Ex-senador Mário Calixto vai cumprir pena em presídio federal

No auge de seu poder, Calixto desafiava órgãos como o Ministério Público e Tribunal de Contas. Também atacava o Judiciário

O ex-senador e ex-empresário, ex-dono do falido jornal O Estadão do Norte e que já foi um dos homens mais poderosos de Rondônia, Mário Calixto Filho deverá ser transferido para um presídio federal devido ao seu “alto grau de periciulosidade”.

Respondendo a diversas ações criminais – algumas com trânsito em julgado – , Mário está preso numa das penitenciárias estaduais da capital desde que foi capturado em Balneário Camboriu (SC) após anos de fuga, período em que esteve na Bolívia e depois retornou ao Brasil. Mário teve sua fuga facilitada de um hospital particular onde foi internado sem conhecimento da justiça. Na época, ele evadiu-se para não ser transferido para um presídio federal.

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Desde o início dos anos 80, Mário Calixto mandou e desmandou na política de Rondônia. As eleições para a presidência da Assembleia Legislativa passavam, necessariamente, pelo seu aval. Deputados estaduais iam em romaria até a sede do Jornal O Estadão para pedir benção a Calixto.

Com os postulantes a cargos executivos – prefeitos e governadores – não era diferente.

Uma vez eleitos, presidentes da Assembleia Legislativa , governadores e prefeitos escancaravam as portas – e os cofres – das administrações para o então empresário, temendo retaliações no Estadão.

No auge de seu poder, Calixto desafiava órgãos como o Ministério Público e Tribunal de Contas. Também atacava o Judiciário. E ai do político que caisse em desgraça com ele.

Ser alvo de uma campanha sistemática no Estadão do Norte era o pesadelo de políticos e outros homens públicos.

Com o seu envolvimento em sucessivos escândalos de corrupção, como a Operação Titanic, e a diversificação dos meios de comunicação no Estado (a criação de diversos sites de notícias), ele foi perdendo sua força política, ao mesmo tempo em que as condenações judiciais se sucediam.

Hoje, com mais de 70 anos, abatido, Mário Calixto nem de longe lembra o tempo em que não precisava ser anunciado para entrar em gabinetes de governadores como Jerônimo Santana, Osvaldo Piana, Valdir Raupp e José Bianco, ou na Presidência da Assembleia, onde sentava na cadeira do chefe do Poder Legislativo e ditava ordens.

Neste mês, em ofício ao juiz federal Walisson Gonçalves Cunha, da 3ª Vara da Seção Judiciária Federal da Comarca de Porto Velho, o também juiz Renato Bonifácio de Melo Dias, da Vara das Execuções Penais da Comarca da capital, afirmou que “persiste o interesse na inclusão do apenado MÁRIO CALIXTO FILHO no Sistema Penitenciário Federal, haja a vista a fragilidade do Sistema Penitenciário Estadual para comportar, por ora, tal preso, o que restou comprovado face a evasão do reeducando que, utilizando-se do seu poder aquisitivo, além de ser empresário e ex Senador
da República, encontrou ‘facilidades’ para se manter a margem da Lei”.

Na prática, o magistrado estadual solicitou ao federal que disponibilize uma vaga para Mário Calixto num presídio administrado pela União.

Em ofício anterior, o juiz Renato Bonifácio havia anotado: ” Aliás, depois que o apenado se evadiu do sistema prisional local e foi encontrado anos depois em outro Estado da Federação. Os antecedentes na execução penal (fuga), aliado ao alto poder executivo e político do apenado indicam que o frágil sistema prisional local não comporta a sua pessoa sem risco de fuga e prática de outros crimes que envolvem às fugas.Pelos elementos amealhados nos autos, o apenado além de ser empresário e ex-senador da República, o que acena para a necessidade de maior proteção evitando-se, assim, nova fuga”.

Com informações do Tudorondonia

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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