Está triste? A tendência é você gastar mais; e as operadoras de crédito já adotam medidas, ao menos nos EUA

O dado não surpreende quando 59% dos divorciados nos Estados Unidos dizem que as finanças foram responsáveis, pelo menos em parte, pelo fim do casamento

Sempre que as operadoras nos Estados Unidos descobrem que alguém se divorciou, cortam o limite do seu cartão de crédito. Pior ainda se for um homem, o valor cai pela metade. Pode parecer uma medida sem sentido ou mesmo injusta, mas na prática, diz o autor americano Charles Duhigg, que conta a história no livro “O poder do hábito”, as empresas economizam. Bisbilhotando o perfil do Facebook dos clientes – prática que é permitida no país –, matemáticos notaram que muitas vezes quando alguém mudava de status para “solteiro”, perdia o controle dos gastos.

O dado não surpreende quando 59% dos divorciados nos Estados Unidos dizem que as finanças foram responsáveis, pelo menos em parte, pelo fim do casamento, segundo uma pesquisa da Experian. Mas um estudo mostra que pelo menos no pós-separação existe uma razão emocional no descontrole financeiro.

A miopia da tristeza é um estado, temporário, que leva as pessoas a ignorarem ganhos futuros em nome de recompensas imediatas. Mas não só: o próprio gasto desperta mais satisfação do que a recompensa em si, dizem os professores e psicólogos Ye Li, da Universidade Riverside, na Califórnia, Jennifer Lerner, da Escola Kennedy de Governança e cofundadora do Centro de Ciência da Decisão de Harvard, e Elke U. Weber, da Universidade de Columbia.

As pessoas, lógico, não querem jogar dinheiro fora ou pagar mais do que deviam pelas coisas e o curioso é que o grupo de “tristes gastadores” era considerado até alguns anos o menos propenso a sair comprando sem controle. A tristeza é usualmente vista na literatura como um antídoto para o otimismo em excesso e a ansiedade, que levavam toda a culpa nas apostas arriscadas. No entanto, uma série de estudos de Jennifer Lerner na última década e meia contestou essa premissa.

Na pesquisa sobre a miopia da tristeza, 200 alunos de Harvard e Columbia tiveram de assistir a vídeos com cenas tristes, como a morte do protagonista, interpretado pelo ator Jon Voight no filme “O Campeão”, de 1979, ou a ameaça de extinção da Grande Barreira de Corais, na Austrália. Em seguida, decidiam se preferiam receber créditos no site da Amazon na mesma hora ou até o dobro em dinheiro entre uma semana e seis meses depois. Entre aqueles que se diziam mais afetados pelos vídeos, a escolha pela recompensa imediata foi até 34% maior.

Em outro estudo, conduzido por Jennifer Lerner e as pesquisadoras Deborah A. Small, da Escola de Negócios de Wharton, e George Loewenstein, professor da Universidade Carnegie Mellon, voluntários assistiram aos mesmos vídeos e depois usavam um “home broker” em que metade deles tinha de vender e outros, comprar um objeto. Os dois grupos começaram a agir de forma perdulária. Os vendedores baixavam o preço demais enquanto os compradores aceitavam pagar acima do preço de venda.

Os trabalhos também mostram que a tristeza faz com que uma pessoa avalie melhor um novo produto sendo lançado. O dado curioso é que não se trata apenas de finanças. Um terceiro estudo de Jennifer Lerner, em parceria com Nitika Garg, da Universidade do Mississipi, aponta que, tristes, somos também mais propensos a escolher comidas pouco saudáveis, gordurosas e doces.

Todos estes comportamentos, sugerem os estudos, ocorreram devido ao desejo de mudança. Enquanto compra algo, caso esteja numa situação de tristeza, você tenta abandonar uma situação desagradável. Estar triste não é bom para ninguém, mas ainda pior quando a decisão tem efeitos mais duradouros nas finanças. Como diz aquela música famosa, “tristeza não tem fim”. Mas dinheiro, sim.

G1/Economia

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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