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Ex-presidente da Assembleia de MT é preso em esquema que pode ter movimentado mais de R$ 640 milhões em corrupção

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Um dos investigados, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do estado, José Riva (PSD), foi preso neste sábado por desvio de dinheiro público. Ministério Público apura participação de ex-governador e de um ex-secretário de estado em irregularidades em obras da Copa

 

O ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Riva (PSD), foi preso no último sábado (21) por suspeita de participar de um esquema de desvios no Legislativo por meio de licitações fraudulentas. A prisão preventiva, decretada pela juíza Selma Arruda, da Vara de Combate ao Crime Organizado, e realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), é resultado da Operação Imperador, que investiga o esquema que pode ter envolvido R$ 60 milhões. Denúncia criminal oferecida pelo Ministério Público na semana passada lista, além do parlamentar, sua esposa, Janete Riva, e outras 14 pessoas.

Riva já havia sido preso no ano passado, por conta de outra investigação, a Operação Ararath, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, junto com Éder Moraes, que foi secretário da Casa Civil, da Fazenda do estado e titular da Secretaria Extraordinária da Copa no Mato Grosso. PF e MPF apuram um suposto esquema de transações financeiras clandestinas que teria vigorado no estado desde 2005, podendo atingir ao menos R$ 640 milhões.

Neste domingo (23), um dos supostos operadores do esquema investigado pela Ararath, o comerciante Júnior Mendonça, foi entrevistado em reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, sendo a primeira vez que ele falou a respeito do assunto na mídia. “Minha participação se dava com realizações de alguns empréstimos. Eu era procurado pelo Legislativo, pelo senhor Riva; pelo Executivo, pelo senhor Éder, que representava o governo do estado de Mato Grosso”, disse.

Éder Moraes deu cinco depoimentos ao Ministério Público e diz que cumpria ordens do então governador Sival Barbosa (PMDB) para pagar dívidas com Júnior Mendonça. “Me procuravam, sempre, para extrair da minha, vamos dizer assim, da minha cabeça, as engenharias para se resolver várias situações”, afirmou em um dos depoimentos. Moraes seria o homem-chave do ex-governador para negociar com os deputados estaduais o apoio na tramitação de projetos e aprovação das contas do governo do estado.

Alguns dias após ter dado o depoimento, o ex-secretário fez uma retratação ao Ministério Público pedindo que o primeiro depoimento fosse desconsiderado, já que ele estaria “extremamente tomado pela emoção de não ter sido atendido em uma escolha para então ocupar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso”, mas o Ministério Público não considera o depoimento de Moraes nulo.

Parte do dinheiro do esquema seria desviado em função de obras da Copa do Mundo, como a construção do estádio Arena Pantanal e do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), até hoje inconcluso, além de viadutos mal concluídos.

Ficha suja

Após ter sido preso na Operação Ararath em 2014, José Riva, que era candidato a governador de Mato Grosso, teve a candidatura indeferida pela Justiça e foi substituído por sua esposa, Janete Riva (PSD). O ex-parlamentar responde a 120 ações cíveis e criminais na Justiça e, de segundo a organização Transparência Brasil, ele, sozinho era responsável por 36% dos processos sofridos por candidatos a governador em 2014.

De acordo com a juíza que decretou a prisão de Riva, o ex-parlamentar é um “ícone da corrupção” e da impunidade no Mato Grosso. “Ora, como bem assinalou o Ministério Público, o réu é um ícone da corrupção em nosso estado, mas acrescento: também é um ícone da impunidade, um verdadeiro mau exemplo a todos os cidadãos de bem que pagam seus impostos, trabalham diuturnamente, e não cometem delitos porque temem as consequências”, afirma a magistrada em trecho de sua decisão.

Ex-deputado divide cela sem ar ou TV com acusado de estupro

O ex-deputado estadual José Riva (PSD), preso por participação em um suposto esquema de desvio de dinheiro público na Assembleia Legislativa (AL), divide cela com um professor, acusado de estupro, no Centro de Custódia de Cuiabá, anexo ao Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC).

O professor de 64 anos, foi preso em 2012, acusado de abusar de pelo menos oito alunos.

De acordo com informações da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, Riva não está recebendo tratamento diferenciado e segue as regras da unidade prisional.

Ele tem feito três refeições diariamente e dorme em uma cela, sem ar condicionado ou televisão.

Até esta segunda-feira (23), o ex-deputado recebeu somente a visita de um de seus advogados, pois ele está em um período de triagem – tempo necessário para que o detido entre no sistema penitenciário.

Após esse período, o ex-deputado poderá receber visitas de parentes, liberadas às quartas-feiras e domingos, conforme regras do Centro de Custódia.

Na tarde de domingo (22), o ex-genro de Riva, o ex-vereador João Emanuel esteve no Centro de Custódia, mas foi impedido de entrar.

A prisão

Riva foi preso em sua residência, em Cuiabá, por volta das 14 horas do último sábado (21), pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado durante a ‘Operação Imperador’.

Dez homens e quatro viaturas participaram da ação, no bairro Santa Rosa. Riva teria desviado cerca de R$ 62 milhões da Casa de Leis, no período em que era presidente da instituição.

Ele ocupou cadeira de deputado estadual por mais de 20 anos e alternou as funções de presidente e de primeiro-secretário.

A juíza Selma Arruda, da Vara Especializada de Combate ao Crime Organizado, foi quem decretou a prisão preventiva.

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