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Finlândia dá início a substituição da caligrafia pela digitação nas grades curriculares

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Uma nova política do governo da Finlândia vai substituir gradualmente a escrita cursiva pela escrita realizada em teclados de computador. As autoridades do país europeu chegaram à conclusão de que teclar é muito mais importante do que escrever nesta era moderna em que o teclado, seja através do computador ou do celular, tornou-se o principal meio de comunicação utilizado.

De acordo com Minna Harmanen, do Conselho Nacional de Educação da Finlândia, as escolas estavam acostumadas a ensinar a escrever com bastante tempo no passado, mas agora, com o dinamismo do mundo moderno, as coisas mudaram. “As crianças não têm tempo para aprender a escrita cursiva, já que isso teria que ser feito em apenas um ano. Por isso, não é útil para elas”.

Outro fator que pesa é que a escrita cursiva tornou-se mais difícil no país em 1986, quando os finlandeses introduziram novas maneiras de escrever suas cartas. “Nós mudamos o velho estilo de escrita manual derivada do sueco para uma mais moderna. Hoje, algumas letras são muito semelhantes entre si, assim não é nada fácil para as crianças aprenderem a escrever ou até para os professores lerem”, explica Minna Harmanen. “A partir de 2016, os alunos serão ensinados apenas a desenvolver habilidades de teclado, algo que reconhecemos ser muito importante para o mercado de trabalho”, completa.

A Finlândia é um dos primeiros países a parar de dar aulas de letra cursiva obrigatória, mas a mudança faz parte de um movimento mundial de afastamento de documentos manuscritos em detrimento da comunicação digital. Uma pesquisa britânica recente descobriu que um terço dos entrevistados não tinha escrito nada “corretamente” à mão nos últimos seis meses. Nos Estados Unidos, alguns estados também já estão removendo as aulas de caligrafia da grade curricular.

Caneta x teclado: tradicionalismo x modernidade

A polêmica já é grande, afinal os tradicionalistas lamentam a perda da personalidade e do “toque humano” e são corroborados até pela ciência. Alguns neurocientistas salientam a importância da escrita cursiva para melhorar o desenvolvimento do cérebro, habilidades motoras, autocontrole e até mesmo a dislexia.

As autoridades de educação da Finlândia, no entanto, estão firmes na nova ideologia. “É claro que alguns avôs e avós ficaram chateados, mas todo mundo parece bem agora. Na geração seguinte, a dos pais, já não houve tantos comentários contrários”, diz Harmanen. Bem-humorada, ela ainda brinca que os adolescentes finlandeses vão perder um pouco do romantismo ao não saberem mais escrever cartas à mão, mas ao menos, no futuro, não haverá mais receitas médicas ilegíveis por todo o país.

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