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Esquema de corrupção Buritis tinha pacto de morte, diz MP

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Envolvidos poderiam morrer, caso delatassem esquema, aponta investigação. Prefeito e seis vereadores foram afastados em Buritis

Investigações do Ministério Público de Rondônia (MP-RO) apontam que envolvidos em um suposto esquema de corrupção formado por integrantes da prefeitura, Câmara de Vereadores e empresários de Buritis (RO) tinham um pacto de morte e quem delatasse as ações do grupo seria morto. Na última segunda-feira (30), o prefeito Antônio Correia de Lima (PMDB), seis vereadores e mais cinco servidores do município foram afastados dos cargos por determinação da Justiça. O grupo pode ter desviado cerca de R$ 5 milhões dos cofres públicos.

O MP-RO indica que durante as apurações foi descoberto um esquema de pagamento de mensalinho na Câmara de Vereadores. Segundo as investigações, o prefeito pagava propina ao grupo de seis vereadores, por meio de empresários do município. Os valores eram repassados aos parlamentares, mensalmente, em troca de apoio político. Além das vantagens econômicas, os parlamentares eram beneficiados em contratos administrativos.

Promotor de Justiça Jônatas Albuquerque (Foto: Eliete Marques/G1)
Promotor de Justiça Jônatas Albuquerque
(Foto: Eliete Marques/G1)

O promotor de Justiça Jônatas Albuquerque explica que os afastamentos foram motivados em consequência da Operação Perfídia, realizada pelo MP-RO e Polícia Civil, do último dia 17 de março. “O prefeito visava conseguir apoio na base governista, de forma que todos os seus projetos fossem aprovados. Pelo que levantamos, nenhum projeto do prefeito foi rejeitado. Neste acordo, há informações nos autos que havia um pacto de morte. Pessoas que chegassem a falar para as autoridades iriam morrer”, conta.

Conforme o promotor, no cumprimento de mandados de busca e apreensão durante a operação, documentos encontrados nas residências, materializaram as investigações. Além disso, depoimentos também confirmaram a existência do mensalinho na Câmara de Vereadores. “Alguns empresários se mostraram insatisfeitos com esta situação de ter que pagar. Eles se sentiram extorquidos por alguns agentes políticos, vieram ao MP e prontamente trouxeram documentos e informações”, enfatiza Albuquerque.

Afastamento
Além do chefe do executivo, foram afastados um grupo de seis vereadores conhecido como “G-6”, sendo o então presidente da Câmara de Vereadores, Raimundão (PTB) e outros cinco parlamentares: Júlio Fisioterapeuta (PT do B), Júlio do Laboratório Central (PTB), Reinaldo Silvestre de Souza (PSD), Diamante Negro (PSD) e Jaci (PSD).

Ainda foram afastados, a secretária de Assistência Social e do Trabalho (Semast), Neuselice Caetano Vieira; o pregoeiro Roberto Rodrigues da Silva; o presidente da Comissão Permanente de Licitações de Materiais e Serviço (CPLMS), Cristiano Bianques Campos Silva; a diretora de pesquisas de preços Daiana de Souza Silva; e, o secretário de Meio Ambiente (Semma), Dirceu Peres Valverde.

Prefeito disse em nota que não tem envolvimento com investigações (Foto: Prefeitura/Divulgação)
Prefeito Antônio Correia foi afastado
(Foto: Prefeitura/Divulgação)

Nova administração
Em sessão extraordinária e solene da Câmara de Vereadores, na noite de segunda-feira (30), foram empossados os suplentes dos vereadores afastados, mais o vice-prefeito Oldeir Ferreira de Souza (PSDC), como prefeito interino. Ao todo, são 11 vereadores na casa.

O novo presidente da Câmara de Vereadores, Aurino Correia de Lima (PSDB) é irmão do prefeito afastado, Antônio Correia, e explica que o município está em reestruturação política. “A população espera Justiça e precisamos mostrar que nem todos os vereadores estavam envolvidos. Aquilo que for preciso será feito”, enfatiza.

Outro lado
O presidente da câmara afastado, Raimundão (PTB), diz que a justiça irá provar sua inocência. “Estou sendo acusado de enriquecimento ilícito, mas hoje tenho menos do que tinha antes de ser vereador. Não tenho propriedades nenhuma e pago aluguel”, declara.

Júlio Cesar Antunes Quarezemin (PT do B) disse que não tem conhecimento do mensalinho. “Procurei um advogado para pegar o processo, pois não sei direito do que se trata”, alega.

Milton Borges Gomes (PSD) foi contatado, mas não quis falar sobre o assunto. Outros envolvidos também foram procurados, mas não foram encontrados ou não retornaram as ligações.

Investigações foram iniciadas pelo MP-RO há seis meses (Foto: Eliete Marques/G1)Investigações foram iniciadas pelo MP-RO há seis
meses (Foto: Eliete Marques/G1)

Entenda o caso
A Operação Perfídia foi deflagrada no último dia 17 de março após a descoberta de um suposto esquema nas secretarias municipais de Obras (Semob) e de Educação, Cultura e Esporte (Semece) de Buritis, que desviou de cerca de R$ 5 milhões no período de 2013 a 2014.

De acordo com o MP-RO, a suposta quadrilha falsificava documentações e licitações para beneficiar agentes públicos e empresários da cidade. Os envolvidos são suspeitos de diversos crimes, entre eles falsidade ideológica, uso de documento falso, peculato, concussão e corrupção.

A Operação Perfídia teve início no ano passado e investiga o suposto esquema há aproximadamente seis meses. As apurações devem ter continuidade.

G1

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