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Furacão em Porto Velho – Professor Nazareno*

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Nossos mandatários e nosso povo são pragas insuperáveis para qualquer país

O furacão Irma, um dos mais devastadores e letais da História, arrasa o Caribe provocando mortes, bilhões de dólares em prejuízo e avança de forma agressiva sobre a Flórida causando violentos impactos materiais. Com ventos de quase 300 km e um raio entre 600 e 800 quilômetros o fenômeno provocou naquele Estado norte-americano a evacuação de mais de seis milhões de pessoas em um tempo recorde. Miami ficou deserta e as autoridades decretaram toque de recolher nas principais cidades e condados. Aeroportos foram fechados, postos de gasolina e o comércio em geral também não funcionou. Tropas militares patrulhando as ruas e o governador do Estado coordenando os trabalhos de remoção e evacuação de parte da população. Rodovias cheias de carros, pessoas buscando abrigos mais seguros, mas tudo dentro da mais perfeita organização.

No entanto, se a tormenta fosse em Porto Velho, capital de Rondônia, tudo seria diferente. Mas já se sabe que Deus não é tão injusto e sacana para nos mandar mais um problema. Já temos de sobra desgraças que superam em muito os transtornos vividos pelas vítimas do Irma e de outros furacões. Nossos mandatários e nosso povo são pragas insuperáveis para qualquer país. Para começo de conversa, como nossas corruptas autoridades retirariam em tempo recorde as pessoas de uma cidade já arrasada como Porto Velho? No mundo desenvolvido e civilizado, as autoridades evacuam as pessoas. Já neste fim de mundo atrasado, os nossos governantes evacuam nas pessoas. Com ruas e estradas todas esburacadas e um povinho chinfrim e todo apressado querendo tomar o lugar dos outros, ninguém sairia daqui. A desorganização colocaria tudo a perder.

Os ambiciosos comerciantes locais venderiam garrafas de água mineral a trinta ou 40 reais. Com a iminente tempestade, a gasolina subiria para 60 ou setenta reais o litro e os poucos e sujos hotéis da cidade até abrigariam pessoas, mas cobrando preços exorbitantes. Passagens de avião para sair do olho do furacão haveria, mas não por menos de 20 ou 30 mil reais o bilhete. Só os ricos se safavam. Mesmo assim, a terrível ventania seria um espetáculo grandioso de se ver. Já pensou as Três Caixas d’Água sendo arrancadas pelo alicerce? Estraçalhadas e moídas iriam parar no inferno, seu lugar adequado. A EFMM seria varrida do mapa. O furacão rondoniano faria o serviço que o rio Madeira iniciou. A ponte escura, os viadutos e o Espaço Alternativo seriam todos arrancados e jogados para muito longe daqui. O Furacão só nos livraria de trambolhos.

Já pensou nos serviços de ajuda prestados pela Brigada de Infantaria e Selva e pelo 5º BEC? Nossos militares, cuja função maior é varrer pátios e desfilar no sete de setembro, finalmente teriam coisas mais úteis para fazer. O Corpo de Bombeiros, que não consegue evitar a nossa fumaça diária, também estaria a serviço dos atingidos. E o Batalhão de Polícia Ambiental, que entra ano e sai ano, e não consegue sequer impedir a queima de nossas florestas, o que faria para ajudar? O cenário nesta capital não ficaria muito pior no caso de uma anomalia dessas proporções. Energia iria faltar, como se isso fosse novidade. E haveria saques e roubos a lojas. O “açougue” João Paulo Segundo e o Hospital de Base receberiam os feridos e ficariam todos lotados de gente morta e ferida. Haja fedor. Faltaria água e os esgotos estourariam no meio das ruas. Os “ventos da morte” só não derrubariam a Assembleia Legislativa nem a Câmara de Vereadores.

*É Professor em Porto Velho.

 

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