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Fred perde disputa entre atacantes da semifinal. Em todos os quesitos

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O Brasil perdeu Neymar, o artilheiro do time, e agora está ainda mais personalizada em Fred, o centroavante, a responsabilidade por balançar as redes contra a Alemanha, na semifinal, terça-feira, no Mineirão. Até agora, no entanto, Fred exibe rendimento abaixo do esperado e inferior aos concorrentes diretos. Nessa mesma etapa da competição, Gonzalo Higuaín, Robin Van Persie e Thomas Müller – seus semelhantes em Argentina, Holanda e Alemanha – demonstram mais eficácia em todos os quesitos.

Quem assiste aos jogos pela televisão ou ao vivo, nos estádios, e percebe Fred menos móvel do que os companheiros de seleção não se engana. De fato, o camisa 9 do Brasil se movimenta pouco. Menos do que Higuain, Van Persie e Müller, tanto quando o time tem a posse de bola como quando tem de se defender. Fred correu 17 quilômetros a menos do que o alemão Thomas Müller durante toda a Copa. 5 quilômetros a menos que Higuaín, e alguns metros a menos que o holandês Van Persie – mas este jogou 40 minutos a menos.

Não se engana, também, quem palpita que Fred é muito lento. O centroavante de Luiz Felipe Scolari é mais lento que os outros três concorrentes. Segundo estatísticas da Fifa, atingiu velocidade máxima de 27,8 km/h na Copa, contra 29,2 km/h de Müller, 33,1 km/h de Higuaín e 30,2 km/h de Van Persie. Diferença considerável, principalmente em relação ao argentino.

A consequência da menor intensidade de movimentação de Fred faz chegar ao quesito que deixa mais evidente a pouca participação do camisa 9 no processo de construção e finalização das jogadas. Fred tem número de passes muito menor. São 86 passes do centroavante brasileiro em cinco jogos da Copa, contra 203 de Thomas Müller, rival na terça-feira. De fato, o alemão não permanece fixo na área. Mas o número em relação aos outros concorrentes também é menor: Higuaín deu 120 passes na competição; Van Persie, 100 – lembre-se, jogou meio jogo a menos.

A eficiência nos passes também não é das melhores. Índice de 63% de acerto, superior apenas ao do camisa 9 holandês (59%), inferior aos de Higuaín (74%) e Müller (68%). Em defesa de Fred está seu posicionamento. Por ficar isolado na área, é natural que receba a bola em condições em que seus companheiros estejam em posições um pouco mais distantes.

Fred também perde a disputa no número de gols. O alemão marcou quatro vezes e briga para ser atrtilheiro do mundial. Van Persie fez três gols, incluindo o golaço na estreia contra a Espanha, no peixinho após longo cruzamento de Blind. Gonzalo Higuaín marcou apenas uma vez, contra a Bélgica – gol que decretou o avanço da Argentina à semifinal – o argentino do Napoli é o único que perde de Fred nos chutes a gol. Mesmo número – 10 finalizações –, mas com menos pontaria: 4 para fora, contra só 2 do brasileiro. Müller chutou 14 vezes a gol. Van Persie também.

Fred é menos eficaz, evidente. Mas cumpre o que promete. Não se espera, naturalmente, que o centroavante do Fluminense tenha o mesmo desempenho daquele que deverá ser o próximo grande ídolo do futebol alemão, ou do argentino que deixou o Real Madrid para o Napoli por mais de 40 milhões de euros, nem do holandês que divide o setor ofensivo do Manchester United com Wayne Rooney. A diferença entre o valor de mercado de Fred e os valores dos concorrentes é muito maior do que a diferença entre o desempenho do brasileiros e dos outros três na Copa.

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