Entenda possível relação entre o caso Celso Daniel e a Operação Lava Jato

Empresário de Santo André recebeu R$ 6 milhões do esquema na Petrobras. Prefeito da cidade, que era filiado ao PT, foi assassinado em 2002

A 27ª fase da Operação Lava Jato, realizada nesta sexta-feira (1º), prendeu Ronan Maria Pinto, empresário de Santo André (SP). Ele é suspeito de receber R$ 6 milhões do esquema de corrupção da Petrobras investigado pela Polícia Federal. No despacho em que autoriza a prisão, o juiz Sérgio Moro cita a morte do prefeito da cidade, Celso Daniel (PT), em 2002, e diz que “é possível” que o crime tenha “alguma relação” com um esquema de corrupção que existia na prefeitura da cidade.

No ano passado, Ronan foi condenado por envolvimento em um esquema no setor de transportes de Santo André entre 1999 e 2001. A decisão não é definitiva. Ao autorizar a prisão temporária do empresário, Moro lembrou a condenação e, em seguida, escreveu ser “possível que este esquema criminoso tenha alguma relação com o homicídio, em janeiro de 2002, do então Prefeito de Santo André, Celso Daniel, o que é ainda mais grave”.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, Celso Daniel foi morto porque descobriu a cobrança de propinas e tentou impedi-la. Os desvios abasteceriam o “caixa dois” do PT, segundo promotores. No entanto, para a polícia, o petista foi morto num crime comum.

O assassinato
Celso Daniel foi sequestrado após jantar, na capital paulista, com o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sérgio Sombra, suspeito de ser o mentor do homicídio. No retorno para Santo André, os dois notaram que a Pajero de Sombra estava sendo seguida.

De acordo com o MP, três carros perseguiram a Pajero, até o veículo parar devido a disparos. Celso Daniel foi, então, forçado a entrar em outro carro. O corpo dele foi encontrado dois dias depois em uma estrada de Juquitiba, na Região Metropolitana de São Paulo, com sinais de tortura e oito tiros.

Sete pessoas foram acusadas pelo crime – entre elas, Sombra – e seis já foram condenadas à prisão (veja abaixo as condenações).

Sombra responde em liberdade devido a um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda não foi julgado por causa de recursos que seguem em andamento.

Esquema de Ronan e Sombra
Em novembro de 2015, Sombra foi condenado pela participação no esquema criminoso de cobrança de propina de empresas de transportes contratadas pela prefeitura de Santo André. Ele foi sentenciado a 15 anos, seis meses e 19 dias de prisão, em regime fechado. Também foi obrigado a pagar multa pelos crimes de concussão e corrupção passiva.

Na mesma ação, também foram condenados Ronan e o ex-secretário de Serviços Municipais da cidade, Klinger Luiz de Oliveira Sousa. A pena de Ronan foi de 10 anos, quatro meses e 12 dias de reclusão, em regime fechado, e pagamento de multa por concussão e corrupção ativa. Todos os três condenados alegaram inocência.

Ronan é dono do jornal “Diário do Grande ABC” e de empresas do setor de transporte e coleta de lixo. Segundo a sentença, o esquema ameaçava empresários que não dessem dinheiro de terem os contratos com a prefeitura suspensos.

27ª fase da Lava Jato
O Ministério Público Federal diz que o pecuarista José Carlos Bumlai, que já foi preso pela Lava Jato e é amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contraiu um empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin em outubro de 2004. O objetivo seria quitar dívidas do PT.

O empréstimo foi pago por intermédio da contratação fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão. Como foi favorecido para obter o contrato, parte do lucro dele na operação quitou o débito.

As investigações descobriram que, do valor total emprestado de R$ 12 milhões a Bumlai, pelo menos R$ 6 milhões foram pagos ao empresário Ronan Maria Pinto. Os investigados usaram várias estratégias para transferir os recursos, arquitetando um esquema de lavagem de dinheiro que envolveu Ronan, pessoas ligadas ao PT e outras pessoas.

O pagamento feito por Bumlai a Ronan apareceu, pela primeira vez, em um depoimento do publicitário Marcos Valério, condenado por ser operador do esquema do mensalão. Em 2012, ele disse à Procuradoria-Geral da República que Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, o procurou em 2004 para falar sobre as chantagens feitas por Ronan. Em reunião com Pereira e o publicitário, Ronan teria pedido os R$ 6 milhões.

Condenados no caso Celso Daniel:
Novembro de 2012 – Itamar Messias dos Santos é condenado a 20 anos de prisão
Agosto de 2012 – Elcyd Oliveira Brito é julgado e recebe pena de 22 anos de prisão
Novembro de 2010 – Marcos Bispo dos Santos recebe pena de 18 anos
Maio de 2010 – Ivan Rodrigues da Silva é condenado a 24 anos de reclusão
Maio de 2010 – José Edison da Silva, recebe a pena de 20 anos de prisão
Maio de 2010 – Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira Silva é condenado a 18 anos

G1

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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