Fã viaja 23h para acompanhar missa em memória de Cristiano Araújo; morte do cantor completou 2 anos

Apaixonada pelo cantor Cristiano Araújo, a vendedora Daiane Garcia, de 26 anos, não mede esforços para manter viva a memória do artista, que morreu há dois em um acidente de carro. Tanto que a fã viajou por 23 horas de ônibus exclusivamente para acompanhar a missa em homenagem ao sertanejo, realizada na noite de quinta-feira (22), em Goiânia.

A jovem mora em Manhuaçu (MG), distante 1.165 km da capital goiana. Ela conta que por pouco não perdeu a celebração, mas comemorou ter chegado a tempo de fazer suas orações pelo ídolo.

“Viajei 23 horas. Cheguei 40 minutos antes de começar a missa. Foi uma correria muito grande. Não ia dar para eu vir, mas eu fiz muita força e consegui, assim como na missa de um ano. Sou muito fã do Cristiano. Quem me conhece sabe que eu o acompanhei desde o início da carreira dele. Faço questão de sempre estar presente”, afirmou.

A vendedora vestia uma camiseta com a foto de Cristiano e os dizeres “o que temos para hoje é saudade”, um dos versos da música “Cê que sabe”. Assim como milhares de pessoas, Daiane considera o dia 24 de junho, quando Cristiano morreu junto com a namorada, Allana Morais, uma data que causa “aperto no coração”.

“É muito triste não só para mim, como para todos os fãs, familiares, amigos. Vai chegando dia 24 dá aquele aperto no coração. É a mesma sensação e a mesma dor. Ele está eternizado”, lamenta.

Morte do cantor completou 2 anos

Saudade é o sentimento compartilhado por fãs do cantor Cristiano Araújo, que morreu aos 29 anos junto com a namorada Allana Moraes, de 19, em um acidente de carro na BR-153, em Goiás, há exatos dois anos. Entre eles estão as paulistas Maria Aparecida Silva e Denise Ferreira, que se hospedarão durante um mês em Goiânia para cuidar do jardim do jazigo do ídolo, no Cemitério Jardim das Palmeiras.

“Todos os meses pagamos para levar rosas no cemitério, porque a flor representa o nosso amor por ele. Agora, planejamos ir todos os dias lá no cemitério para cuidar de tudo”, contou Maria Aparecida.

As fãs também marcaram no corpo o amor a Cristiano. Maria Aparecida, por exemplo, tatuou há um mês parte da letra de uma música e as iniciais do nome dele no ombro: ‘Amo até o céu C.A.’. Ela ainda planeja desenhar o rosto dele.

“Eu não pensava em fazer uma tatuagem, mas o amor por ele me fez mudar de ideia. Tatuei no meu corpo o que está tatuado no meu coração há muito tempo”, revelou.

Mesmo após a morte do cantor, vários fã-clubes seguem ativos. Criador de um dos maiores grupos, o Brothers do Cris, Antônio José Lopes Sousa, de 21 anos, possui quase 66 mil seguidores em uma rede social. Ele faz questão de manter a página mesmo após a morte do cantor.

Cristiano Araújo (Foto: Cléber Carvalho/Divulgação)

 

Acidente

O acidente aconteceu no dia 24 de junho de 2015, na BR-153, em Morrinhos, quando o sertanejo voltava para Goiânia após um show em Itumbiara, no sul do estado. Além dos namorados, também estavam no veículo, uma Range Rover, o motorista, Ronaldo Miranda, e o empresário Victor Leonardo. Os dois últimos ficaram feridos, mas deixaram o hospital dias depois.

O motorista perdeu o controle do veículo por volta das 3h10 daquela madrugada, 21 minutos após fazer uma parada em um posto de combustíveis. O carro saiu da pista e capotou.

O casal viajava no banco traseiro. Allana, na época com 19 anos, morreu no local. Já o cantor, de 29, foi socorrido e levado para o Hospital Municipal de Morrinhos. Depois, o transferiram em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Móvel até Goiânia. Assim que chegou à capital, ele foi levado em um helicóptero ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Apesar dos esforços para socorrê-lo, Cristiano não resistiu aos ferimentos.

Dados recolhidos da “caixa preta” do veículo mostram que o carro estava a 179km/h cinco segundos antes do acidente. Além disso, o casal não usava cinto de segurança.

O delegado responsável por investigar o acidente, Fabiano Henrique Jacomelis, concluiu que o motorista foi negligente e imprudente, mas não cometeu o ato intencionalmente. Por isso, a Polícia Civil indiciou Ronaldo por duplo homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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