeia Velha, segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), contra deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). As informações estão em um pendrive entregue por delatores ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O valor foi aportado pelas empresas no período de janeiro de 2013 a fevereiro de 2016.

As informações foram rastreadas por meio das delações do doleiro Álvaro Novis e do operador Edimar Dantas, ao STJ. Ouvido pela Procuradoria-Geral da República, Novis disse saber que os pagamentos feitos pela Fetranspor (entidade que congrega dez sindicatos de empresas de ônibus responsáveis por transporte urbano) eram realizados para garantir benefícios relacionados a linhas de ônibus e tarifas.

O delator afirmou que as empresas de ônibus entregavam o dinheiro em espécie em transportadoras de valores, em contas para custódia dos recursos arrecadados com passagens. As contas eram usadas para movimentar os valores das empresas de ônibus e para fazer os pagamentos aos beneficiários.

De acordo com o operador, a arrecadação de recursos contava com a atuação coordenada do então presidente do conselho de administração da Fetranspor, Jose Carlos Lavouras, do empresário Jacob Barata Filho, do presidente do Setrerj (Sindicato de Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro), Marcelo Traça, e de Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor.

De acordo com o MPF, Novis “era um operador versátil e não trabalhava com exclusividade”. “Além de ter operado a mando dos empresários de transporte, também admitiu que fez pagamentos em favor de Jorge Picciani e Paulo Melo por ordem de executivos da Odebrecht”, diz a denúncia.

Outro lado
A defesa de Lavouras divulgou breve nota em que repudia as acusações com base em afirmações de delatores. “Delações visam a dar prêmios a criminosos confessos, que ficam impunes. Por isso, delatores reiteradamente faltam com a verdade e induzem autoridades em erro. Por este motivo, tantas delações estão se revelando inconsistentes”, diz o texto.

A defesa de Jacob Barata Filho afirmou, também por nota, que “não há qualquer evidência de distribuição ou recebimento de dinheiro ilícito em prol de qualquer agente público por parte do empresário”.

Também por nota, a Fetranspor informou que “permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários às investigações”.

Fonte: metropoles

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