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Il capo de tutti capi – O grande chefe dos chefes

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Era uma vez, em um lugar muito…muito distante, supostamente numa província onde se comia muita Calabrezza, havia um político muito esperto e poderoso. Em sua fazenda, criava Vaccari. Dizia a lenda que na horta do uomo chovia muito dinheiro, a ponto de quase haver um Delúbio de verdinhas.

Mas nem sempre foi assim. Aquele poderoso político já fora bambino pobre, vindo da classe operária, mas que, devido a sua avidez ao poder e à vida nababesca, nunca se habituou ao trabalho honesto.

Solidário e benevolente, no poder, dava dinheiro, pão e circo ao povo, e no subterrâneo, em seus auspiciosos esquemas com grandes corporações, distribuía os dividendos criminosos com a sua extensa famiglia de aliados. Isso fazia com que fosse o provedor maior nas disputas eleitorais, quase sempre bem sucedidas, para manter o poder.

Pai amoroso, não negava agrados a seus bambinos, vez por outra, agraciados com regalos e oportunidades milionárias de empresas amigas.

Mesmo fora do poder, mas elegendo qualquer poste no comando da nação, ele ditava as regras e mantinha os esquemas, dissimuladamente.

Mas, apesar de suas estripulias evidentes para qualquer homem médio, o capo di tutti capi não aparecia, ninguém conseguia pegá-lo. Ele mantinha vários Testonni de ferro, uns compadres, que faziam o trabalho sujo e um grupo poderoso de políticos e da cúpula da justiça que o blindavam. O cara era eficiente, não comia mosquinni em serviço.

Mas o seu pecado maior foi abusar dos esquemas que engendrava e do poder que detinha. Fatos graves alcançaram o ouro negro – a riqueza maledetta da nação que brota das profundezas da terra e acirra a ganância humana. Interesses maiores foram feridos. Os valores surrupiados eram gigantescos. Então, algumas escassas almas sérias e honestas iniciaram uma intensa investigação.

Delações, interrogatórios, campanas, quebras de sigilos, escutas, etc,…..e, pasmem!!! Descobriram que aquele “capo dos capos”, o mestre do cinismo e da dissimulação, o suposto malfazejo dos Apeninos… era, na verdade, de Caetés, uma pequena cidade de “cabras machos” no nordeste de um país situado abaixo da linha do Equador, onde mantinha suas bases e onde estendia seus tentáculos maléficos para além da península, ajudando e apoiando ditadores cruéis e infames. Naquelas bandas, o “chefe dos chefes” era quase um santo. Venerado pela massa ignara, sua imagem de barro era adorada nos rincões miseráveis de terras secas.

Naquele país pouco civilizado – onde imperava o crime e a impunidade; onde o futebol corria no sangue; onde a folia profana e a bunda das mulatas eram o cartão de visitas; onde ir à padaria da esquina e voltar são e salvo era uma aventura – as organizações criminosas no meio político, empresarial e jurídico faziam a Ndrangheta Cosa Nostra parecerem conventos de freiras.

No curso das investigações, todas as evidências e provas eram irrefutáveis. Enfim, o chefe dos chefes foi desmascarado. Após um longo processo, malas pretas, rezas brabas, Rivotril e o “rigor” dos “capas pretas” da cúpula da giustizia, muitos deles nomeados pelo próprio capo, apesar de uma condenação em primeiro grau proferida por um juiz de saco roxo, tudo terminou numa grande Pizza. E o pior: o maledetto continuou sendo idolatrado pelo povo, a ponto de querer disputar novamente a chefia da nação.

Mas a providência divina, o curso dos acontecimentos e as novas gerações foram implacáveis com o “capo di tutti capi” tupiniquim, conferindo-lhe apenas algumas notas de rodapé nas páginas da história e no livro das personalidades, colocando-o no seu devido lugar: no rol dos grandes criminosos de colarinho branco.

Francisco Barroso  

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