Governo federal quer obrigar mulheres ao parto normal – Por Ananda Stering

Na última segunda-feira, 6, a Agência Nacional de Saúde Suplementar(ANS) lançou uma campanha que deixou muitas mulheres preocupadas ou até mesmo aterrorizadas. Uma normativa publicada retira o poder das mães de escolher a forma de dar a luz, obrigando-as, mesmo que indiretamente, ao parto normal, no lugar de cesárea. O momento do parto, é sempre preocupante para qualquer mulher.

O governo federal criou essa normativa basicamente para reduzir os gastos com cesáreas no Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) paga, em média, em um parto normal R$317,39 enquanto em uma cesária custa R$443,68. Será que uma diferença minima de R$ 126,20 vale a dor de uma parturiente ou mesmo a vida de uma criança ?

Um caso ocorrido em Goiânia, registrado recentemente, um bebê morreu na barriga da mãe após 15 horas de espera, por parto normal na maternidade Gota de Leite na cidade de Araraquara (interior de São Paulo). A equipe médica não quis partir para a cesariana, que só foi realizada após a morte do bebê. Em média um parto normal pode durar até 48 horas enquanto uma cesária dura em torno de 60 minutos.

 

No Hospital Geral de Itapecerica da Serra , (interior de São Paulo) uma parturiente teve que esperar 27 horas, para que seu bebê nascesse. Ela estava em situação de risco e só assim os médicos autorizaram uma cesariana. Ela conta que não possuía dilatação o suficiente para o parto e que estava muito debilitada, e então ela pediu ao médico que realizasse a cesárea, mas o médico negou, e ainda disse que a mãe e o bebê estavam em perfeito estado, e por isso o parto seria normal.

 

Após isto, a enfermeira encaminhou a gestante para o banho onde lá seria induzido o nascimento da criança. A parturiente ficou 35 minutos no chuveiro sangrando, depois a moça foi encaminhada para a sala de parto. A gestante relatou que não aguentava mais a dor, e pediu novamente uma cesárea, mas pela segunda vez foi negada. Os batimentos do bebê começaram a ser monitorados, e no momento que os médicos viram a gravidade da situação, partiram para a cesárea, mas já era tarde demais, o bebê nasceu com asfixia grave, e logo veio a óbito. Os pais acusam o hospital de negligência médica e afirmam que sua filha nasceu morta porque forçaram o parto normal ao invés de realizaram uma cesárea.

Não sou contra o parto normal, até porque ele tem grandes vantagens, como por exemplo o tempo de recuperação da parturiente. Sou contra o governo retirar o direito da mulher de escolher a forma como quer dar a luz. Cada parto existe seus prós e contras, então cabe a gestante decidir com qual ela se identifica mais.

 

A gravidez é para ser um momento tranquilo e especial para toda mulher, mas como ficar tranquila se o governo está impondo algo que muitas mulheres tem pavor?.  Em conversa com muitas mães, pude perceber opiniões diversas, algumas preferem o parto normal, e já outras morrem de medo de sentir dor. E é por isso que defendo a escolha da mãe, e não a do governo, fora que pagamos o SUS, temos que ter o direito de escolha.

Um ponto que achei positivo na nova normativa da ANS é o estimulo ao pré-natal, as gestantes receberam um “Cartão da gestante” que irá conter informações sobre as consultas, pré-natal, com orientações e dados de acompanhamento da gestação, isso com certeza ira deixar a parturiente mais tranquila.

Os médicos não irão mais receber por cesárea quando o parto indicado for normal. Na realidade o direito de escolha de parto no SUS já não existe a muito tempo. Tive a oportunidade de conversar com pessoas que já passaram pela situação, e elas afirmam que já viram parturientes esperarem mais de 48 horas por um parto cesárea, que não ocorreu, e que quase sempre com a espera, o parto acaba sendo normal.

Em conversas com médicos, eles afirmam que uma normativa assim não ira mudar a opinião de ninguém, e sim trazer discussões que só cabe a gestante decidir. Achei válida a campanha, o incentivo ao parto normal é algo positivo, mas a decisão tem que ser da mãe, afinal, quem vai sentir dor, ou ter que se recuperar após a cirurgia será a mesma. O governo não pode interferir em uma decisão tão particular.

 

*Ananda Stering é colaboradora de Painel Político

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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