Expedito Netto atinge a “maioridade” política ao defender temas polêmicos

Filho do ex-senador Expedito Júnior, deputado federal conquistou seu próprio eleitorado

O que parecia ser apenas mais um caso de “filho de político que herda o mandato” tornou-se uma grande surpresa no complicado cenário político brasileiro. Expedito Gonçalves Ferreira Netto (PSD) foi eleito em 2014 sem grandes expectativas por grande parte da população rondoniense. Em uma campanha onde o pai, o ex-senador Expedito Júnior concorreu ao governo de Rondônia (e perdeu), Netto obteve 25.691 votos.

Com fama de “impulsivo” e “cabeça quente”, por ter protagonizado algumas discussões acaloradas com o senador Ivo Cassol durante a campanha de 2014, quando chamou Ivo de “galinha choca”, havia deixado a impressão que, no Congresso, seria apenas um coadjuvante do chamado “baixo clero”.

Mas quando Netto assumiu, em 2015, o país já começava a se preparar para o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Cunha (PMDB), então ‘todo poderoso’ da Câmara dos Deputados, dava às cartas. E foi Cunha o primeiro alvo de Netto, que na votação do impeachment declarou “gostaria de dizer que hoje estamos votando o processo de impeachment da Dilma, mas amanhã é o seu (dirigindo-se ao presidente da Câmara). Contra a corrupção, venha ela de onde vier. Voto sim!”.

Pessoas próximas ao deputado acharam que ele tinha dado “um tiro no pé” ao comprar briga com Eduardo Cunha, afinal ele era um recém-chegado e poderia sofrer retaliações por parte do presidente da Casa. Mas Cunha não teve tempo para isso, seria afastado dali a alguns meses. Netto tinha razão.

Meses mais tarde, Netto entraria com uma ação no Supremo Tribunal Federal requerendo a inelegibilidade da ex-presidente Dilma Rousseff, questionando a divisão da votação no Senado que julgou por definitivo a saída de Dilma Rousseff do cargo de Presidente da República.

O parlamentar contestou a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, em ter acatado o destaque. Segundo ele, o Artigo 52 do parágrafo único da Constituição é claro ao descrever que “somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíeis”.

“A Constituição é clara ao mostrar que após a cassação a pena de ilegibilidade deve ser aplicada, são fatores decorrentes um do outro. É como se estivéssemos rasgando a Constituição Federal”, enfatizou o deputado.

Porém, a “maioridade política” de Netto viria algum tempo depois, durante o “toma-lá-dá-cá” do governo Temer, que buscando apoio para votação das reformas, começou a colocar os deputados na parede, exigindo votos favoráveis em troca de cargos nos estados e liberação de emendas. Netto rapidamente se posicionou afirmando que “não estava no Congresso para conseguir cargos” e que “votaria com o que fosse melhor para o povo de Rondônia”. Em outubro de 2016 ele foi o único parlamentar rondoniense a votar contra a PEC do “Teto dos Gastos Públicos” (Proposta de Emenda à Constituição 241/16), que estabelece limite para os gastos federais para os próximos 20 anos.

A PEC cria limites individualizados para: Poder Executivo; tribunais e Conselho Nacional de Justiça no Judiciário; Senado, Câmara dos Deputados e Tribunal de Contas da União (TCU) no Legislativo; Ministério Público da União e Conselho Nacional do Ministério Público; e Defensoria Pública da União.

Na época Netto afirmou que “controlar os gastos públicos é fundamental, mas isso não pode acontecer às custas da população. Todos nós sabemos a situação da educação e da saúde em nosso país. Com esse novo regime, qualquer gasto nessas áreas só será corrigido pela inflação do ano anterior, independente do quanto o país cresça nas próximas duas décadas”.

Netto também foi o único da bancada rondoniense que não votou à favor da reforma trabalhista, o que garantiu sua popularidade junto aos servidores públicos de Rondônia, que através de seus sindicatos agradeceram a posição do parlamentar.

“Surpreso com seu crescimento”

O ex-senador Expedito Júnior se diz surpreso com o crescimento de Netto, “achava que levaria um tempo maior para ele ter segurança em tomar decisões tão importantes, mas ele faz isso com tranquilidade. De vez em quando conversamos, ele faz alguns questionamentos mas toma suas próprias atitudes. Para mim foi uma grata surpresa, mas não para a mãe dele (advogada Val Ferreira), ela sempre disse que ele seria um grande nome na Câmara”, afirmou o ex-senador.

Expedito Netto e o pai, o ex-senador Expedito Júnior

E os posicionamentos de Netto estão repercutindo junto ao eleitorado de Rondônia. Com visitas frequentes aos municípios, o deputado vem cumprindo agenda de compromissos de seu gabinete, deixando de lado a política partidária. Por onde tem passado, Netto vem sendo reconhecido pelo trabalho, e com isso, tem conseguido um destaque positivo em uma época onde os políticos estão sendo demonizados por grande parte da população.

E Netto já se coloca como opositor a praticamente todas as reformas que estão sendo propostas pelo governo, “eu não estou preocupado com o que o governo quer, estou preocupado com o que a população do meu estado e do Brasil quer, isso é o que importa”, declarou o deputado.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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