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Greve de terceirizados da limpeza em hospitais públicos afeta usuários

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Cerca de 2,5 mil terceirizados da limpeza cruzam os braços por falta de pagamento, e acompanhante de paciente precisa limpar dependências do Hospital Maternidade Infantil de Brasília. Governo diz que dinheiro sai nesta semana
Lixo jogado no chão, banheiros insalubres, piso dos quartos e dos corredores sujo. Servidores e pacientes denunciam o estado dos hospitais regionais de Taguatinga, Ceilândia, Brazlândia, Samambaia e, principalmente, o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). No último, todos os terceirizados da limpeza cruzarem os braços desde a última segunda-feira, atendendo apenas leitos da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). São cerca de 2,5 mil trabalhadores de hospitais, postos de saúde, Unidades de Pronto Atendimento (UPA); e até de escolas públicas, paralisados à espera do pagamento do salário de junho e de benefícios de julho, todos atrasados. O governo garante que o pagamento será feito nesta semana.

Os trabalhadores prejudicados são pagos por cinco empresas diferentes: Ipanema, Dinâmica e Apecê, na área da saúde; e Juiz de Fora e G&E Eventos e Serviços, no setor da educação. Serviços de vigilância também estão desfalcados por conta da falta de pagamento. Segundo a Secretaria de Saúde, o governo está em contato com as corporações desde a última semana, na tentativa de evitar a paralisação. Em nota, a pasta afirmou que descontingenciou R$ 11 milhões e solicitou o aporte de mais R$ 22 milhões, destinados ao pagamento dos valores referentes às notas de dois meses de serviço.

O Correio tentou contato com as empresas, mas apenas a Apecê retornou as ligações. De acordo com eles, assim que o repasse por parte do governo for feito, os servidores receberão os atrasados. Para quem espera, no entanto, qualquer dia a mais sem salário e sem vale-alimentação é um sofrimento. Maria Betânia Menezes da Silva, 42 anos, mora em Planaltina de Goiás com um filho de 12 anos e trabalha no setor de clínica cirúrgica do Hmib. “Está tudo atrasado em casa. Água, luz, aluguel. Tenho que rebolar para conseguir as coisas, passagem, comida, necessidades do meu filho, ou seja, estou sem condições mesmo”, lamenta a funcionária.

“Podre”

Sofrem o trabalhador e a população. Maria Betânia e outros 200 servidores do Hmib interromperam as atividades. Quem se incomodou com a sujeira teve que limpar. Caso da operadora de telemarketing Laissa Felipe de Faria, 22. Ela estava com filha de 2 anos internada desde o fim de junho por conta de uma pneumonia. As duas foram liberadas ontem. “Ainda bem que teve alta. Está podre lá dentro. As lixeiras estão transbordando e, hoje (ontem), não aguentamos e passamos um pano no chão. O hospital já é ruim limpo; imagine sujo”, relatou.

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