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Entenda, de uma vez por todas, o que acontece com a Caerd

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Gestão criminosa de Iacira Azamor vem sucateando a companhia, que é uma empresa pública que tem saúde fiscal e financeira para retomar o crescimento

Após divulgação do desmonte que a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia está sofrendo para justificar a sua venda, setores da imprensa, patrocinados pelo Governo, tentam desvirtuar as informações culpando a “Gestão Compartilhada”, finalizada em 2010, e os trabalhadores, pelos desmandos da gestão de Iacira Azamor.

PAINEL POLÍTICO faz um compilado dos números para você, leitor, entender melhor toda a história da Caerd e não cair em um golpe de privatização em que você vai pagar. Para que isso seja feito e necessários retornar ao final década de 90.

Mais precisamente em 1998 quando o cenário da Caerd era de terra arrasada: todas as contas da empresa estavam bloqueadas, em razão de ações cíveis públicas propostas pelo MP/RO; Greve Geral, por conta de 5 meses de salário em atraso; Falta de produtos, insumos, equipamentos em geral e de condições de trabalho.

Não existia saúde fiscal e financeira, a Caerd devia mais de 185 milhões: sendo R$ 48 milhõesi de dívidas trabalhistas; R$ 124 milhões de impostos e encargos; R$ 7 milhões à fornecedores e R$ 4 milhões de Folha de Pagamento e a arrecadação da empresa era de pouco mais de R$ 16 Milhões ao ano.

A proposta dos funcionários

Diante deste cenário e do termômetro da economia, a situação econômica que passava o país e, em especial o Estado de Rondônia, lembrando que o Governo do Estado estava enfrentando a quebra do Beron, a demissão dos 10 mil funcionários, e o Brasil acabara de sair da recessão de 1998, quando o Real foi desvalorizado, os funcionários da Caerd resolveram apresentar uma proposta para tentar salvar a empresa e garantir os seus empregos.

Nessa proposta os funcionários suspenderam os benefícios, as gratificações e greve. Em contrapartida a empresa faria negociação dos mais de R$ 185 Milhões de dívidas e o Estado de Rondônia se tornaria o fiador de um empréstimo que a Companhia faria junto ao Banco do Brasil, para quitar a folha de pagamento de pouco mais de R$ 4 milhões.

Outro ponto importante é que o Governo indicaria o presidente da Companhia e tinha mais 15 cargos comissionados, sendo dos trabalhadores as Diretorias Administrativa e financeira e Técnica e Negócios, preenchida funcionários do quadro próprio.

O suspiro do governo

Diante de tal situação o então Governador, José de Abreu Bianco, avaliando todas as circunstâncias do momento aceitou a proposta. O Acordo foi firmado diante dos órgãos de controle e fiscalização em 25 de Agosto de 2000, com a duração de apenas 6 meses. A experiência foi positiva e a “gestão compartilhada” foi prorrogada até Dezembro de 2002.

Em 2003, Ivo Cassol assume o Governo do Estado, renova o acordo até 31 de Dezembro de 2006 e posteriormente até 31 de Dezembro de 2010.

Fim da “Gestão Compartilhada”

O modelo de gestão compartilhada adotada pela CAERD (Companhia de Água e Esgotos de Rondônia) e pelo SINDUR (Sindicato dos Urbanitários de Rondônia) se transformou em um exemplo positivo para vários setores da administração pública no estado. A gestão compartilhada nasceu, após um longo período de problemas que a CAERD enfrentava com greves, falta de condições de trabalho e prejuízos financeiros, e completou uma década mudando a forma de administrar a companhia.

Com a troca de Governo em 2011, Confúcio Moura assume e desfaz a gestão Compartilhada, nomeando como presidente da companhia o advogado Sérgio Rubens Castelo Branco, que logo fora substituído por Márcia Cristina Luna, em Novembro de 2011.

Os números

No ano 2000, a Caerd tinha 637 funcionários, alguns se aposentaram, outros se desligaram da empresa e em 2010 a Caerd contava com 536 funcionários.

Durante esse período a arrecadação da Companhia saltou de R$ 18 milhões, em 2000, para mais de R$ 90 milhões em 2010. Sendo que a folha de pagamento em 2010 era de pouco mais de R$ 44 milhões.

Outro índice notável foi as ligações de água da Caerd que contava com 104.977 ligações em 2000 e passou para 194.865 ligações de água.

Desta forma, e de maneira eficiente a Caerd passou a arrecadar mais e gastar menos, liquidando sua dívida de 185 milhões. Ao final da “gestão compartilhada” a empresa devia menos de 10 milhões, estava com a folha de pagamento em dias, e contava com financiamentos da Funasa para ampliação da rede de abastecimento de água em vários municípios de Rondônia e com R$ 1 bilhão do PAC para ampliação e implantação de redes de água e esgoto na capital.

Administração Confúcio Moura

Iacira Azamor vem conseguindo destruir o que resta da empresa

Em 2012 a Caerd abre concurso público para admitir novos servidores. Foram ofertadas 1.018 vagas no total, sendo 184 de preenchimento imediato e 834 para cadastro de reserva, com salários entre R$ 2.524,01 e R$ 3.365,35. Deste concurso a Companhia nomeou 220 concursados.

Durante esse período a criação de cargo comissionado começa se aglutinar na folha de pagamento da empresa. Entre 2010 e 2013 eram apenas 6 cargos “CAS”.

Iacira Azamor assume presidência da Companhia em 2014 e junto com ela os cargos comissionados saltam para 28, 2015 sobe para 56 cargos e em 2016 são mais de 112 cargos comissionados. Em 2015, 76 funcionários foram transpostos para o quadro da União, mesmo assim em Dezembro de 2016 a empresa contava com mais de 770 funcionários e a folha de pagamento saltou para mais de R$ 70 milhões, a Receita chega aos R$ 112 milhões, desta forma a folha passa a consumir 62% da arrecadação da Caerd. Os gastos com cargos comissionados batem o custo de 10 milhões.

Privatização e perda de concessões

Durante esse crescimento das despesas da companhia, aliado a falta de investimentos, a Caerd perdeu importantes concessões como as de Ariquemes, Pimenta Bueno e Rolim de Moura.

Nessas cidades as prefeitura decidiram não renovar a concessão com a Caerd e passaram para o setor privado o gerenciamento, implantação e ampliação das redes de água e esgoto.

Porto Velho e Ji-Paraná, as maiores cidade de Rondônia, também começam sinalizar que não vão revalidar a concessão com a companhia.

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