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Governo de Roraima não sabe com precisão número de mortos; familiares se desesperam

Pelo menos 33 presos foram mortos na madrugada desta sexta-feira na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, a maior de Roraima

Segundo a Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima, 30 dos 33 detentos foram decapitados. Alguns deles tiveram o coração arrancado. Não houve registro de fugas. E o número de mortos pode ser maior, pois a perícia ainda trabalha na contagem dos corpos, encontrados com muitas mutilações.

O novo massacre ocorre apenas cinco dias após uma briga entre facções criminosas deixar 56 detentos mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus.  — A perícia está lá, há muitos corpos decapitados, muitos membros. Chegamos à conclusão que houve no mínimo 33 mortos — disse  o secretário de Justiça e Cidadania de Roraima, Uziel Castro, ao deixar o local, antes de seguir para uma reunião com a governadora do estado, Suely Campos.

Em nota divulgada hoje pela manhã, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) informou que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e a Polícia Militar (PM) estão na unidade que fica na zona Rural de Boa Vista, e que a situação estava sob controle.

O presídio tem 700 vagas detentos, mas abrigava 1.475 detentos, mais que o dobro do permitido. E segundo agentes penitenciários, no momento que ocorreu o massacre, apenas 15 agentes estavam de plantão. Familiares dos presos se concentram na porta do presídio em busca de informações. O secretário de Justiça e Cidadania de Roraima descarta que o massacre tenha relação com a chacina em Manaus. As primeiras informações apontavam para uma vingança do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra ao assassinato de seus integrantes em presídio de Manaus por membros do grupo Família do Norte (FDN), aliados do Comando Vermelho (CV).

Em entrevista ao GLOBO, o secretário disse que a penitenciária de Monte Cristo só tinha presos do PCC ou sem ligação com qualquer grupo criminoso, a partir de separação feita pelo estado em novembro passado, para retirar integrantes do Comando Vermelho e de outras facções do local.

Não tem porque ser vingança, retaliação ao que houve em Manaus. Há uma rivalidade entre eles mesmos, e agora estão querendo falar em vingança, mas não há porque fazer vingança se não havia membros de outra organização criminosa dentro deste presídio — disse Castro. — Não pularam de uma ala pra outra, não houve tentativa de fuga, incêndio, quebradeira, nada. Foi uma ação criminosa para matar pessoas.

As cenas de selvageria dentro da unidade prisional foram filmadas pelos próprios presos, que divulgaram um vídeo em grupos de Whatsapp.As imagens mostram os criminosos armados com facas arrancando, uma a uma, a cabeça dos presos enfileirados no pátio do presídio. Eles ainda arrancam o coração e outras partes dos corpos das vítimas. — Está aqui a resposta para vocês, mataram os nossos irmãos em Manaus e agora vão pagar por isso — diz um dos bandidos no vídeo.

Questionado se é completamente impossível que existissem simpatizantes do Comando Vermelho ou da Família do Norte no presídio que abrigava o PCC, o secretário disse não poder afirmar isso, mas ressaltou que a separação feita foi minuciosa: – Não podemos afirmar isso (que não havia qualquer simpatizante de grupo rival). Todos que se declararam ameaçados, temendo sua vida ou se declararam que eram de outra organização, nós tiramos do presídio. Desde o dia 3 de novembro estamos fazendo isso. Tiramos mais de cem. Havia presos que procuravam a direção relatando que estavam com medo, porque já tinham pertencido ao CV, à FDN. E eram tirados.

Na terça-feira, o governo do Amazonas emitiu alerta para Roraima no intuito de avisar sobre porssíveis confrontos entre presos nas unidades do estado. O secretário titular da SSP-AM, Sérgio Fontes, ressaltou que Roraima e Rondônia tiveram recentemente confusões nos seus sistemas prisionais. — Estamos trabalhando muito próximo desses estados vizinhos Roraima e Rondônia.

Muitos preocupados porque Roraima tem FDN e Rondônia também. Estamos mantendo uma comunicação muito estreita com eles, até mesmo porque eles têm preocupação já que tiveram recentemente confusões nos seus sistemas prisionais parecidas com a nossa, mas claro com menos mortes — revelou o secretário, na terça-feira, ao site G1.

Em outubro, 11 detentos foram mortos durante um confronto entre o PCC e o CV.

Alguns presos foram queimados e outros decapitados

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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