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Governo de RO quer exigir nível superior para PM, mas ignora estatísticas; entenda

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Casa Civil deve enviar projeto para Assembleia nesta terça-feira com apoio do deputado Jesuíno Boabaid

É uma tendência e em breve deverá ser padrão em todo o país, a exigência de nível superior para ingressar na Polícia Militar. O Distrito Federal foi o primeiro a adotar essa especificação em edital, mas a realidade do DF é completamente diferente do restante do país. Existe uma previsão para concurso agora em 2017 para a PMDF, com remuneração inicial de R$ 5.108,08 para Soldado 2ª classe e R$ 6.338,87 para Soldado 1ª classe.

Em Rondônia, atualmente um soldado ganha R$ 4.064. O governo deve encaminhar nesta terça-feira, 20, para a Assembleia Legislativa, um projeto que altera a lei atual e passa a exigir curso superior para a Polícia Militar, seguindo os mesmos moldes da PM do DF, ou seja, graduação em qualquer área (inclusive tecnólogo). Mas essa exigência vem sendo duramente criticado por algumas pessoas. O projeto conta com o apoio do deputado estadual Jesuíno Boabaid, que considera “uma vitória”.

Em posts em redes sociais, muita gente critica essa alteração, principalmente pelo fato de estarmos em um país onde o acesso à universidade é restrito (por vezes muito caro) e as pessoas enxergam na Polícia Militar uma forma de ter estabilidade de serviço público com baixa exigência escolar. De fato é um obstáculo, principalmente em um país onde apenas 14% da população adulta tem curso superior, segundo a publicação Education at a Glance 2016, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), lançado em 2016. O estudo compara dados de mais de 40 países, incluindo o Brasil.

Ainda de acordo com a OCDE, Se analisados os dados apenas das gerações mais jovens, entre 25 e 34 anos, o índice cresce para 16%, mas ainda fica distante da média. Já entre adultos de 55 a 64 anos, o percentual é de 11%. Os dados são de 2014.

Nas regiões Norte e Nordeste o cenário é ainda pior, de acordo com o IBGE (2014), apenas 10,5% dos trabalhadores da região Norte possuem curso superior completo e 11% na região Nordeste.

Portanto, antes do governo passar a exigir curso superior para a Polícia Militar, seria mais prudente (e includente) colocar para funcionar a Universidade Estadual. Se o próximo concurso da PM vier com essa exigência, a grande maioria dos inscritos será de fora do Estado.

É fato que a educação melhora a vida das pessoas e da sociedade, mas também é incontestável que o governo precisa oferecer essa educação. A forma como o processo está sendo encaminhado não melhora em nada a vida da população de Rondônia. Para se ter uma idéia, o IBGE mostra que Porto Velho tinha em 2015, pouco mais de 19 mil pessoas matriculadas em cursos de graduação, contra 17 mil com nível médio. Ainda de acordo com o IBGE, em 2013 a capital de Rondônia tinha pouco mais de 30 mil pessoas com curso superior completo e 99.600 pessoas com nível médio.

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