Hospital chinês é condenado por tratamento para ‘curar’ homossexuais

PEQUIM – Um tribunal condenou um hospital na China por ter forçado um paciente gay a receber um “tratamento” para “curar” sua orientação sexual, segundo a cópia da sentença consultada nesta terça-feira pela agência France-Presse.

O hospital psiquiátrico de Zhumadian, na Província de Henan (centro), foi condenado no dia 26 por um tribunal da mesma localidade a se desculpar publicamente e a pagar € 647 a Yu, o autor da ação, por danos e prejuízos, de acordo com a decisão.

Yu, atualmente com 37 anos, foi internado à força no estabelecimento por sua família em outubro de 2015, pouco depois de revelar sua homossexualidade a sua mulher e pedir o divórcio, relata a sentença.

Foi diagnosticado com “problemas de orientação sexual” e submetido a um tratamento médico forçado que pretendia “curá-lo”, apesar de ter pedido ao hospital para ser liberado.

As “terapias de conversão” são consideradas pelos especialistas como não científicas e ineficazes. Mas inúmeras clínicas no gigante asiático continuam realizando-as.

A China retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais em 2001. Mas homens e mulheres gays continuam sendo alvo de discriminações e de intensas pressões familiares.

Em 2016, Yu relatou à agência France-Presse que ficou amarrado a uma cama de hospital durante quase 20 dias e tinha de tomar um coquetel de remédios para “corrigir” sua orientação sexual. Os funcionários ameaçavam bater nele caso se recusasse a ingeri-las, contou então em uma entrevista.

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