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Filme sobre Janis Joplin destaca lado contestador da cantora

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Não é segredo que Janis Joplin ajudou a mudar a cara do rock ´n roll nos idos dos anos 60. Não é segredo, também, que sucumbiu à heroína e morreu de overdose na fatídica idade dos 27 anos – uma tragédia que muitos talentosos músicos ajudaram a tornar uma espécie de maldição na música internacional.

O que, portanto, um documentário sobre sua vida e carreira poderia ofertar? A cineasta Amy J. Berg, documentarista indicada ao Oscar por “Livrai-nos do Mal” (2006), mostra com “Janis: Little Girl Blue” (2015), que estreia nesta quinta-feira (7) em São Paulo, que há muito a se descobrir sobre Janis Joplin.

Sem ser taxativa, Berg investiga sua personagem, francamente convidativa ao olhar do cinema, com a curiosidade de quem sabe que está no encalço de algo que vale a jornada. Com depoimentos de familiares, antigos colegas de escola, paixões do passado e ex-integrantes das bandas Big Brother & The Holding Company e Kozmic Blues Band, Berg tece um painel da menina que sonhava ser bonita e que foi vítima de bullying quando começou a descobrir que sua beleza não se ajustava às convenções sociais. Surge o retrato da Janis Joplin contestadora, que se infiltrava entre meninos mesmo contrariando ditames sociais da época e que curtia ficar com meninas.

Aos poucos, a Janis Joplin que vai se revelando no documentário é mais plural do que lembrávamos. Fruto das interpretações da mulher, de seu legado e das razões de seu vício que Berg vai enfileirando na tela. Tudo, com o verniz da própria Jane, em imagens e vídeos de arquivo e uma impressionante cota de material inédito. As cartas de Jane para sua família e para seus amores, na voz não menos inspiradora de Cat Power, dão um colorido especial ao registro e humanizam Janis Joplin para além do interesse circunstancial da audiência por um ícone da música.

Corrompida pelo sucesso ou deprimida com a insistente solitude de ser a primeira mulher a estourar no rock? As versões para a tragédia de Janis, e sua passagem pelo Brasil para espantar seus demônios, ocupam o ato final de “Little Girl Blue”. É neste momento que o filme se apropria do título, homenagem a uma música de Janis que integrou o disco “I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama!”, mas também uma sutil elaboração da realização sobre o epitáfio de Janis.

Da relação conturbada com as drogas e o álcool, articulada como um reflexo difuso da relação estremecida com os pais, ao grande amor perdido – o americano David Niehaus a quem conheceu nas areias da praia de Ipanema -, “Janis: Little Girl Blue” possibilita para os fãs um reencontro febril com uma artista de vanguarda.

Para o público em geral, há um filme que recebe a dor como o elemento criativo que ela é e nos versos de “Me and Bobby McGee”, canção de Kris Kristofferson que devolveu a euforia a Janis e integraria o álbum “Pearl”, lançado após sua morte, ousa justificar sua personagem: “Well, I’d trade all o’ my tomorrows (Bem, eu trocaria todos os meus amanhãs)/For one single yesterday (por um simples ontem)”.

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