Homem que aplicou golpe milionário no Brasil é preso nos EUA por bigamia

Rafael Miranda Caram foi detido pelas autoridades americanas depois que sua nova esposa anulou o casamento

O Departamento de Imigração (ICE) postou em seu website a prisão na quinta-feira (14) de Rafael Miranda Caram, de 32 anos, natural do Rio de Janeiro, que, desde a Copa do Mundo de 2014, estava foragido em Orlando (FL). Ele é acusado de dar um golpe de pelo menos R$ 20 milhões (US$ 5.6 milhões), envolvendo aproximadamente 50 vítimas, quase todos velhos amigos ou de infância. O paradeiro de Rafael teria sido descoberto por agentes do Handgun Control, Inc. (HCI), por viver ilegalmente nos EUA, depois que o seu casamento com uma cidadã americana foi anulado.

Foragido cometeu bigamia:

O suspeito era casado oficialmente no Brasil e, antes de fugir do país, não dissolveu oficialmente a união, portanto, o matrimônio nos EUA foi considerado bigamia. A esposa atual teria tomado conhecimento das acusações que pesavam contra o novo marido e, com receio de ser presa, cancelou o casamento, informou o Delegado Aloysio Falcão, da Delegacia de Roubos e Furtos de Autos (DRFA), na terça-feira (19). O cancelamento fez com que a permanência de Rafael se tornasse irregular nos EUA, permitindo a sua prisão pelas autoridades americanas. Ele estaria detido na Houston Contract Detention Facility (CDF), na 15850 Export Plaza Drive, em Houston (TX).

Fuga para os EUA:

Em meados de 2015, a juíza da 36ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Simone de Faria Ferraz, decretou a prisão de Rafael Miranda Caram, acusado de montar um esquema de pirâmide que lesou em mais de R$ 20 milhões amigos na capital fluminense. As autoridades suspeitam que ele vinha aplicando o golpe há pelo menos 4 anos e, na Copa do Mundo de 2014, fugiu para a Flórida. A Delegacia de Defraudações tenta o trasladado do foragido ao Brasil, onde ele enfrentará julgamento. Segundo a revista Veja, em maio de 2015, Caram, filho de um empresário da construção civil e residente no afluente bairro da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, lesou aproximadamente 100 pessoas e fugiu com o dinheiro para Orlando (FL), onde abriu um restaurante e uma firma de investimentos.

O nome e imagem do suspeito de estelionato foram postados no site: Procurados (www.procurados.org.br). Ainda segundo a Veja, Rafael casou-se em 24 de março de 2015 com uma brasileira naturalizada americana, entretanto, o seu divórcio no Brasil foi oficializado em 22 de abril, portanto, quase um mês depois.

.Entenda a história:

Mais de uma centena de pessoas, entre elas amigos de infância, acusam Rafael de montar um esquema de pirâmide financeira e fugir com o dinheiro; cerca de US$ 5.6 milhões (R$ 20 milhões), para os Estados Unidos. A maioria das pessoas registrou o caso na 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, onde também morava o suspeito, segundo o site G1 e a Radio 94 FM Dourados. Conforme um dos registros de ocorrência, Caram vivia atualmente na cidade de Orlando (FL) e o esquema movimentou no mínimo R$ 20 milhões.

As vítimas receberam a promessa de, a cada 40 dias, sacarem 16% do montante investido no Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), um lucro muito acima ao da caderneta de poupança. Rafael exigia que o valor mínimo a ser investido fosse de US$ 16.440 (R$ 50 mil, na ocasião), o que com o passar do tempo passou a gerar desconfiança nos investidores. O economista César Trotte disse a rádio 94 FM que começou a investir no negócio há 1 ano e meio e sofreu o prejuízo total de US$ 98.643 mil (R$ 300 mil). Segundo ele, Caram forjou papéis de investimentos em aço, óleo diesel e até apresentou balanços falsos da Petrobrás para enganar suas vítimas. A desconfiança aumentou depois que ele começou a “travar” o negócio, acrescentou César. Segundo a vítima, Rafael parou de pagar os lucros aos investidores entre outubro e novembro de 2014, quando fugiu para os EUA. No Brasil, ele enfrenta as acusações de estelionato e formação de quadrilha, pois se suspeita que tivesse a ajuda de pelo menos três pessoas.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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