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Gravação entre Mosquini e Confúcio comprova que Espaço Alternativo era “obra eleitoreira”

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Interceptações telefônicas com autorização da justiça confirmam que esquema visava o segundo turno das eleições

Painel Político teve acesso a íntegra do inquérito da Operação Ludus, que em dezembro de 2014 prendeu entre outros, o prefeito afastado de Ouro Preto do Oeste, Alex Testoni e o agora deputado federal Lúcio Mosquini, ex-diretor do Departamento de Estradas e Rodagens e Secretário de Obras do Estado. As investigações comprovaram que Lúcio e Alex trabalharam incansavelmente para manterem-se no poder, usando para isso a máquina pública, e o pior, com conhecimento e anuência do governador do Estado, Confúcio Moura.

Em 2014 o governo do Estado  iniciou as obras em um canteiro central na Avenida Jorge Teixeira, no caminho do Aeroporto, denominado “Espaço Alternativo”, que já funciona há pelo menos duas décadas de maneira informal em Porto Velho. A prefeitura fecha uma das pistas a partir das 17 horas para que as pessoas possam usar como pista de caminhada. O DER, então comandado por Mosquini, resolveu que construíria no local, um “parque com equipamentos e rampas para atividades físicas diversas”. A obra havia sido orçada em pouco mais de R$ 20 milhões e foi lançada com toda a pompa.

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O processo licitatório, conforme comprovam investigações do Ministério Público e Tribunal de Contas, foi todo fraudado, com favorecimento de empresas ligadas a Lúcio Mosquini, sendo que em uma delas ele havia sido responsável técnico durante anos. Mesmo com todas as irregularidades, as obras tiveram início e chegaram a ser aditivadas em mais R$ 2 milhões.

Mas o projeto tinha um objetivo maior, o da reeleição de Confúcio Moura e a eleição de Mosquini, que então disputava o cargo de deputado federal. Com denúncias pipocando pela imprensa, o Tribunal de Contas e Ministério Público entraram no circuito e passaram a olhar com bastante atenção a situação. E foi determinada a suspensão. Pressionado pelos gerentes da obra, Mosquini passou a cobrar do governador o pagamento das medições, e deixou claro em conversa gravada com autorização judicial, que se tratava de uma questão política, e que o Espaço Alternativa daria a Confúcio, o “segundo turno”. Veja abaixo a transcrição da conversa:

Conversa entre Lúcio Mosquini e o governador Confúcio Moura
Conversa entre Lúcio Mosquini e o governador Confúcio Moura

A obra continua parada e Mosquini atualmente ocupa uma das cadeiras de Rondônia no Congresso. Confúcio foi reeleito, mas teve o diploma cassado no dia 5 deste mês e os recursos devem ser julgados na próxima terça-feira, 31, pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Influência fora do cargo

Em função do período eleitoral, Lúcio Mosquini teve que se afastar dos cargos que ocupava no Estado, mas mesmo assim continuava dando as cartas, conforme mostram investigações do Ministério Público. E após ter sido eleito, ele articulava a ida de Jaques Testoni, irmão de Alex e ex-deputado estadual, para ser seu sucessor no DER. Em conversas interceptadas com autorização judicial, Mosquini conversou com Alex e comentou sobre a importância da ida de Jaques para o DER ou SEDAM. A idéia era manter o poder dentro do governo.

Conversa entre Mosquini e Alex tratando da possível nomeação de Jaques Testoni
Conversa entre Mosquini e Alex tratando da possível nomeação de Jaques Testoni

 

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