Ex-delegado acusado de matar missionário espanhol é condenado a 14 anos de prisão

Acusado de matar o missionário espanhol Vicente Cañas em 1987, o delegado aposentado Ronaldo Antônio Osmar foi condenado a 14 anos e três meses de prisão pelo crime, após passar por júri popular nesta semana. O ex-delegado havia sido absolvido em 2006, entretanto, foi julgado novamente após recurso do Ministério Público Federal (MPF). Ainda cabe recurso da sentença.

De acordo com a sentença, assinada pelo juiz Paulo Cézar Alves Sodré, da Justiça Federal, os jurados reconheceram a materialidade do delito e que o réu foi autor do crime. Ronaldo foi condenado por homicídio qualificado.

Vicente Cañas, missionário jesuíta, vivia com os índios Enawenê Nawê quando foi morto, em abril de 1987, aos 46 anos de idade. O corpo do missionário foi encontrado em avançado estado de decomposição no dia 16 de maio, à beira do Rio Juína, a 737 km de Cuiabá.

O missionário jesuíta Vicente Cañas (Foto: Arquivo Cimi/Divulgação)

À época, a perícia apontou sinais de violência na habitação em que o jesuíta morava e sinais de golpes de porrete e de uma peixeira no corpo dele.

Na época do crime, a investigação apontou uma trama entre o delegado aposentado e os fazendeiros da região, que tinham interesse nas terras indígenas. Vicente lutava contra as invasões. As provas de acusação apontaram que o acusado acordou a morte do missionário com oito homens.

O delegado, que na ocasião comanda a Polícia Civil de Juína, a 737 km de Cuiabá, assumiu a investigação do assassinato. O inquérito chegou a apontar a responsabilidade da morte do missionário aos indígenas.

Na sentença, o magistrado afirma que Ronaldo agiu de forma oposto aos seus deveres funcionais. Isso porque, o réu “tinha, portanto, o dever de prevenir e repreender a prática de infrações penais”. Ronaldo poderá recorrer em liberdade da sentença.

O missionário tinha dez anos de convivência com os índios quando foi morto. Era considerado um deles e tinha o nome indígena de Kwixi.

O corpo do missionário foi enterrado na aldeia indígena (Foto: Arquivo Cimi/Divulgação)

Fonte: g1

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