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Greve no IBGE impede divulgação de taxa média de desemprego pela 2ª vez

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A greve no IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) interrompeu, pelo segundo mês consecutivo, a divulgação do resultado completo da pesquisa mensal de emprego.

O protesto dos servidores, que já dura dois meses, comprometeu a média de desemprego de junho, calculada a partir de resultados das seis regiões metropolitanas do país, porque faltaram dados de Salvador e Porto Alegre.

São as mesmas áreas que não tiveram informações apresentadas em maio.

Não houve, segundo o IBGE, tempo hábil para fazer a crítica e a análise dos dados, que foram coletados em campo.

O instituto projeta divulgar em breve, em data ainda não divulgada, os dados das duas regiões e a média das seis áreas de maio e junho.

REGIÕES

Em São Paulo, maior mercado de trabalho do país, a taxa de desemprego de junho ficou em 5,1%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (23), repetindo a taxa de maio e abaixo dos 6,6% de junho de 2013.

Na região, a renda média caiu 1,6% de maio para junho, a R$ 2.106,30. Na comparação com junho de 2013, houve ligeira alta, de 0,6%.

Recife e em Belo Horizonte registraram taxas de desemprego de 6,2% e 3,9%, respectivamente. A primeira caiu na comparação tanto com maio (7,2%) quanto com relação a junho de 2013 (6,5%).

Belo Horizonte, por sua vez, viu ligeiro aumento sobre os 3,8% registrados em maio e uma melhora na comparação com os 4,1% de junho do ano passado.

Já no Rio de Janeiro, a taxa de desemprego foi de 3,2% em junho, abaixo o mês anterior (3,4%) e com uma expressiva queda sobre os 5,2% de junho passado.

Em São Paulo, Rio e Belo Horizonte, as taxas de junho são as mais baixas para tal mês do ano desde o início da pesquisa, em 2002. Em Recife, a mais baixa havia sido em 2011.

ABRIL

Em abril –o último dado médio disponível–, a taxa média das seis regiões havia sido de 4,9%, o menor patamar para o mês desde o início de série histórica, iniciada em 2002.

O atraso na coleta dos dados da Pesquisa Mensal de Emprego reduz a qualidade da informação, segundo Cimar Azeredo Pereira, coordenador de Emprego e Rendimento do IBGE.

O ideal é fazer a entrevista o mais perto possível da semana de referência porque as pessoas podem se esquecer ou confundir se procuraram ou não emprego no período da pesquisa, que sempre investiga se houve ou não procura por trabalho na semana anterior à data em que o informante é visitado.

DESEMPREGO BAIXO

O desemprego tem se mantido também na maioria das regiões pesquisadas em patamares historicamente baixo diante da saída de pessoas do mercado de trabalho, em especial jovens e mulheres.

Tal movimento pode estar relacionado com o esfriamento da economia. Diante de menos oportunidades ou propostas com remuneração mais baixa, esses grupos, que, em geral, não são os provedores principais das famílias saem do mercado para se qualificar ou cuidar dos filhos à espera de uma melhor colocação.

O saldo de criação de vagas com carteira assinada em junho foi o pior para o mês desde 1998, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho na semana passada.

No mês, foram geradas 25.363 novas vagas. No primeiro semestre, foram 588.671 novos postos de trabalho formal. É o menor saldo para esse período do ano desde 2008 (397.936 vagas).

Nos dois casos, houve queda em relação ao mesmo período de 2013, mas as contratações caíram mais que as demissões.

Diante do fraco resultado, o ministério reduziu a previsão para a geração de empregos com carteira assinada em 2014 de 1,4 milhão para 1 milhão de postos.

GREVE

A categoria reivindica principalmente equiparação salarial aos servidores de outros órgãos, com o Ipea. A direção do IBGE também defende essa propostas. Mas o Ministério do Planejamento, ao qual o IBGE é vinculado, diz que não há possibilidade de mudanças salariais neste ano, citando que ainda está sob vigência um acordo ate 2015 com a categoria.

Na greve de 2012, que durou dois meses, ficou acertado um reajuste de 15%, escalonado em três anos.

Naquele ano, a pesquisa mensal de emprego, a mais complexa do instituto e com o maior número de pessoas entrevistadas, também divulgou dados parciais em junho e julho. As informações completas, com a taxa média de desemprego das seis regiões, foi divulgada em agosto.

Sindicalistas e a direção do IBGE discordam em outros pontos. Dentre eles, destacam-se a proposta de equiparação salarial de terceirizados e empregados próprios do instituto, a autonomia técnica (que a diretoria diz existir, mas a categoria contesta) e a chamada “gestão participativa” do órgão.

Para Magni, falta “alternância” e “participação” do quadro de funcionários na escolha de servidores para funções comissionadas, como as de coordenadores de áreas do IBGE e chefes das representações estaduais. “Existem pessoas que mantêm seus cargos há 30 anos. Existe algo errado.”

O IBGE, por sua vez, diz defender o preenchimento dos cargos por meio de “processo seletivo baseado no mérito”.

Magni também não vê empenho da direção na realização de concursos para repor trabalhadores que se aposentam. Diz que em 2007 o órgão tinha 7.000 servidores próprios. O número caiu para 5.700 neste ano.

O IBGE afirma que ingressaram neste ano 660 novos funcionários e foram solicitados ao ministério concursos para 1.044 vagas de nível médio e 520 de formação superior.

Sobre a equiparação entre concursados e trabalhadores temporários (usados na coleta de dados das pesquisas), o IBGE diz que “todos os benefícios previstos em lei” são garantidos aos terceirizados, mas que “uma equiparação salarial com os servidores efetivos de nível médio não é possível, visto que estes últimos têm atribuições e responsabilidades bem mais amplas.”

SALÁRIOS

No nível médio, o salário-base do instituto é R$ 3.160. O sindicato afirma que, no Ipea, a remuneração no mesmo nível é 69% maior, considerando salário-base inicial, sem gratificações por qualificação ou tempo de serviço.

Já nos cargos de nível superior, o salário-base é R$ 4.145,23, e o sindicato calcula que, no Ipea, a remuneração seja 69% superior. Nessa categoria, o salário pode chegar a R$ 8.949,03 (doutorado), sem contar adicionais por tempo de serviço e cargos comissionados.

De novembro de 2012, quando o Congresso aprovou o acordo com 24 categorias (inclusive o IBGE) para o reajuste de 15,8% parcelado em três anos, até maio deste ano o reajuste foi de 10,1%, segundo o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Fonte: Folha de S. Paulo

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