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Gurgacz não esconde “benefícios pessoais” e segue legislando em causas próprias no Senado

Acusado por colega de "criar lei para beneficiar empresas da família", ele já havia admitido benefícios em recuperação de rodovia

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O senador Acir Gurgacz (PDT-RO) não esconde de ninguém que, de fato, muitas de suas “lutas” são em benefício das empresas que sua família mantém, principalmente no setor de transportes. Acusado pelo colega de bancada Ivo Cassol (PP-RO), em setembro desse ano de ter criado uma lei para punir taxistas que fizerem transportes de passageiros intermunicipais, o que beneficia diretamente as empresas de transportes de passageiros da família Gurgacz.

Eticamente o senador sequer poderia estar atuando na Comissão de Infra-estrutura do Senado, responsável pelo setor de transportes. Porém, como resposta Acir se descontrolou e partiu para ofensas graves, em vídeo postado em suas redes sociais

Atualmente, ambos estão movendo processos um contra o outro, nas esferas cível e criminal.

Porém, uma reportagem da BBC Brasil, assinada por Ricardo Senra e publicada em maio do ano passado, mostra que o senador Ivo Cassol não está errado em sua acusação. De acordo com o repórter, durante a entrevista sobre uma emenda constitucional cujo texto eliminava a necessidade de licenciamento ambiental para obras, o próprio Gurgacz reconheceu que sua família seria beneficiada, “ao fim da entrevista, quando se despedia do repórter, Gurgacz afirmou: “Vamos ter benefícios econômicos, sim, mas o benefício principal é para o povo. A estrada é de todos,” relatou o jornalista.

O repórter lembrou na matéria, intitulada “Senador autor de PEC ambiental polêmica reconhece benefício a empresa da família” que “o artigo 6º do Código de Ética e Decoro Parlamentar do Senado diz que parlamentares devem se declarar “impossibilitados de votar a matéria” ou apresentar documento que “explicite razões pelas quais entenda como legítima sua participação na discussão”, sempre que houver conflito com interesses patrimoniais – o que não foi feito pelo senador”. Ocorre que Gurgacz também é membro titular do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

O senador tem como uma de suas principais bandeiras o setor de transporte terrestre. Grande parte de sua atuação, na verdade se dá nessa área. É dele, por exemplo, a proposta de federalizar trechos de rodovias estaduais no Mato Grosso e em Rondônia, além de alterações no Código Brasileiro de Trânsito, como o acréscimo do artigo 255-A, ao CBT que “dá prioridade aos veículos de transporte coletivo de passageiros no atendimento em operações de fiscalização de trânsito”. A família do senador é dona da empresa Eucatur e Solimões, ambas de transporte de passageiros e cargas.

Contra o PDT

A atuação de Gurgacz vai contra todo o discurso de sua legenda, o PDT, que deve lançar a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes à presidência em 2018. Ciro, que tem uma ficha política impecável, ainda não se manifestou sobre a atuação de Gurgacz, e ignora, ao menos publicamente, as acusações de legislar em causa própria que pesam contra o senador. O PDT, por sua vez, já foi contatado pela reportagem de PAINEL POLÍTICO em pelo menos duas ocasiões, mas nunca retornou as ligações ou divulgou qualquer comunicado.

Em setembro do ano passado, após votar pelo afastamento da então presidente Dilma Roussef, indo contra a determinação do PDT, Gurgacz se afastou do cargo alegando que “iria para Rondônia cuidar das eleições municipais”. O primeiro suplente, advogado Gilberto Piselo que é amigo do senador e cuida de algumas ações, ficou no cargo apenas o tempo regimental e também se afastou, assumindo o desconhecido “pastor Valadares”, que terminou também votando contra determinações do PDT. A legenda permanece em silêncio sobre o episódio.

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